estudos:rivera:cst1:4
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| + | ====== §4 ====== | ||
| + | //JRCST1// | ||
| + | **§ 4 A primazia ôntica da pergunta pelo ser** | ||
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| + | 1. O título deste parágrafo é estranho, havendo nele certa correspondência com o título do parágrafo 3, a primazia ontológica da pergunta pelo ser, título este claro, pois a pergunta pelo ser tem uma primazia sobre toda outra pergunta ontológica, | ||
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| + | 2. Quanto à primazia ôntica da pergunta pelo ser, encontra-se a resposta nas últimas linhas do parágrafo: a pergunta pelo ser não é outra coisa que a radicalização de uma essencial tendência de ser que pertence ao próprio [[lx> | ||
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| + | 3. O Dasein é, enquanto ente, isto é, onticamente, | ||
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| + | 4. O que fará este parágrafo não é senão a continuação de uma pergunta já parcialmente respondida no parágrafo 2, se algum determinado ente tem primazia na elaboração da pergunta pelo ser, isto é, se há algum ente privilegiado nesse sentido, tendo sido a resposta ali dada que elaborar a pergunta pelo ser significa fazer que um ente, o que pergunta, se torne transparente em seu ser, designando-se esse ente que somos em cada caso nós mesmos, e que, entre outras coisas, tem essa possibilidade de ser que é o perguntar, com o termo Dasein. | ||
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| + | 5. Agora, neste parágrafo, o que começou a vislumbrar-se será levado a uma luz mais plena, ainda que apenas em antecipação de análises que só serão propriamente probatórias quando levadas a cabo mais adiante, no curso da Primeira Seção. | ||
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| + | 6. A análise do modo de ser do Dasein realiza-se nos parágrafos 2 a 9, retomando-se antes, no primeiro parágrafo, o tema das ciências de que falava o parágrafo [[obra: | ||
| + | * É fundamental o parágrafo 10, no qual fica esclarecido o que se chama a primazia ôntica da pergunta pelo ser, remetendo o parágrafo 11 à tradição grega e tomista, declarando que o que aqui se diz já havia sido visto de algum modo pela filosofia clássica, voltando o parágrafo 12 ao dito antes no parágrafo 2 e no parágrafo 8 deste mesmo parágrafo 4, dizendo-se pela primeira vez que a analítica ontológica do Dasein em geral constitui a ontologia fundamental, | ||
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| + | 7. No parágrafo 2 aparece uma primeira caracterização do Dasein que é, de certo modo, a chave de todas as demais: o Dasein é um ente ao qual em seu ser lhe vai esse mesmo ser. | ||
| + | * Antes de entrar na análise do modo de ser do Dasein, afirma-se algo fundamental que poderia passar facilmente despercebido: | ||
| + | * O grave, por assim dizer, é que se atribui ao Dasein a existência, | ||
| + | * Diz-se depois que o Dasein não tem o modo de ser da Vorhandenheit, | ||
| + | * Também os demais Dasein não são conhecidos como objetos humanos, mas como algo jamais objetivável, | ||
| + | * Poder-se-ia traduzir [[lx> | ||
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| + | 8. Volta-se à segunda frase do parágrafo 2, que começa a caracterizar o Dasein em seu modo de ser real: o que o caracteriza onticamente é que a este ente lhe vai em seu ser esse mesmo ser. | ||
| + | * O ser do Dasein é de tal índole que nele está em jogo esse mesmo ser, sendo o ser do Dasein uma espécie de radical inquietude, na qual se joga esse mesmo ser, não sendo o ser do Dasein quietude, posse tranquila e assegurada de si mesmo, mas, ao contrário, insegurança, | ||
| + | * Ser desse modo é o que se deve chamar acontecer ([[lx> | ||
| + | * Isso implica que o Dasein tem em seu ser uma relação de ser com seu ser, sendo essa relação de ser um comportar-se do ser do Dasein a respeito de seu próprio ser, um comportamento óntico-ontológico: | ||
| + | * Isso quer dizer que o Dasein se compreende em seu ser de alguma maneira e com algum grau de explicitude, | ||
| + | * Nesse jogo há que saber fazê-lo, sabendo-o o Dasein, por assim dizer, a natura, por seu próprio ser, havendo em seu acontecer uma luz, uma transparência, | ||
| + | * É próprio deste ente que com e por seu ser este se encontre aberto para ele mesmo, aparecendo aqui a palavra chave do que será a Primeira Seção de Ser e tempo, erschlossen, | ||
| + | * Resumindo o anterior, diz-se em itálico que a compreensão do ser é, ela mesma, uma determinação de ser do Dasein, aparecendo agora repentinamente a compreensão do ser ([[lx> | ||
| + | * Chama a atenção nessa nota a expressão ser em total ([[lx> | ||
| + | * Conclui-se o parágrafo afirmando que a peculiaridade ôntica do Dasein consiste em que o Dasein é ontológico, | ||
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| + | 9. O parágrafo 3 explica em que sentido o Dasein é ontológico, | ||
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| + | 10. Ao começo do parágrafo 4 afirma-se que o ser mesmo a respeito do qual o Dasein se pode comportar desta ou daquela maneira se chama existência, | ||
| + | * Pergunta-se por que o Dasein tem de existir, respondendo-se que porque seu ser próprio consiste em seu [[lx> | ||
| + | * Ao contrário do que ocorre com um ente que não é Dasein, no qual é possível pensar sua essência sem que essa essência necessariamente exista, no Dasein a essência é impensável sem seu ato de ser, sem seu existir, sendo por isso o termo Dasein pura expressão de ser, sendo Dasein sempre ato de ser, nem sequer podendo ser pensado como mera potencialidade, | ||
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| + | 11. No parágrafo [[obra: | ||
| + | * Essas possibilidades com que o Dasein se encontra a cada momento ou foram escolhidas por ele mesmo em algum momento anterior, ou foi ele parar nelas de improviso, ou cresceu nelas desde sempre, pensando-se nas possibilidades de seu temperamento, | ||
| + | * A existência é decidida em cada caso apenas pelo próprio Dasein, significando isso que a existência concreta vai sendo configurada cada vez pelo próprio Dasein e apenas por ele, não podendo ninguém viver a vida de outrem em seu nome, sendo a existência não apenas compreensora de si mesma, mas também essencialmente volitiva de si mesma, sendo decidida tomando-a entre mãos ou deixando-a perder-se, o que ocorre quando se descartam certas possibilidades. | ||
| + | * Resumindo tudo o dito, afirma-se que a questão da existência há de ser resolvida sempre apenas por meio do próprio existir, explicando-se em seguida o sentido da expressão compreensão existenciária ([[lx> | ||
| + | * Onde se pergunta pela estrutura ontológica da existência, | ||
| + | * A última frase remete à constituição ôntica do Dasein como possibilitante da analítica existencial, | ||
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| + | 12. No parágrafo 6 volta-se a falar dessa existência, | ||
| + | * Ao falar de constituição de ser, pressupõe-se necessariamente a ideia do ser em geral, pressupondo por conseguinte uma analítica a fundo da existencialidade do Dasein a prévia elaboração da pergunta pelo sentido do ser em geral, demonstrando este parágrafo que o Dasein não pode compreender-se teoricamente a si mesmo se não elabora previamente essa pergunta, tendo a pergunta pelo ser primazia também na ordem ôntica, para a compreensão desse ente que é o próprio Dasein. | ||
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| + | 13. Isso não ocorre apenas em relação ao ente que é o próprio Dasein, mas também em relação a entes que podem ser outros que ele e a respeito dos quais o Dasein se comporta por meio das diferentes ciências, pertencendo essencialmente ao Dasein o estar num mundo, comportando a compreensão do ser constitutiva do Dasein a compreensão de algo como um mundo, e também a compreensão do ser do ente que se torna acessível dentro do mundo. | ||
| + | * Conclui-se que as ontologias regionais, cujo tema é o ente que não tem o caráter de ser do Dasein, estão fundadas e motivadas na estrutura do ente que é o Dasein, ente que leva em si a determinação de uma compreensão pré-ontológica do ser, significando estar fundadas que essas ontologias não poderiam existir sem um Dasein, e estar motivadas que o que faz essas ontologias importantes e dignas de ser desenvolvidas é a estrutura ôntica de ser do Dasein. | ||
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| + | 14. O parágrafo 8 mostra que a ontologia fundamental, | ||
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| + | 15. No parágrafo 9 enumeram-se os distintos sentidos em que se pode falar de uma primazia do Dasein sobre todo outro ente: em primeiro lugar, a primazia ôntica, sendo o Dasein um ente preeminente, | ||
| + | * Resume-se, na última frase, tudo o alcançado desde o parágrafo 2: o Dasein é o que deve ser interrogado com prioridade sobre todo outro ente. | ||
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| + | 16. O parágrafo 10 fala das raízes existenciárias, | ||
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| + | 17. O parágrafo 11 tem caráter histórico e remete tanto a Aristóteles quanto a Santo Tomás de Aquino, havendo em ambos certa compreensão da primazia ôntico-ontológica do Dasein. | ||
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| + | 18. O parágrafo 12 é uma espécie de resumo de todo o parágrafo 4. | ||
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| + | 19. Por último, o parágrafo 13 mostra que o Dasein leva já de algum modo em si aquilo pelo qual se pergunta na pergunta pelo ser, não sendo a pergunta pelo ser, deste modo, outra coisa que a radicalização de uma essencial tendência de ser que pertence ao próprio Dasein, isto é, da compreensão pré-ontológica do ser. | ||
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