estudos:rivera:cst1:3
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| + | ====== §3 ====== | ||
| + | //JRCST1// | ||
| + | **§ 3 A primazia ontológica da pergunta pelo ser** | ||
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| + | 1. A primazia ontológica da pergunta pelo ser significa que o desenvolvimento dessa pergunta é especialmente relevante para as ontologias regionais que se encontram na base de todas as ciências, enquanto estas são modos de descobrimento dos entes. | ||
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| + | 2. O parágrafo 3 pode dividir-se numa introdução e em duas partes, abarcando a introdução os dois primeiros parágrafos, | ||
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| + | **Introdução (parágrafos 1-2)** | ||
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| + | 3. Nesta introdução tratam-se dois temas: a necessidade de delimitar de modo suficiente a função, a intenção e os motivos da pergunta pelo ser, e a relação da pergunta atual com o visto no parágrafo 1. | ||
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| + | 4. A primeira frase resume o alcançado no parágrafo [[lx> | ||
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| + | 5. A primeira frase resume o visto no parágrafo [[lx> | ||
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| + | **Primeira parte: as ciências e seus campos de objetos. Delimitação destes pela experiência pré-científica e pelas próprias ciências (parágrafos 3-5)** | ||
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| + | 6. Deve destacar-se de modo especial a primeira frase: ser é sempre o ser de um ente, significando isso que não há ser sem ente, não sendo o ser uma esfera que flutuasse por cima dos entes e que tivesse autonomia por si mesma, o que seria justamente fazer do ser um magno ente, desbordando o ser todo ente mas, ao mesmo tempo, estando nele, diferenciando-se o ser dos entes por um movimento transcendente que os sobrepuja, mas não é sem eles. | ||
| + | * A segunda frase fala do todo do ente, não sendo o ente apenas este ou aquele ente singular, mas destacando-se, | ||
| + | * Distingue-se assim entre os diferentes setores, referentes a uma primeira diferenciação dentro do todo dos entes, distinção precientífica e espontânea que o homem faz naturalmente, | ||
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| + | 7. A investigação científica realiza primeiro, a grandes traços e de forma ingênua, a demarcação e primeira fixação das regiões essenciais, repetindo-se isso mais esclarecedoramente ao afirmar-se que a elaboração das estruturas fundamentais de cada região já foi, de certo modo, realizada pela experiência e interpretação pré-científicas do domínio de ser que define a própria região essencial. | ||
| + | * Interessa destacar que agora não se trata tanto da demarcação e primeira fixação das regiões essenciais, quanto de uma elaboração mais desenvolvida das estruturas fundamentais de cada região, precisando-se suas estruturas próprias num exame ontológico ou pré-ontológico, | ||
| + | * Quem executa essa primeira elaboração das estruturas fundamentais de cada região não é a ciência nem tampouco a filosofia, mas a experiência e interpretação pré-científica do domínio de ser que define a própria região essencial, sendo o que aqui se chama experiência o que Dilthey chamava vivência, e havendo, além dessa experiência vital, uma interpretação também vital, uma certa, ainda que não teórica, explicitação dessa experiência, | ||
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| + | 8. Fala-se, na sexta frase, dos conceitos fundamentais que dessa maneira surgem, sendo esses os que guiarão o trabalho positivo de cada uma das ciências, os fios condutores das diferentes ciências, sendo esse trabalho positivo o que o texto chama a abertura concreta da região, entenda-se, da região essencial correspondente a cada ciência. | ||
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| + | 9. Ainda que o peso da investigação tenda sempre a essa positividade, | ||
| + | * As ciências progridem não tanto ao aumentar o número de seus conhecimentos positivos, quanto ao revisar seus conceitos fundamentais, | ||
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| + | 10. É o que dirá o quarto parágrafo em suas primeiras palavras: o verdadeiro movimento das ciências se produz pela revisão mais ou menos radical, ainda que não transparente para si mesma, dos conceitos fundamentais, | ||
| + | * A revisão que as ciências fazem de seus conceitos fundamentais pode ser mais ou menos radical, dependendo do grau de profundidade da crise de princípios que experimenta determinada ciência, não podendo essa revisão, porém, ser transparente para si mesma, pois para isso a ciência teria de ser capaz, com seus próprios métodos, de determinar o ser do ente que constitui seu objeto, o que desborda absolutamente a capacidade de qualquer ciência positiva, só podendo a filosofia abordar o estudo do ser das distintas regiões essenciais estudadas pelas diferentes ciências, âmbito filosófico chamado a determinação das ontologias regionais. | ||
| + | * As frases segunda e terceira referem-se à crise que podem experimentar as ciências a respeito de seus conceitos fundamentais, | ||
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| + | 11. Examina-se o caso da matemática, | ||
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| + | **Segunda parte: a fundamentação ontológica das ciências (parágrafos 6-9)** | ||
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| + | 12. Mostra-se a necessidade de que a filosofia investigue a constituição fundamental do ser das diferentes regiões essenciais e dê às ciências um fundamento que, agora sim, será transparente para si mesmo, por ser visto e fixado por um saber cujo objeto próprio é precisamente esse. | ||
| + | * Define-se conceitos fundamentais como aquelas determinações em que a região essencial a que pertencem todos os objetos temáticos de uma ciência alcança sua compreensão preliminar, que servirá de guia a toda investigação positiva, sendo os conceitos fundamentais determinações, | ||
| + | * Essas determinações conceituais chegam a ser uma compreensão da região essencial em seus traços constitutivos, | ||
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| + | 13. A segunda frase refere-se ao modo como esses conceitos fundamentais das distintas ciências ganham sua genuína justificação, | ||
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| + | 14. A terceira frase é o eixo de toda a argumentação do parágrafo, afirmando que essa investigação preliminar, que elabora os conceitos fundamentais, | ||
| + | * A essa fundamentação filosófica prévia à ciência chama-se aqui lógica produtiva, criativa, pois cria o âmbito em que se desenvolverão as ciências, diferentemente da lógica traseira, que investiga o estado momentâneo de uma ciência em função de seu método. | ||
| + | * Dá-se como exemplo que, nas ciências históricas, | ||
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| + | 15. Este parágrafo desenvolve precisamente o que o terceiro parágrafo buscava mostrar: que a pergunta pelo sentido do ser tem primazia na ordem das ontologias regionais, sendo a investigação de que se falou uma investigação ontológica em sentido amplo, que necessita, por sua vez, de um fio condutor, sendo o perguntar ontológico certamente mais originário que o perguntar ôntico das ciências positivas, mas sendo ele mesmo ingênuo e opaco se suas investigações do ser do ente deixassem sem exame o sentido do ser em geral. | ||
| + | * A última frase fala de uma genealogia não dedutivamente construtiva das diferentes maneiras possíveis de ser, referindo-se a uma árvore genealógica, | ||
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| + | 16. A primeira frase deste parágrafo expressa justamente o visto ao final do parágrafo anterior, dizendo-o a segunda mais claramente a modo de tese: toda ontologia, por rico e solidamente articulado que seja o sistema de categorias de que dispõe, é no fundo cega e contrária a sua finalidade mais própria se não esclareceu primeiro suficientemente o sentido do ser e não compreendeu esse esclarecimento como sua tarefa fundamental. | ||
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| + | 17. O último parágrafo retoma o fio do que se vinha buscando: a pergunta pelo ser não só merece ser novamente colocada pelo fato de provir de uma venerável tradição, nem tampouco pela necessidade de aprofundar num problema até agora opaco, mas pela primazia ontológica que ela comporta, antecipando a segunda frase deste parágrafo o tema do parágrafo [[lx> | ||
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