| Mas o que é o espaço como tal? O mais evidente é que ele deve ser distinguido das coisas: as coisas têm propriedades pelas quais cada uma é definida, enquanto o espaço, de qualquer forma que possa ser determinado, não possui propriedades que lhe sejam inerentes. Para formular adequadamente a pergunta “O que é espaço?”, é necessário deslocar o sentido de “o que é” daquele que ele tem em relação às coisas. No entanto, fazer isso revertendo do sentido de o que é como universal para o de εἶδος — traduzido como aparência — não é suficiente, pois o espaço não tem aparência; ele é, como tal, invisível. De certa forma, o espaço se opõe — embora não em uma oposição meramente simétrica — ao eidético: enquanto ele é invisível, o eidético é precisamente aquilo que confere visibilidade a todas as coisas. E, no entanto, assim como o eidético, ele é pressuposto pelas coisas: como não há nada que não tenha aparência, por menor que seja sua aparência — como cabelo, lama e sujeira —, não há coisas que não estejam no espaço. A natureza de todas as coisas é que elas devem estar no espaço, sob pena de não serem nada. O espaço é uma pré-condição de todas as coisas, de seu ser em absoluto. Pois o que quer que possa se apegar ao ser, vir a ser e desaparecer, o espaço já está aí. E, no entanto, como o espaço pode estar aí a menos que já exista um aí no qual o espaço esteja localizado, outro espaço pressuposto pelo espaço? | Mas o que é o espaço como tal? O mais evidente é que ele deve ser distinguido das coisas: as coisas têm propriedades pelas quais cada uma é definida, enquanto o espaço, de qualquer forma que possa ser determinado, não possui propriedades que lhe sejam inerentes. Para formular adequadamente a pergunta “O que é espaço?”, é necessário deslocar o sentido de “o que é” daquele que ele tem em relação às coisas. No entanto, fazer isso revertendo do sentido de o que é como universal para o de εἶδος — traduzido como aparência — não é suficiente, pois o espaço não tem aparência; ele é, como tal, invisível. De certa forma, o espaço se opõe — embora não em uma oposição meramente simétrica — ao eidético: enquanto ele é invisível, o eidético é precisamente aquilo que confere visibilidade a todas as coisas. E, no entanto, assim como o eidético, ele é pressuposto pelas coisas: como não há nada que não tenha aparência, por menor que seja sua aparência — como cabelo, lama e sujeira —, não há coisas que não estejam no espaço. A natureza de todas as coisas é que elas devem estar no espaço, sob pena de não serem nada. O espaço é uma pré-condição de todas as coisas, de seu ser em absoluto. Pois o que quer que possa se apegar ao ser, vir a ser e desaparecer, o espaço já está aí. E, no entanto, como o espaço pode estar aí a menos que já exista um aí no qual o espaço esteja localizado, outro espaço pressuposto pelo espaço? |