estudos:ricoeur:tempo-relato:temporalidade-historialidade
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| + | ====== Temporalidade, | ||
| + | //RICOEUR, P. Temps et récit III. Le temps raconté. Paris: Éd. du Seuil, 1985.// | ||
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| + | **Heidegger e o conceito “vulgar” de tempo** | ||
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| + | * A leitura de O Ser e o Tempo pode ser legitimamente tratada de modo distinto em relação à obra posterior de Heidegger, desde que se respeite seu inacabamento e sua problemática própria. | ||
| + | * A advertência contra uma leitura antropológica de O Ser e o Tempo não deve intimidar, pois a própria obra busca o acesso à questão do sentido do ser pela via da analítica existencial do Dasein. | ||
| + | * A crítica heideggeriana do presente não deve ser apressadamente confundida com a crítica posterior da metafísica da presença, pois a fenomenologia do presente possui tensões próprias. | ||
| + | * A leitura autônoma de O Ser e o Tempo permite perceber, no interior da fenomenologia hermenêutica do tempo, tensões e discordâncias que iluminam as aporias anteriores sobre o tempo. | ||
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| + | **1. Uma fenomenologia hermenêutica** | ||
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| + | * O Ser e o Tempo parece dissolver as aporias agostinianas e husserlianas sobre o tempo ao deslocar o solo da investigação para a analítica existencial do Dasein. | ||
| + | * A oposição entre tempo da alma e tempo físico é superada porque o Dasein não é uma alma oposta à natureza, mas o ente para o qual está em jogo o seu próprio ser, sempre já constituído como ser-no-mundo. | ||
| + | * A questão do tempo só pode surgir depois da análise do ser-no-mundo, | ||
| + | * A espacialidade do ser-no-mundo aparece antes da temporalidade porque pertence à mundanidade e ao mundo ambiente no qual o Dasein se encontra. | ||
| + | * A aporia agostiniana da distentio animi sem suporte cosmológico parece perder sua força diante da problemática do Dasein. | ||
| + | * A oposição entre Agostinho e Aristóteles é deslocada pela analítica existencial, | ||
| + | * A aporia husserliana entre consciência íntima do tempo e tempo objetivo também parece superada pela estrutura do ser-no-mundo, | ||
| + | * A pretensão husserliana de fazer aparecer o próprio tempo é contestada pela tese heideggeriana do esquecimento do ser. | ||
| + | * A fenomenologia torna-se hermenêutica porque a dissimulação é condição primeira da mostração, | ||
| + | * A fenomenologia hermenêutica substitui o privilégio da visão pelo compreender e pela interpretação descobridora, | ||
| + | * A questão do tempo sofre em Heidegger uma estratégia de adiamento, pois só depois da analítica preparatória e dos estágios da segunda seção se alcança a primeira definição da temporalidade. | ||
| + | * O adiamento da questão do tempo não conduz ao hermetismo, pois O Ser e o Tempo realiza um trabalho de linguagem que articula estruturas, existentiais e modos de explicitação. | ||
| + | * A interpretação, | ||
| + | * A fenomenologia hermenêutica heideggeriana oferece uma nova compreensão do tempo em relação a Agostinho e Husserl, embora ao preço de dificuldades mais elevadas. | ||
| + | * Três descobertas decisivas são atribuídas a Heidegger: a ligação do tempo total ao Cuidado (Sorge), a unidade ekstática de futuro, passado e presente, e a hierarquia dos níveis de temporalização como temporalidade, | ||
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| + | **2. Cuidado e temporalidade** | ||
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| + | * A estrutura autêntica do tempo é vinculada ao Cuidado (Sorge), que reúne projeção, ser-lançado, | ||
| + | * A questão da temporalidade entra pela questão da possibilidade de ser-um-todo, | ||
| + | * A unidade do tempo não pode ser articulada a partir do presente, pois este é, para Heidegger, a modalidade temporal mais próxima das formas decaídas da preocupação cotidiana. | ||
| + | * O segredo da completude do Cuidado deve ser buscado no ser-para-o-fim, | ||
| + | * A morte constitui, para Heidegger, a possibilidade em que o Dasein encontra sua totalidade, pois o morrer pertence ao próprio poder-ser. | ||
| + | * A ligação entre ser-um-todo e ser-para-a-morte introduz a interferência inevitável entre o existencial e o existenciário na analítica do Dasein. | ||
| + | * O existenciário concerne ao modo concreto de ser-no-mundo, | ||
| + | * A distinção entre existencial e existenciário é obscurecida pela oposição entre autenticidade e inautenticidade e pela busca do originário. | ||
| + | * A fenomenologia hermenêutica precisa atestar existenciariamente seus conceitos existenciais, | ||
| + | * A análise da primeira seção permanece ligada à cotidianidade média e, por isso, precisa de uma nova atestação de autenticidade. | ||
| + | * A consciência moral (Gewissen) fornece a atestação do poder-ser autêntico, fazendo ouvir o chamado silencioso de si a si mesmo. | ||
| + | * A análise da consciência moral e da resolução é indispensável para autenticar o ser-para-a-morte diante do falatório cotidiano sobre a morte. | ||
| + | * A temporalidade torna-se acessível apenas na junção entre o originário, | ||
| + | * A estratégia heideggeriana do adiamento opõe-se ao atalho husserliano, | ||
| + | * A repetição das análises da primeira seção em chave temporal confirma o poder constitutivo da temporalidade e prepara a compreensão dos modos derivados. | ||
| + | * O preço dessa estratégia é a indistinção entre existencial e existenciário, | ||
| + | * A resolução diante da morte pode refletir uma configuração ética marcada por certo estoicismo, não sendo a única interpretação possível da finitude. | ||
| + | * A identificação da morte como possibilidade mais própria pode ser contestada por análises que a entendem como interrupção do poder-ser, e não como sua realização extrema. | ||
| + | * A primazia concedida ao ser-para-a-morte pode repercutir sobre a hierarquia entre temporalidade, | ||
| + | * A noção de tempo corre o risco de se dispersar entre tempo mortal, tempo histórico e tempo cósmico, reabrindo aporias próximas às de Agostinho e Husserl. | ||
| + | * Retirar da mortalidade o privilégio exclusivo da radicalidade permite devolver ao poder-ser do Cuidado sua pureza como ser-adiante-de-si. | ||
| + | * O ser-lançado é revelado tanto pelo nascimento quanto pela morte, e a decadência é atestada tanto pelas promessas não cumpridas quanto pela fuga diante da morte. | ||
| + | * A Schuld, entendida como dívida, culpa e responsabilidade, | ||
| + | * Há mais de uma maneira existenciária de receber a fórmula existencial da temporalidade como resolução antecipadora ligada ao ser-um-todo autêntico do Dasein. | ||
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| + | **3. A temporalização: | ||
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| + | * A temporalidade só é tratada tematicamente nos parágrafos finais do capítulo III da segunda seção, quando Heidegger busca o sentido do Cuidado. | ||
| + | * Heidegger pretende ir além do tríplice presente de Agostinho e da retenção-protenção de Husserl, buscando no Cuidado o princípio de pluralização do tempo. | ||
| + | * O deslocamento para o Cuidado promove o futuro à posição antes ocupada pelo presente e reorganiza inteiramente as relações entre futuro, passado e presente. | ||
| + | * A questão do sentido do Cuidado pertence à compreensão e à interpretação, | ||
| + | * A temporalidade funciona como aquilo que torna possível a unidade da existência, | ||
| + | * A possibilitação heideggeriana difere da condição kantiana porque é o próprio Cuidado que possibilita a experiência humana. | ||
| + | * O primado do futuro aparece no movimento do Dasein que advém a si mesmo segundo suas possibilidades mais próprias. | ||
| + | * O à-venir (Zukunft) deve ser pensado verbal e adverbialmente como advir-a-si, e não como simples substantivo “futuro”. | ||
| + | * A antecipação torna o Dasein autenticamente por-vir, pois ele advém a si mesmo no seu próprio ser. | ||
| + | * O passado é implicado pelo futuro porque a resolução antecipadora inclui a assunção da culpa, da responsabilidade e da derrelição. | ||
| + | * O ter-sido não é o passado das coisas passadas, mas o modo pelo qual o Dasein assume aquilo que já era. | ||
| + | * O Dasein autenticamente por-vir é também autenticamente tendo-sido, pois o retorno sobre si pertence à responsabilidade. | ||
| + | * O presente é a dimensão cuja autenticidade permanece mais dissimulada, | ||
| + | * O presente deve ser repensado existencialmente como apresentar ou tornar-presente, | ||
| + | * A resolução torna-se aquilo que é ao deixar-se encontrar pelo que só se apreende agindo. | ||
| + | * A temporalidade é a unidade articulada de por-vir, ter-sido e tornar-presente. | ||
| + | * A temporalidade não é um ente, mas temporaliza-se. | ||
| + | * A triplicidade interna da temporalidade permanece opaca, pois as expressões adverbiais do por-vir, do já-ter-sido e do estar-junto dispersam internamente a unidade. | ||
| + | * A temporalidade é o fora-de-si originário, | ||
| + | * A distentio animi reaparece sob nova forma, embora o presente já não seja seu suporte. | ||
| + | * A exteriorização originária da temporalidade prepara a possibilidade de todas as exteriorizações posteriores e do nivelamento que constituirá o conceito vulgar de tempo. | ||
| + | * A derivação dos modos menos autênticos pode ocultar uma circularidade, | ||
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| + | **4. A historialidade (Geschichtlichkeit)** | ||
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| + | * A distinção entre temporalidade, | ||
| + | * A questão da historialidade surge porque falta à temporalidade o traço do estiramento entre nascimento e morte. | ||
| + | * A vida deve ser pensada como entre-nascer-e-morrer, | ||
| + | * A coesão da vida, a mutabilidade e a constância de si só recebem dignidade ontológica quando relacionadas ao Cuidado. | ||
| + | * O Dasein não preenche um intervalo de tempo; ele constitui seu ser como estiramento que envolve seu começo e seu fim. | ||
| + | * O verbo Geschehen é renovado para exprimir a operação historializante do Dasein e preparar a passagem para a questão da história. | ||
| + | * A questão decisiva é saber se se pensa historicamente porque há ciência historiográfica ou porque o Dasein se historializa. | ||
| + | * A derivação da historialidade a partir da temporalidade não é de mão única. | ||
| + | * A historialidade deve sua dignidade ontológica à temporalidade, | ||
| + | * A historialidade acrescenta à temporalidade uma dimensão nova e cooriginária, | ||
| + | * A questão da constância de si impõe-se quando a resolução, | ||
| + | * A historialidade enriquece a temporalidade com traços que serão decisivos para compreender a relação entre ontologia da historialidade e epistemologia da historiografia. | ||
| + | * A análise da historialidade deve resistir à tendência de pensar a história como fenômeno público e como retrospecção pura. | ||
| + | * Heidegger privilegia a historialidade de cada Dasein de fato em relação à história do mundo, pois cada Dasein tem sua história porque seu ser é constituído pela historialidade. | ||
| + | * O primado do futuro precisa ser repensado no nível da historialidade, | ||
| + | * A resolução antecipadora retoma potencialidades herdadas que estavam reservadas na derrelição. | ||
| + | * O conceito de herança designa um conjunto de possibilidades não escolhidas e não coercitivas, | ||
| + | * A herança transmitida e assumida permite compreender como o retorno ao passado procede de uma resolução voltada para o futuro. | ||
| + | * Destino (Schicksal), | ||
| + | * O destino reforça inicialmente o caráter monádico da análise, pois o Dasein transmite e recebe de si mesmo uma herança de possibilidades. | ||
| + | * No destino, constrangimento e escolha se confundem sob a luz do ser-para-a-morte. | ||
| + | * A transmissão de uma herança de si para si é problemática, | ||
| + | * A passagem de uma historialidade singular para uma história comum exige a noção de Geschick, ou destinação comum. | ||
| + | * A destinação comum só se torna inteligível pelo recurso ao Mitsein (ser-com), embora O Ser e o Tempo tenha enfatizado sobretudo as formas decaídas do “se” ou do “a gente”. | ||
| + | * O Mitsein permite juntar co-historialidade e historialidade, | ||
| + | * A análise da historialidade parte do estiramento, | ||
| + | * O contraste entre estiramento e repetição retoma a dialética augustiniana entre distentio e intentio, isto é, entre discordância e concordância. | ||
| + | * A repetição designa o processo pelo qual antecipação do futuro, retomada da derrelição e instante ajustado ao seu tempo recompõem sua unidade. | ||
| + | * A repetição transmite explicitamente as possibilidades do Dasein tendo-sido. | ||
| + | * A repetição reabre no passado potencialidades despercebidas, | ||
| + | * A repetição preserva o primado do futuro ao mesmo tempo que desloca a análise para o ter-sido. | ||
| + | * A repetição pode tornar-se réplica e até revogação da dominação do passado sobre o presente. | ||
| + | * A repetição sela a temporalidade de herança, transmissão, | ||
| + | * A passagem da historialidade à intratemporalidade exige antes enfrentar a questão da historiografia e das ciências humanas diante da análise existencial da historialidade. | ||
| + | * A epistemologia das ciências humanas, representada por Dilthey, é criticada por usar um conceito não fundado de passado, desligado do ter-sido da historialidade. | ||
| + | * Compreender o histórico, no sentido das ciências humanas, exige antes compreender o historial, no sentido hermenêutico. | ||
| + | * O passado histórico apresenta o paradoxo de já não ser e, ainda assim, agir sobre o presente por meio de restos, ruínas e vestígios. | ||
| + | * Os restos do passado só se tornam objetos históricos para um ente que já possui sentido da historialidade. | ||
| + | * A solução heideggeriana consiste em afirmar que o que não é mais é o mundo ao qual os restos pertenceram. | ||
| + | * A distinção entre passado (vergangen) e tendo-sido (da-gewesen) permite a Heidegger remeter os restos históricos ao mundo de um Dasein que foi. | ||
| + | * A historiografia talvez não encontre aí seu fundamento, mas veja seus próprios problemas evacuados. | ||
| + | * A problemática da trace é deixada de lado quando se ignora que a remontada ao passado se apoia na persistência física de uma marca. | ||
| + | * A prioridade ontológica da historialidade sobre a historiografia só seria convincente se a historiografia fosse efetivamente derivada da historialidade. | ||
| + | * A repetição das possibilidades herdadas por cada um não parece bastar para igualar a amplitude do passado histórico. | ||
| + | * A extensão da historialidade à co-historialidade oferece base mais ampla, mas não resolve o hiato entre ter-sido e passado indicado pela trace. | ||
| + | * A dificuldade é atenuada quando a proveniência das formas derivadas é pensada como enriquecimento de sentido e não como simples perda. | ||
| + | * O retorno da mundanidade no fim da analítica da temporalidade mostra que a temporalidade mortal do Cuidado precisa novamente do polo mundo do ser-no-mundo. | ||
| + | * A subordinação da historiografia à historialidade não esclarece suficientemente a passagem do ter-sido ao passado histórico. | ||
| + | * A historicização dos utensílios, | ||
| + | * A questão permanece saber se é possível interrogar a origem existencial da historiografia sem percorrer nos dois sentidos o caminho entre historialidade e história científica. | ||
| + | |||
| + | **5. A intratemporalidade (Innerzeitigkeit)** | ||
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| + | * A intratemporalidade completa a temporalidade e a historialidade ao pensar as experiências em que o tempo aparece como aquilo “em que” os acontecimentos ocorrem. | ||
| + | * O capítulo sobre temporalidade e intratemporalidade coloca Heidegger diante da questão de derivar o tempo no qual se contam acontecimentos e de explicar a origem do conceito vulgar de tempo. | ||
| + | * A problemática da intratemporalidade decide se as dualidades entre tempo da alma e tempo cósmico, ou entre tempo fenomenológico e tempo objetivo, foram de fato superadas pela analítica do Dasein. | ||
| + | * A expressão “contar com o tempo” marca tanto a dependência da intratemporalidade em relação à temporalidade fundamental quanto a novidade que conduz ao cálculo. | ||
| + | * A intratemporalidade revela o tempo do mundo e desloca a atenção para as coisas encontradas no mundo como dadas e manejáveis. | ||
| + | * A análise do tempo precisa recordar que o Dasein existe junto às coisas do mundo e com os outros. | ||
| + | * O ser-junto às coisas reabilita a condição de ser-lançado e a passividade fundamental da compreensão situada. | ||
| + | * A preocupação cotidiana faz predominar a ek-stase do presente, entendido como tornar-presente. | ||
| + | * Heidegger chega ao presente pelo caminho da preocupação, | ||
| + | * No nível da preocupação, | ||
| + | * A databilidade mostra que o tempo é sempre articulado em relação a um agora prático, vinculado ao que deve ser feito, esperado ou recordado. | ||
| + | * O tempo com que se conta não é inicialmente uma série abstrata de instantes, mas uma rede de ocasiões significativas para a preocupação. | ||
| + | * A intratemporalidade introduz lapsos, prazos, urgências, atrasos e momentos oportunos, dando ao tempo uma feição pública e prática. | ||
| + | * A publicidade do tempo deriva do ser-com, pois o tempo do mundo é aquele em que se coordenam ocupações comuns. | ||
| + | * O calendário e o relógio transformam o tempo público em tempo medido, mas essa transformação conserva traços de sua proveniência existencial. | ||
| + | * A medição do tempo surge da necessidade prática de contar com os ritmos do mundo, especialmente os movimentos celestes e os ciclos naturais. | ||
| + | * A intratemporalidade prepara a noção de tempo vulgar quando o tempo passa a ser entendido como série de “agoras” disponíveis para contagem. | ||
| + | * O nivelamento consiste em apagar a proveniência existencial da databilidade, | ||
| + | * O conceito vulgar de tempo nasce quando o tempo do mundo é interpretado como sequência infinita, irreversível e mensurável de instantes. | ||
| + | * A derivação heideggeriana do conceito vulgar de tempo é problemática porque o tempo cósmico resiste a ser engendrado a partir da temporalidade do Cuidado. | ||
| + | * O tempo físico e astronômico possui autonomia que impede reduzi-lo a uma decadência ou nivelamento da temporalidade originária. | ||
| + | * As ciências da natureza ampliaram extraordinariamente a escala do tempo ao descobrir histórias da Terra, da vida e do cosmos. | ||
| + | * A geologia, a paleontologia, | ||
| + | * A noção de “história natural” deve ser usada com cautela, pois a história humana depende de ação e narrativa, enquanto a natureza envolve mudança, evolução e processos. | ||
| + | * A analogia entre testemunho humano e “testemunho” dos vestígios naturais só vale no modo de prova, não na estrutura narrativa da ação. | ||
| + | * O tempo da natureza é um tempo sem presente, enquanto o tempo fenomenológico é um tempo com presente. | ||
| + | * A distinção entre instante qualquer e presente autorreferencial funda a diferença entre antes/ | ||
| + | * A autonomia do tempo do movimento constitui a última aporia da fenomenologia do tempo. | ||
| + | * O fracasso da gênese heideggeriana do conceito vulgar de tempo não é estéril, pois leva a aporicidade da temporalidade ao seu ponto máximo. | ||
| + | * O conceito vulgar de tempo exerce atração e repulsão sobre a análise existencial, | ||
| + | * A análise da historialidade e da intratemporalidade tenta enriquecer a temporalidade do Cuidado com traços cada vez mais mundanos para aproximá-la do tempo-sucessão. | ||
| + | * Há empiétement entre os discursos fenomenológico e cosmológico, | ||
| + | * A contaminação aparece na intratemporalidade, | ||
| + | * A contrariedade aparece entre a finitude do tempo mortal e a infinitude do tempo cósmico, retomando a antiga sabedoria sobre o contraste entre o tempo que permanece e nós que passamos. | ||
| + | * O tempo cosmológico pode tanto consolar pela afinidade entre o ser-lançado e o mundo quanto desolar pelo contraste entre a fragilidade da vida e a potência destruidora do tempo. | ||
| + | * A proveniência entre os níveis temporais não é simples perda de autenticidade, | ||
| + | * A oposição entre tempo mortal e tempo cósmico atravessa a análise heideggeriana e a torna mais aporética. | ||
| + | * A ordem dos níveis temporais pode ser invertida, pois a intratemporalidade é pressuposta pela historialidade e a publicidade da linguagem precede até as formas mais íntimas do ser-para-a-morte. | ||
| + | * A fenomenologia hermenêutica suscita uma dispersão interna das figuras do tempo: tempo mortal, tempo histórico e tempo cósmico. | ||
| + | * A cooriginariedade dos níveis de temporalização enfraquece a prioridade exclusiva do futuro, pois futuro, passado e presente predominam alternadamente nos diferentes níveis. | ||
| + | * O debate entre Agostinho, que parte do presente, e Heidegger, que parte do futuro, perde parte de sua força diante da pluralidade das funções temporais. | ||
| + | * A diferenciação entre temporalidade, | ||
| + | * A historialidade ocupa posição mediadora entre temporalidade fundamental e intratemporalidade, | ||
| + | * A história pode ser pensada como zona de fratura entre tempo fenomenológico e tempo astronômico, | ||
| + | * A história manifesta tanto contaminações entre databilidade e calendário quanto contrariedades entre memorial dos mortos e investigação das instituições e estruturas. | ||
| + | * A posição do tempo histórico entre tempo mortal e tempo cósmico torna-se problemática quando se questiona a continuidade da análise existencial. | ||
| + | * A historialidade pode ser entendida como ponte, no interior do campo fenomenológico, | ||
| + | * A conversa entre historiografia, | ||
| + | * A fenomenologia do tempo torna-se interlocutora privilegiada da historiografia e da narratologia não apenas por suas descobertas, | ||
| + | * A oposição entre Aristóteles e Agostinho, Kant e Husserl, e Heidegger e o conceito vulgar de tempo conduz a um processo mais amplo da própria reflexão especulativa sobre o tempo. | ||
| + | * Não se pode pensar o tempo cosmológico do instante sem reintroduzir sub-repticiamente o tempo fenomenológico do presente, nem pensar o presente sem relação com o instante. | ||
| + | * A aporia final recoloca a fenomenologia no grande curso da pensamento reflexivo e especulativo, | ||
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