estudos:ricoeur:mho:memoria-imaginacao
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| + | ====== Memória e Imaginação ====== | ||
| + | //RICOEUR, Paul. La mémoire, l’histoire, | ||
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| + | **NOTA DE ORIENTAÇÃO** | ||
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| + | * Ao submeter-se ao primado da pergunta "o quê?", | ||
| + | * Contra essa tradição de rebaixamento, | ||
| + | * As dificuldades desse desacoplamento remontam à origem grega do problema: de um lado a teoria platônica da eikōn, centrada na presença de uma coisa ausente sem referência explícita ao tempo passado; de outro Aristóteles, | ||
| + | * A parte central do estudo dedica-se a uma tipologia dos fenômenos mnemônicos que busca circunscrever a experiência de distância e profundidade temporal, tarefa que deveria acompanhar-se de uma revisão paralela da temática do imaginário, | ||
| + | * Persiste, contudo, na experiência viva da memória, um traço irredutível que explica a confusão presente na expressão imagem-lembrança, | ||
| + | * A ameaça permanente de confusão entre rememoração e imaginação, | ||
| + | * Ainda assim, não se dispõe de recurso melhor do que a própria memória para assegurar que algo ocorreu antes de se formar a lembrança correspondente, | ||
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| + | **I. A HERANÇA GREGA** | ||
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| + | * O entrelaçamento entre memória e imaginação, | ||
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| + | **1. Platão: a representação presente de uma coisa ausente** | ||
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| + | * A noção de eikōn, isolada ou associada à de phantasma, surge no contexto dos diálogos sobre o sofista e sobre a possibilidade ontológica do erro, associando-se desde a origem à metáfora do bloco de cera e da marca (tupos), o que já expõe duplamente o problema do esquecimento como apagamento de traços ou como desajuste de impressão. | ||
| + | * No Teeteto, a partir de 163d, a discussão sobre a possibilidade do juízo falso conduz Sócrates a questionar se, ao lembrar algo que se aprendeu, ainda se sabe aquilo que se lembra, questão que se enreda na eristica em torno da tese de Protágoras. | ||
| + | * Protágoras tenta reduzir a autêntica aporia da lembrança — a presença do ausente — à eristica do não-saber presente do saber passado, recorrendo à categoria de similitude como armadilha para resolver o enigma comum à imaginação e à memória. | ||
| + | * Diante desse paradoxo, Sócrates propõe a metáfora do bloco de cera na alma, dom de Mnemosine, sobre o qual se imprimem as sensações e pensamentos; | ||
| + | * A referência ao tempo, esperável na expressão " | ||
| + | * A mesma problemática, | ||
| + | * As duplicações inesperadas da alegoria do pombal revelam riqueza equivalente à do passo posto na marca errada, somando à captura falha a captura enganosa, mas deixam de lado o destino da eikōn, ao qual O Sofista reconduz a discussão. | ||
| + | * A problemática da eikōn em O Sofista vem responder ao enigma da presença da ausência apontado no Teeteto, situando na reconhecimento de marcas o problema do momento da rememoração e da possibilidade da falsidade. | ||
| + | * No texto-chave de O Sofista (234c e ss.), o Estrangeiro e Teeteto convêm que o sofista é um imitador que fabrica imitações e homônimos dos seres, mudando-se a metáfora da cera para a do retrato e distinguindo-se a arte " | ||
| + | * Diante da dificuldade de definir a imagem (eidōlon) como " | ||
| + | * Um primeiro balanço aporético aponta, de um lado, a ausência de reflexão distinta sobre a anterioridade das marcas que assinalam as afecções ligadas à lembrança — ponto em que Aristóteles rompe claramente — e, de outro, a questão de saber se a exigência de fidelidade contida na noção de arte eicástica encontra quadro apropriado na noção de arte mimética. | ||
| + | * Não se atingiu ainda o fundo do impasse: a suposição platônica da marca, associada solenemente a Mnemósine, torna a conjunção entre eikōn e impressão mais primitiva que a relação de semelhança própria da arte mimética, suscitando ao longo da história das ideias um cortejo de dificuldades relativas à noção de " | ||
| + | * Reserva-se, por ora, o traço escrito e eventualmente arquivado sobre o qual trabalha o historiador — aquele que Platão evoca no mito do Fedro sobre a invenção da escrita —, distinto das marcas internas da metáfora da cera, deslocando o modelo tipográfico da intimidade da alma para a exterioridade da escrita pública. | ||
| + | * Outro é a impressão como afeição resultante do choque de um acontecimento marcante, tacitamente pressuposta na metáfora do tupos e explicitamente tematizada no Filebo (38a-39c), onde Sócrates compara a alma a um livro escrito pela memória e ilustrado por um pintor interior, distinguindo opiniões verdadeiras e falsas conforme a inscrição seja fiel ou não. | ||
| + | * Um terceiro emprego da marca é a impressão corporal, cerebral, cortical, tal como discutida pelas neurociências, | ||
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| + | **2. Aristóteles: | ||
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| + | * Sobre o pano de fundo erístico herdado de Platão situa-se o tratado aristotélico Da memória e da reminiscência, | ||
| + | * A memória, nesse sentido particular, caracteriza-se de início como afeição (pathos), o que a distingue precisamente da recordação. | ||
| + | * A primeira questão diz respeito à " | ||
| + | * Análise do tempo e análise da memória se recobrem nesse ponto, mas surge nova questão quanto ao vínculo entre memória e imaginação, | ||
| + | * A essa aporia Aristóteles responde comparando a afeição produzida pela sensação a uma espécie de pintura, retomando sob novo vocábulo a problemática da eikōn e da impressão, e levantando a nova dificuldade de saber se se lembra da afeição ou da coisa ausente da qual ela procede. | ||
| + | * A solução recorre à categoria de alteridade herdada da dialética platônica: a noção de inscrição comporta referência a algo outro além da afeição mesma, de modo que a figura pintada de um animal pode ser lida como simples desenho (phantasma) ou como cópia referida a outra coisa (eikōn). | ||
| + | * Essa solução hábil gera nova dificuldade, | ||
| + | * O contraste entre mnēmē e anamnēsis assenta em dois traços — a simples lembrança como afeição sofrida versus a recordação como busca ativa —, unidos pelo papel comum da distância temporal, já que se lembra quando decorreu tempo, e é esse intervalo que o rememorar percorre. | ||
| + | * Os atos de recordação se produzem quando uma mudança sucede a outra segundo necessidade ou hábito, cabendo ao ponto de partida da busca certa margem de iniciativa, ainda que o encadeamento subsequente obedeça à necessidade ou ao hábito, sendo conhecer o tempo o aspecto mais importante desse exercício metódico, que se aproxima de um raciocínio (sullogismos). | ||
| + | * Uma pluralidade de tradições interpretativas decorre desse texto: a ars memoriae, o associacionismo moderno e uma terceira via, centrada no dinamismo e na invenção dos encadeamentos, | ||
| + | * Ao fim da leitura do tratado, cabe avaliar sua contribuição: | ||
| + | * Quanto à anamnēsis, Aristóteles oferece a primeira descrição raciocinada do fenômeno da recordação em face da simples evocação, situando-se à frente da diversidade de escolas interessadas nos modos de encadeamento por necessidade ou hábito, dos quais o associacionismo empirista inglês é apenas uma vertente. | ||
| + | * Surpreende que Aristóteles tenha conservado, para descrever a recordação cotidiana, o vocábulo platônico de anamnēsis, fidelidade que se explica menos por psicologia de autor do que pelo duplo vínculo temático herdado de Platão: a herança aporética da eikōn e do tupos, e a fidelidade socrática aos termos " | ||
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| + | **II. ESBOÇO FENOMENOLÓGICO DA MEMÓRIA** | ||
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| + | * Duas observações preliminares se impõem antes do esboço que se segue. | ||
| + | * A primeira adverte contra a tendência a abordar a memória a partir de suas deficiências, | ||
| + | * A segunda observação propõe esboçar uma fenomenologia dispersa mas não radicalmente fragmentada, | ||
| + | * A primeira expressão do caráter disperso dessa fenomenologia decorre do caráter objetal da memória — lembra-se de algo —, distinguindo-se a memória como visada da lembrança como coisa visada, e a questão do " | ||
| + | * Um primeiro traço caracteriza o regime da lembrança: a multiplicidade e os graus variáveis de distinção entre lembranças, | ||
| + | * O traço mais importante concerne ao privilégio dado aos acontecimentos entre as " | ||
| + | * Diante dessa diversidade de " | ||
| + | * O primeiro par oposicional é o do hábito e da memória, ilustrado pela distinção bergsoniana entre memória-hábito e memória-lembrança, | ||
| + | * A prioridade dada ao par hábito/ | ||
| + | * Esse texto bergsoniano revela a parentela entre a lição decorada e os saber-fazeres corporais e sociais mobilizados sem reflexão, cobrindo capacidades como poder falar, poder agir e poder narrar, além dos hábitos coletivos ligados à comemoração, | ||
| + | * Tratando-se de polaridade e não de dicotomia, o papel de fenômenos intermediários entre os polos bergsonianos confirma essa gradação. | ||
| + | * O segundo par de opostos é constituído pela evocação e pela busca. | ||
| + | * A evocação designa a sobrevinda atual de uma lembrança, correspondente à mnēmē aristotélica caracterizada como afeição, carregando o enigma da presença atual do ausente anteriormente percebido, questão que se distingue provisoriamente da persistência da afeição primeira — tema das neurociências sob o título dos traços mnésicos — posta entre parênteses, | ||
| + | * No outro polo situa-se a anamnēsis, mitificada por Platão como reencontro de um saber pré-natal esquecido, e naturalizada por Aristóteles como busca (zētēsis) voltada contra o rio Lete, sem que se possa decidir se o esquecimento resulta de apagamento definitivo ou de impedimento provisório, | ||
| + | * Quanto ao mecanismo do rememorar, evocou-se já o leque de procedimentos que vão da associação quase mecânica ao trabalho de reconstrução aproximado do raciocínio. | ||
| + | * Busca-se aqui um eco moderno nos textos antigos, recorrendo novamente a Bergson, especialmente ao ensaio " | ||
| + | * A distinção principal recai entre o " | ||
| + | * A gradação do mais fácil, que é reprodução, | ||
| + | * Ao concluir o exame da recordação, | ||
| + | * É o esforço de rememoração que oferece a ocasião maior de "fazer memória do esquecimento", | ||
| + | * Cabe lugar à parte à distinção husserliana, | ||
| + | * A experiência descrita tem por eixo o presente do som que ressoa: enquanto continua a soar tem um presente sempre novo, e o presente precedente se transforma em passado, modificação que constitui a " | ||
| + | * Uma tensão discernível na análise, anterior à distinção entre retenção e re-lembrança, | ||
| + | * Quanto ao termo eventual do enfraquecimento retencional, | ||
| + | * Chamar originário o instante passado próprio da retenção equivale a negar que ela seja figuração por imagem, distinção necessária a priori entre percepção e retenção, sendo a lembrança dada como um " | ||
| + | * Dessa exclusão do não-agora surge uma polaridade nova dentro do próprio não-agora do souvenir: a polaridade entre lembrança primária e lembrança secundária, | ||
| + | * A reprodução supõe desaparecido e de volta o souvenir primário de um objeto temporal como a melodia, não sendo mais presentação mas re-presentação — "quase ouvida" | ||
| + | * É nesse ponto que uma minuciosa análise sobre a distinção entre Erinnerung e Vorstellung, | ||
| + | * Deseja-se encerrar o percurso das polaridades com um par de termos complementares cuja importância se revelará na transição da memória à história. | ||
| + | * A polaridade entre reflexividade e mundanidade opõe-se a memória de si à memória das situações mundanas — corpo próprio e alheio, espaço vivido, horizonte de mundo —, sendo a reflexividade traço irrecusável da memória em sua fase declarativa, | ||
| + | * As considerações seguintes devem imensamente à obra de Edward Casey, Remembering, | ||
| + | * Quanto ao polo reflexivo, ele reagrupa termos já aparecidos nos pares anteriores — o lado hábito como o menos marcado, o esforço de rememoração como o mais marcado pela reflexividade, | ||
| + | * Os três "modos mnemônicos" | ||
| + | * O Reminding designa indicadores contra o esquecimento, | ||
| + | * O Reminiscing, | ||
| + | * Resta o Recognizing, | ||
| + | * O pequeno milagre do reconhecimento é revestir de presença a alteridade do passado, sendo a lembrança re-presentação em duplo sentido, o que constitui ao mesmo tempo uma armadilha para a análise fenomenológica. | ||
| + | * Resta ainda que o passado reconhecido tende a valer como passado percebido, o que aproxima reconhecimento e percepção, | ||
| + | * Concluída a travessia dos modos mnemônicos de Casey, confrontam-se fenômenos mnemônicos envolvendo o corpo, o espaço e o horizonte de mundo. | ||
| + | * Tais fenômenos não abandonam a esfera da intencionalidade, | ||
| + | * Começando pela memória corporal, ela se redistribui ao longo do primeiro eixo de oposições, | ||
| + | * A transição da memória corporal à memória dos lugares se dá por atos como orientar-se, | ||
| + | * Esse vínculo entre lembrança e lugar coloca um difícil problema, o do grau de originariedade da datação, paralelo ao da localização, | ||
| + | * Trata-se da questão de reconquistar um Lebenswelt anterior ao mundo construído pelas ciências da natureza, o que nem mesmo Bergson evita ao caracterizar a lembrança-souvenir, | ||
| + | * Retomando a memória dos lugares, distingue-se, | ||
| + | * Colocar-se-á, | ||
| + | * A questão do caráter sustentável da epoché husserliana retorna: o vínculo entre memória corporal e memória dos lugares legitima a desimplicação do espaço e do tempo de sua forma objetivada, sendo o corpo o lugar primordial, o aqui, em relação ao qual todo outro lugar é um lá, permanecendo em aberto se esse suspenso pode manter-se sem recair no espaço geométrico comum, do qual dependem os lugares de memória para exercer sua função memorial. | ||
| + | * Essa dificuldade agrava-se quando, seguindo Casey, se situa a comemoração ao fim do percurso que afasta a memória de seu núcleo " | ||
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| + | **III. A LEMBRANÇA E A IMAGEM** | ||
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| + | * Sob o título "A lembrança e a imagem" | ||
| + | * Toma-se Husserl como primeiro guia dessa investigação, | ||
| + | * Esses textos exploram as diferenças específicas entre os correlatos " | ||
| + | * O título do volume cobre o campo de uma fenomenologia das presentificações intuitivas, na qual a lembrança figura como presentificação relacionada ao tempo, situando-se entre os modos de presentificação que compartilham a intuitividade mas diferem pela não-presentação de seu objeto, ligando-se sua determinação plena à análise da retenção e da reprodução no volume X das Husserliana. | ||
| + | * Quando Husserl fala de Bild, refere-se às presentificações que representam algo indiretamente, | ||
| + | * Quando Husserl fala de Phantasie, refere-se a fadas, anjos e demônios das lendas, tratando-se propriamente de ficção, associada à espontaneidade da crença. | ||
| + | * A fenomenologia da lembrança está implicada nessas distinções e ramificações, | ||
| + | * A distinção entre Bild e Phantasie já embaraçava Husserl desde as Investigações Lógicas, deslocando-se depois, nas Ideen, para a modalidade de neutralidade própria da Phantasie face ao caráter posicional da percepção, | ||
| + | * O campo ora se alarga a todas as Auffassungen ora se restringe às ramificações das presentificações, | ||
| + | * Sendo a lembrança uma imagem nesse sentido, comporta dimensão posicional que a aproxima da percepção, | ||
| + | * Essa problemática englobante da presentificação será deslocada na terceira seção das Lições sobre a consciência íntima do tempo, onde a oposição entre apresentação e presentificação continua a operar, cabendo à coisa lembrada, enquanto passada, ser tida como pura Phantasie, mas, enquanto dada de novo, impor-se como modificação sui generis da percepção que suspende a fantasia, seguindo-se a sequência percepção, | ||
| + | * A linha de separação corre ao longo da fratura entre apresentação e presentificação, | ||
| + | * As Ideen I, apesar do viés idealista, não falam outra língua quanto ao "como do preenchimento" | ||
| + | * Se nos exercícios do volume X o acento recai sobre as modalidades temporais da presentificação e nos exercícios sobre Phantasie, Bild, Erinnerung recai sobre as diferenças entre os membros da família das presentificações, | ||
| + | * Ao fim dessa travessia com Husserl, resta apenas metade do caminho para explicar a confusão entre imagem e souvenir, restando desvendar por que a lembrança retorna sob forma de imagem e por que a imaginação assim mobilizada assume formas que escapam à função do irreal. | ||
| + | * Adota-se como hipótese de trabalho a concepção bergsoniana da passagem do " | ||
| + | * A distinção bergsoniana entre " | ||
| + | * Admitindo um " | ||
| + | * Seguindo essa vertente do " | ||
| + | * Do polo ficção da imaginação tratou-se em Tempo e Narrativa ao opor relato de ficção e relato histórico; situa-se agora no polo oposto, o da alucinação. | ||
| + | * Para dar conta dessa armadilha, convoca-se, ao lado de Bergson, Jean-Paul Sartre em L' | ||
| + | * Dessa descrição sartriana da inversão da função irrealizante em função alucinante resulta um curioso paralelismo entre a forma intermediária do souvenir-imagem, | ||
| + | * Uma fenomenologia da memória não pode ignorar essa armadilha do imaginário, | ||
| + | * Ao concluir, não sobre essa perplexidade, | ||
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