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| estudos:romano:romano-ipseidade [16/01/2026 14:40] – created - external edit 127.0.0.1 | estudos:romano:romano-ipseidade [21/01/2026 09:41] (current) – mccastro |
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| ===== ROMANO – IPSEIDADE ===== | ===== Romano – Ipseidade ===== |
| <tabbox tradução parcial> | |
| Em Ser e tempo, a introdução do conceito de ipseidade é motivada pelo fato de a ontologia do Dasein (ser-aí, o homem considerado na sua essência) "interdita partir da doação formal do eu para dar uma resposta fenomenicamente satisfatória à questão do quem (Wer)" (§25). A ipseidade é assim definida em contraste com o termo-chave das egologias. De facto, na ontologia fundamental, ipseidade não designa um ente pensante, nem um núcleo de auto-identidade, mas, como Heidegger insiste constantemente, um modo de ser (Weise zu sein) ou um modo de existir (Weise zu existieren) do Dasein (§54). O ponto de partida para a tematização da ipseidade reside na ideia de que há dois modos fundamentais de o Dasein existir e de se relacionar com o seu ser: ou antecipando resolutamente a sua morte e decidindo por si mesmo, à luz desta, a sua existência e quem tem de ser; ou delegando essa decisão aos "outros", e, na realidade, em todos e em ninguém, isto é, naquilo a que Heidegger chama "o impessoal" (das Man). No primeiro caso, o Dasein é ele mesmo, assume o ônus do seu ser e existe autenticamente: alcança a ipseidade, o ser em si (Selbstsein), isto é, uma existência "em pessoa"; no segundo caso, cede à decadência e afunda-se na inautenticidade: já não é ele mesmo, mas das Man, o Impessoal. | |
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| <tabbox original> | Em Ser e tempo, a introdução do conceito de ipseidade é motivada pelo fato de que a ontologia do Dasein [o ser-aí, o homem considerado em sua essência] “proíbe partir da doação formal do eu para dar uma resposta fenomenalmente satisfatória à questão do quem (Wer)” (§25). É, portanto, em contraste com o termo-chave das egologias que a ipseidade é definida. A ipseidade não designa, de fato, na ontologia fundamental, uma entidade pensante, nem um núcleo de identidade própria, mas, como Heidegger insiste constantemente, uma maneira de ser (Weise zu sein) ou uma maneira de existir (Weise zu existieren) do Dasein (§ 54). O ponto de partida para a tematização da ipseidade reside na ideia de que existem duas maneiras fundamentais para o Dasein existir e se relacionar com o seu ser: ou antecipando resolutamente a sua morte e decidindo por si mesmo, à luz desta, a sua existência e quem ele tem de ser; ou delegando essa decisão a “outros” e, na realidade, a todos e a ninguém, ou seja, ao que Heidegger chama de “o On” (das Man). No primeiro caso, o Dasein é ele mesmo, assume o fardo de seu ser e existe de maneira autêntica: ele alcança a ipseidade, o ser-si-mesmo (Selbstsein), ou seja, uma existência “em pessoa”; no segundo caso, ele cede à decadência e mergulha na inautenticidade: não é mais ele mesmo, mas das Man, o On. |
| Dans Être et temps, l’introduction du concept d’ipséité est motivé par le fait que l’ontologie du Dasein [l’être-là, l’homme considéré en son essence] « interdit de partir de la donation formelle du moi pour apporter une réponse phénoménalement satisfaisante à la question du qui (Wer) » (§25). C’est donc en contraste avec le terme clé des égologies que l’ipséité est définie. L’ipséité ne désigne pas, en effet, dans l’ontologie fondamentale une entité pensante, ni un noyau d’identité à soi, mais, comme y insiste constamment Heidegger, une manière d’être (Weise zu sein) ou une manière d’exister (Weise zu existieren) du Dasein (§ 54). Le point de départ de la thématisation de l’ipséité réside dans l’idée selon laquelle il existe deux manières fondamentales pour le Dasein d’exister et de se rapporter à son être : ou bien en anticipant résolument sa mort et en décidant en propre, à la lumière de celle-ci, de son existence et de celui qu’il a à être ; ou bien, en délégant cette décision à « d’autres », et, en réalité, à tout le monde et à personne, c’est-à-dire à ce que Heidegger appelle « le On » (das Man). Dans le premier cas, le Dasein est lui-même, il assume le fardeau de son être et existe de manière authentique : il accède à l’ipséité, à l’être soi-même (Selbstsein), c’est-à-dire à une existence « en personne » ; dans le second cas, il cède à la déchéance et sombre dans l’inauthenticité : il n’est plus lui-même mais das Man, le On. | |
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| Toute l’économie de la notion d’ipséité repose sur ce contraste entre l’ipséité (ou l’être en personne) et le mode d’être où l’on devient littéralement « personne », c’est-à-dire tout un chacun, indiscernable des autres, où l’on sombre dans l’anonymat : « Le Dasein se comprend toujours soi-même à partir de son existence, d’une possibilité de lui-même d’être lui-même ou de ne pas être lui-même » (§4). Quel est alors le lien entre ipséité et identité ? Il arrive, notamment dans ses cours, que Heidegger présente l’ipséité comme une forme spécifique | Toda a economia da noção de ipseidade repousa sobre esse contraste entre a ipseidade (ou o ser em pessoa) e o modo de ser em que se torna literalmente “ninguém”, ou seja, qualquer um, indistinguível dos outros, em que se afunda no anonimato: “O Dasein sempre se compreende a partir de sua existência, de uma possibilidade de ser ele mesmo ou de não ser ele mesmo” (§4). Qual é, então, a relação entre identidade própria e identidade? Acontece, especialmente em suas aulas, que Heidegger apresenta a ipseidade como uma forma específica de identidade (Selbigkeit e não Identität) que seria própria do Dasein e somente dele, e que diferiria do conceito usual de identidade, a identidade numérica através do tempo (Heidegger, 1985, p. 210). |
| d’identité (Selbigkeit et non pas Identität) qui serait propre au Dasein et à lui-seul et qui différerait du concept usuel d’identité, l’identité numérique à travers le temps (Heidegger, 1985, p. 210). Mais cette affirmation soulève au moins deux difficultés. D’abord, comment ce qui a été défini au §54 d’Être et temps comme un concept modal qui se rapporte au comment (quomodo, Wie) d’une « manière d’être » peut-il à présent signifier une forme d’identité et permettre de répondre à la question du qui (quis, Wer) ? D’autre part, si ce sens spécifique de l’identité n’est pas son sens logique, usuel, quel est ce sens ? La réponse que Heidegger apporte en filigrane à ces questions est que l’ipséité désigne avant tout une forme de fidélité (Treue) à soi (§75) ou d’auto-constance (Selbst-ständigkeit) qui n’est pas une simple permanence (§65). | |
| | Mas essa afirmação levanta pelo menos duas dificuldades. Primeiro, como o que foi definido no §54 de Ser e tempo como um conceito modal que se refere ao como (quomodo, Wie) do tempo (Heidegger, 1985, p. 210) pode ser considerado como um conceito modal que se refere ao como (quomodo, Wie) de si mesmo? Mas essa afirmação levanta pelo menos duas dificuldades. Primeiro, como é que o que foi definido no §54 de Ser e tempo como um conceito modal que se refere ao como (quomodo, Wie) de uma “maneira de ser” pode agora significar uma forma de identidade e permitir responder à questão do quem (quis, Wer)? Por outro lado, se esse sentido específico de identidade não é seu sentido lógico, usual, qual é esse sentido? A resposta que Heidegger traz implicitamente a essas questões é que a identidade designa, acima de tudo, uma forma de fidelidade (Treue) a si mesmo (§75) ou de auto-constância (Selbst-ständigkeit), que não é uma simples permanência (§65). |
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