estudos:ricoeur:tempo-relato:passado
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| + | ====== Passado histórico ====== | ||
| + | //RICOEUR, Paul. Temps et récit III. Paris: Éd. du Seuil, 1985.// | ||
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| + | **A realidade do passado histórico** | ||
| + | * Esta nova etapa da investigação sobre a refiguração do tempo por referência cruzada faz convergir a função de representância que o conhecimento histórico exerce a respeito do passado " | ||
| + | * A questão embaraçosa de saber o que significa dizer que algo " | ||
| + | * Retomando a noção de traço, propõe-se, com Karl Heussi, pensar o passado como o " | ||
| + | * Para articular essa dívida sentida em conceito, propõe-se transpor à questão a dialética platônica dos grandes gêneros do Sofista, retendo os três gêneros do Mesmo, do Outro e do Análogo, cada qual representado por tentativas respeitáveis de filosofia da história, cuja insuficiência unilateral impulsiona a passagem de um a outro. | ||
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| + | **Sob o signo do Mesmo: a " | ||
| + | * A primeira maneira de pensar a passeidade do passado consiste em suprimir a distância temporal, concebendo a operação histórica como uma de-distanciação identificadora, | ||
| + | * Essa concepção identitária requer três passos: dissociar a face " | ||
| + | * Essa interpretação maximalista suscita objeções decisivas: o historiador acabaria por conhecer apenas seu próprio pensamento sobre o passado, e não o passado alheio, pois a identidade da reflexão não pode dar conta da alteridade da repetição; | ||
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| + | **Sob o signo do Outro: uma ontologia negativa do passado?** | ||
| + | * Em sentido inverso, vários historiadores veem na história uma confissão da alteridade, uma restituição da distância temporal, levada por vezes até um exotismo temporal, ainda que poucos tenham teorizado essa primazia do Outro. | ||
| + | * O modelo do outrem, herdado de Dilthey, funda as ciências do espírito na capacidade de se transportar para uma vida psíquica estranha por meio de signos expressivos, | ||
| + | * A noção de diferença admite dois usos distintos: em Paul Veyne, no Inventaire des différences, | ||
| + | * Michel de Certeau leva mais longe a ontologia negativa do passado ao interrogar o lugar social não dito da operação historiadora, | ||
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| + | **Sob o signo do Análogo: uma abordagem tropológica? | ||
| + | * As duas tentativas anteriores não são vãs, podendo ser conjugadas sob um terceiro grande gênero que associa Mesmo e Outro — o Semelhante, ou melhor, o Análogo, semelhança entre relações mais que entre termos simples —, sugerido pelas expressões recorrentes do tipo "tal como" que povoam o discurso historiográfico, | ||
| + | * Hayden White, em Metahistory e Tropics of Discourse, completa sua teoria da mise en intriga (emplotment) com uma teoria dos tropos — metáfora, metonímia, sinédoque, ironia —, sendo a prefiguração tropológica do campo histórico o que permite à história desenhar itinerários possíveis e dar contorno a objetos de conhecimento antes de qualquer explicação propriamente dita, constituindo assim a estrutura profunda da imaginação histórica. | ||
| + | * A retórica governa a descrição do campo histórico como a lógica governa a explicação por mise en intriga, não havendo entre o relato e o curso dos eventos uma relação de reprodução ou equivalência, | ||
| + | * Essa contribuição decisiva de White ao terceiro momento dialético — o Análogo — corre, contudo, o risco de apagar a fronteira entre ficção e história se isolada dos outros dois grandes gêneros e da coação exercida pelo Gegenüber do evento passado, sendo necessário restabelecer o primado da visada referencial que atravessa a " | ||
| + | * A chave do problema reside no funcionamento não apenas retórico, mas ontológico, | ||
| + | * O Análogo não opera isoladamente, | ||
| + | * Essa análise da representância retoma, pelo viés do " | ||
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