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| + | ====== a alteridade de outro (1990: | ||
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| + | //Data: 2025-10-30 06:42// | ||
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| + | ==== Soi-même comme un autre ==== | ||
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| + | === Vers quelle ontologie? === | ||
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| + | * A segunda significação que reveste a meta-categoria de alteridade – a alteridade de outrem – e sua estreita conexão às modalidades de passividade | ||
| + | * A modalidade de passividade que a hermenêutica fenomenológica do si mesmo tem cruzado ao longo dos estudos precedentes quanto ao referir-se do si ao outro que si | ||
| + | * A nova dialética do Mesmo e do Outro suscitada por esta hermenêutica que atesta que o Outro não é somente a contrapartida do Mesmo, mas pertence à constituição íntima do seu sentido | ||
| + | * As maneiras múltiplas em que o outro que si afeta a compreensão de si por si no plano propriamente fenomenológico | ||
| + | * A marcação da diferença entre o ego que se põe e o si que só se reconhece através destas afeções mesmas, que afetam a compreensão de si por si | ||
| + | |||
| + | * A presença da passividade específica do si afetado pelo outro que si em todas as análises | ||
| + | * O plano linguístico e a interlocução | ||
| + | * A designação por si do locutor aparecendo entranhada à interlocução, | ||
| + | * A escuta da palavra recebida fazendo parte integrante do discurso enquanto ele mesmo é endereçado a... | ||
| + | * O plano da ação e a autodeterminação do agente | ||
| + | * A autodeterminação do agente da ação aparecendo inseparável da designação por um outro, que me designa ao acusativo como o autor de minhas ações, na segunda fase do trabalho | ||
| + | * O entranhamento da retomada reflexiva deste ser-afetado pela designação pronunciada por outrem à designação íntima da ação a si mesmo, neste intercâmbio entre designação à segunda pessoa e autodeterminação | ||
| + | * A expressão deste entranhamento no plano gramatical pelo caráter onipessoal do si que circula entre todos os pronomes | ||
| + | * A afeção do si pelo outro que si como o suporte deste intercâmbio regrado entre as pessoas gramaticais | ||
| + | * O plano narrativo e a assunção dos papéis pelo leitor | ||
| + | * O mesmo intercâmbio entre o si afetado e o outro afetante regendo no plano narrativo a assunção pelo leitor do relato dos papéis exercidos por personagens o mais frequentemente construídos em terceira pessoa, na medida em que são postos em intriga ao mesmo tempo que a ação narrada | ||
| + | * A leitura constituindo um lugar e um elo privilegiados de afeção do sujeito lendo, enquanto meio onde se opera a transferência do mundo do relato – e, portanto, também do mundo dos personagens literários – ao mundo do leitor | ||
| + | * A catarse do leitor só se operando se procede de uma aisthesis prévia, que o confronto do leitor com o texto transforma em poiesis, segundo a estética da recepção de H. R. Jauss, retomando livremente algumas categorias | ||
| + | * A afeção do si pelo outro que si encontrando na ficção um meio privilegiado para experiências de pensamento que as relações reais de interlocução e de interação não saberiam ofuscar | ||
| + | * A contribuição da recepção das obras de ficção à constituição imaginária e simbólica dos intercâmbios efetivos de palavra e de ação | ||
| + | * A incorporação do ser-afetado no modo fictício ao ser-afetado do si no modo real | ||
| + | * O plano ético e moral: a afeção de si pelo outro | ||
| + | * A afeção de si pelo outro revestindo os traços específicos que concernem tanto o plano propriamente ético quanto o plano moral marcado pela obrigação, | ||
| + | * A concepção da definição mesma da ética – bem viver com e para outrem em instituições justas – não se concebendo sem a afeção do projeto de bem-viver pela solicitude ao mesmo tempo exercida e recebida | ||
| + | * A dialética da estima de si e da amizade podendo ser inteiramente reescrita nos termos de uma dialética da ação e da afeção, antes mesmo de toda consideração levando sobre a justiça dos intercâmbios | ||
| + | * O ser amigo de si – segundo a philautia aristotélica – requerendo já ter entrado em uma relação de amizade com outrem, como se a amizade para consigo mesmo fosse uma auto-afeção rigorosamente correlativa da afeção por e para o amigo outro | ||
| + | * A amizade fazendo o leito da justiça, enquanto virtude para outrem, segundo outro dito de Aristóteles | ||
| + | * O passo da ética à moral – do optativo do bem-viver ao imperativo da obrigação – operado, no estudo seguinte, sob o signo da Regra de Ouro | ||
| + | * O mérito da Regra de Ouro de fazer intervir o comando na juntura mesma da relação assimétrica entre o fazer e o sofrer: o bem que quererias que te fosse feito, o mal que odiarias que te fosse feito | ||
| + | * O agir e o padecer parecendo assim ser distribuídos entre dois protagonistas diferentes: o agente e o paciente, este último aparecendo como a vítima potencial do primeiro | ||
| + | * O agente sendo o paciente do outro, em virtude da reversibilidade dos papéis | ||
| + | * O paciente sendo investido da responsabilidade de uma ação de entrada colocada sob a regra de reciprocidade, | ||
| + | * A cumulação em cada protagonista dos papéis de agente e de paciente fazendo com que o formalismo do imperativo categórico requeira a matéria de uma pluralidade de agentes afetados cada um por uma violência reciprocamente exercida | ||
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| + | * A questão da nova figura da alteridade e da dialética do Mesmo e do Outro | ||
| + | * A figura nova da alteridade convocada por esta afeção do ipse pelo outro que si | ||
| + | * A dialética do Mesmo e do Outro que responde ao requisito de uma fenomenologia do si afetado pelo outro que si | ||
| + | * A impossibilidade de construir de forma unilateral esta dialética, quer se tente com Husserl de derivar o alter ego do ego, quer se reserve com E. Levinas ao Outro a iniciativa exclusiva da designação do si à responsabilidade | ||
| + | * A concepção cruzada da alteridade que resta a conceber, que renda justiça alternadamente ao primado da estima de si e ao da convocação pelo outro à justiça | ||
| + | * O desafio de uma formulação da alteridade que seja homogênea à distinção fundamental entre duas ideias do Mesmo, o Mesmo como idem, e o Mesmo como ipse, distinção sobre a qual se tem fundado toda a filosofia da ipseidade | ||
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| + | * A Fenomenologia do Alter Ego segundo Edmund Husserl | ||
| + | * O exame da quinta Meditação Cartesiana e a redução à esfera do próprio | ||
| + | * A recusa de retomar o exame da quinta Meditação Cartesiana, ao ponto onde a deixamos com a redução à esfera do próprio, sem nos termos, ao de antemão, inquietado de saber se a redução ao próprio se deixa pensar não dialeticamente, | ||
| + | * O saber comum e a suspensão filosófica, | ||
| + | * O objetivo de discernir o que, nesta experiência reduzida à esfera do próprio, requer a posição de outrem como posição também apodítica quanto a sua, na Meditação Cartesiana | ||
| + | * O movimento de pensamento todo a feito comparável ao dúvida hiperbólico de Descartes, salvo que não se apoia na hipótese de nenhum gênio maligno | ||
| + | * O movimento consistindo em um ato filosófico da família dos atos fundadores, estrangeiro a toda suspeição quotidiana | ||
| + | * A epochè praticada aqui por Husserl, no interior da epochè geral que inaugura a fenomenologia, | ||
| + | * A esfera do próprio inteiramente tributária, | ||
| + | * A única via que resta aberta de constituir o sentido outrem em (in) e a partir (aus) do sentido eu | ||
| + | * O fracasso da constituição de outrem e a descoberta | ||
| + | * O fracasso da constituição de outrem, enquanto constituição concernente à ambição de fundação característica de uma fenomenologia transcendental de caráter ultimamente egológico, tendo sido a ocasião de uma autêntica descoberta | ||
| + | * A descoberta paralela e coordenada à diferença entre carne e corpo, a saber, a do caráter paradoxal do modo de doação de outrem | ||
| + | * As intencionalidades que visam outrem enquanto estrangeiro, | ||
| + | * O nome de apresentação dado por Husserl a esta doação, para dizer que, à diferença da representação por signo ou por imagem, a doação de outrem é uma autêntica doação | ||
| + | * A doação de outrem, à diferença da doação originária, | ||
| + | * O afastamento que não pode ser preenchido entre a apresentação de meu vivido e a apresentação de teu vivido | ||
| + | * O traço positivo e a verdadeira descoberta: a transferência aperceptiva | ||
| + | * A apresentação consistindo em uma " | ||
| + | * O pareamento (Paarung) como a apreensão do corpo lá-longe como carne, ou a formação em casal de uma carne com a outra | ||
| + | * A necessidade de um ego encarnado, isto é, um ego que é seu próprio corpo, para fazer casal com a carne de um outro ego | ||
| + | * A apresentação combinando de forma única similitude e dissimetria | ||
| + | * A transgressão do programa mesmo da fenomenologia pela transferência analógica que aponta Husserl, em sua dimensão gnoseológica, | ||
| + | * A transferência de sentido não criando a alteridade, sempre pressuposta, | ||
| + | * A semelhança fundada sobre o pareamento de carne a carne vindo reduzir uma distância, preencher um afastamento, | ||
| + | * A transferência de sentido podendo revestir a forma de uma citação, em virtude da qual "ele pensa", | ||
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| + | * A Filosofia da Alteridade Radical segundo Emmanuel Levinas | ||
| + | * O recruzamento do movimento analógico de mim a outrem com o movimento inverso de outrem a mim | ||
| + | * O movimento de outrem para mim incansavelmente esboçado pela obra de E. Levinas | ||
| + | * A ruptura na obra de E. Levinas, dirigida contra uma concepção da identidade do Mesmo, à qual é polarmente oposta a alteridade do Outro, a um plano de radicalidade onde a distinção entre idem e ipse não pode ser tomada em conta | ||
| + | * A filosofia de E. Levinas se articulando em um plano onde a identidade do Mesmo tem parte ligada com uma ontologia da totalidade, não assumida nem encontrada pela investigação anterior | ||
| + | * A identidade do Mesmo significando totalização e separação, | ||
| + | * A pretensão que habita o eu, mais radical que a que anima a ambição fichteana, depois husserliana, | ||
| + | * A pretensão exprimindo uma vontade de fechamento, mais exatamente um estado de separação, | ||
| + | * A crítica à fenomenologia e à intencionalidade de Husserl, que concernem a uma filosofia da representação, | ||
| + | * A representação assimilando algo a si, incluindo-o em si, e, portanto, negando-lhe a alteridade, não escapando a este reino a transferência analógica | ||
| + | * A testificação do outro se dando sob um regime de pensamento não gnoseológico: | ||
| + | * O rosto de outrem se elevando face a mim, acima de mim, não sendo um aparecer que eu possa incluir na cerca de minhas representações minhas | ||
| + | * O rosto não sendo um espetáculo, | ||
| + | * O movimento partido do outro acabando sua trajetória em mim, constituindo-me responsável, | ||
| + | * A palavra do outro se colocando na origem da palavra pela qual eu me imputo a mim mesmo a origem de meus atos, inscrevendo a auto-imputação em uma estrutura dialogal assimétrica cuja origem é exterior a mim | ||
| + | * O efeito de ruptura atado a esta filosofia da alteridade ab-soluta procedendo de um uso da hipérbole, digno do dúvida hiperbólico cartesiano | ||
| + | * A hipérbole aparecendo como a prática sistemática do excesso na argumentação filosófica e como a estratégia apropriada à produção do efeito de ruptura atado à ideia de exterioridade no sentido de alteridade absoluta | ||
| + | * A hipérbole atingindo simultaneamente os dois polos do Mesmo e do Outro, pondo Totalidade e Infinito um eu entregue à vontade de fazer círculo consigo mesmo, de se identificar | ||
| + | * O eu de antes da fração do eu pelo outro sendo um eu obstinadamente fechado, trancado, separado | ||
| + | * O tema da separação, | ||
| + | * A hipérbole da epifania do lado do Outro, respondendo à hipérbole da separação, | ||
| + | * O aparecer do rosto se subtraindo à visão das formas e mesmo à escuta sensível das vozes, porque o Outro, segundo Totalidade e Infinito, não é um interlocutor qualquer, mas uma figura paradigmática do tipo de um mestre de justiça | ||
| + | * A asserção hiperbólica de que a palavra é " | ||
| + | * O eu sendo alcançado pela injunção e tornado capaz de responder ao acusativo, em que a iniciativa cabendo integralmente ao Outro, o eu responde ao acusativo ainda: " | ||
| + | * A hipérbole culminando na afirmação de que a instrução pelo rosto não restaura nenhum primado da relação sobre os termos, não atenuando a inteira dissimetria entre o Mesmo e o Outro | ||
| + | * Além de ser ou além da essência sobrepujando a hipérbole até lhe dar um tom paroxístico, | ||
| + | * A designação à responsabilidade adotando o tom da hipérbole, em um registro de excesso ainda não alcançado, enquanto desdizer, subtraindo-se ao linguagem da manifestação | ||
| + | * A designação à responsabilidade reportada a um passado mais velho que todo passado rememorável, | ||
| + | * A hipérbole alcançando o paroxismo na afirmação de que "sob a acusação de todos, a responsabilidade por todos vai até a substituição. O sujeito é refém" | ||
| + | * O ponto paroxístico da obra sendo atingido pela expressão da substituição, | ||
| + | * A hipérbole conduzindo à hipótese extrema de que o Outro não é mais o mestre de justiça, mas o ofensor, o qual não requer menos o gesto que perdoa e que expia | ||
| + | * O abismo cavado entre alteridade e identidade só sendo transposto aqui: "É preciso falar aqui de expiação, como reunindo identidade e alteridade" | ||
| + | * A hipérbole da separação, | ||
| + | * O tema da separação tornando impensável a distinção entre si e eu, e a formação de um conceito de ipseidade definido por sua abertura e sua função desvendadora | ||
| + | * A capacidade de acolhimento, | ||
| + | * A questão da capacidade de discernimento e de reconhecimento do si, tendo em conta que a alteridade do Outro não se deixa resumir na figura do mestre que ensina, mas deve levar em conta a do ofensor e a do algoz | ||
| + | * O questionamento se a voz do Outro que me diz: "Tu não matarás", | ||
| + | * A necessidade da linguagem, com seus recursos de comunicação e de reciprocidade, | ||
| + | * A necessidade de uma dialógica superpor a relação à distância pretensamente absoluta entre o eu separado e o Outro ensinante | ||
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| + | * A Dialética Cruzada do Si Mesmo e do Outro que Si | ||
| + | * A sugestão, resultante desta confrontação entre E. Husserl e E. Levinas, de que não há contradição alguma a ter por dialeticamente complementares o movimento do Mesmo para o Outro e o do Outro para o Mesmo | ||
| + | * Os dois movimentos não se anulando na medida em que um se desenrola na dimensão gnoseológica do sentido, e o outro se desdobra na dimensão, ética, da injunção | ||
| + | * A designação à responsabilidade, | ||
| + | * A antecipação desta dialética cruzada do si mesmo e do outro que si na análise da promessa | ||
| + | * A capacidade de manter a palavra, de se manter, dependendo de um outro contar comigo, sendo a condição da capacidade de manter a palavra e de se manter. | ||
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| + | //RICOEUR, Paul. Soi-même comme un autre. Paris: Editions du Seuil, 1990// | ||
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