estudos:richardson:heidegger-e-psicanalise-2003
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| + | ====== Heidegger e psicanálise? | ||
| + | 2003 | ||
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| + | ==== Heidegger and Psychoanalysis? | ||
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| + | === Natureza Humana 5(1): 9-38, jan.-jun. 2003 === | ||
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| + | //O presente artigo oferece um estudo da desconstrução heideggeriana da psicanálise, | ||
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| + | O que Heidegger faz nesses seminários [de Zollikon]? Em uma palavra, ele oferece aos psiquiatras um curso intensivo sobre alguns dos conceitos fundamentais de Ser e tempo, que tinham inicialmente despertado o entusiasmo de Boss. E quem seria mais apto do que ele para realizar essa tarefa? Aqueles conceitos, agora, são moeda corrente, e facilmente lembrados. Heidegger está interessado no sentido do ser (Sein) como diferente do ente (Seiende), que ele deixa ser manifesto, e ele procede por meio de um exame fenomenológico de um ente particular dentre o resto, quer dizer, o ser humano, que ele chama Dasein. O Dasein deve de algum modo saber a resposta para a questão sobre o sentido do ser como diferente do ente, uma vez que é capaz de fazer essa pergunta. Sob exame, o Dasein se revela como um fenômeno cuja natureza é ser-no-mundo. Heidegger examina primeiro o que mundo significa e então o que significa ser “em” tal mundo. Quanto ao mundo em si mesmo, ele deve ser entendido não como a soma total de tudo o que é, mas como um horizonte no qual os entes são encontrados, | ||
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| + | Para o Dasein ser “em” um tal mundo implica vários componentes existenciais diferentes, i.e. estruturais: | ||
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| + | O que Heidegger faz então com os psiquiatras? | ||
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| + | Mais particularmente, | ||
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| + | Heidegger leva os pobres doutores através da longa história que segue como uma forma de conquistar um espaço a partir do qual dizer o que ele pensa sobre a noção freudiana do inconsciente. O fato é que foi Boss quem apresentou Heidegger ao trabalho metapsicológico de Freud e, de acordo com Boss, Heidegger “não podia acreditar que um homem inteligente como ele pudesse ter escrito coisas tão estúpidas e fantasiosas assim sobre homens e mulheres” O que Freud está procurando é uma explicação do fenômeno humano através de uma cadeia ininterrupta de causalidade (2001, 7/7). Quando ele não consegue fazer isso no nível da consciência, | ||
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| + | Para ficar? Bem, se o inconsciente freudiano é somente a face inferior de uma concepção cartesiana da consciência, | ||
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| + | Em outro nível de linguagem, este “demorar-se” é uma função das estruturas existenciais, | ||
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| + | O ser-lançado (Geworfenheit) e o entendimento (Verstehen) pertencem reciprocamente um ao outro em uma correlação cuja unidade é determinada através da linguagem (Sprache). A linguagem aqui deve ser pensada como dizer (Sagen), na qual o ente enquanto ente, i.e. do ponto de vista do seu ser, mostra-se. É somente na base da correlação de ser-lançado e entendimento, | ||
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| + | A linguagem, portanto, não simplesmente no sentido da comunicação (Mitteilung) (2001, 139/183) ou mesmo da articulação verbal (Verlautbarung) (2001, 185/232), mas no sentido de dizer (Sagen) é essencialmente um mostrar adiante (zeigen), ou, antes, um deixar mostrar adiante (sich zeigen lassen) ou ser visto (sehen lassen), do ente que pode ser encontrado no mundo como ente (2001, 90, 96-97/117, 126). E o contrário também é verdadeiro: “todo fenômeno mostra-se a si próprio [para o fenomenólogo] somente no domínio da linguagem” (2011, 96-7/83). | ||
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| + | Isso tudo reunido leva à concepção do Dasein como um “self”. Para Heidegger, a palavra está pelo Dasein como ser-no-mundo à medida que ele permanece o mesmo através de um processo histórico dado. Sua permanência consiste no fato de que “o self pode sempre voltar a si mesmo e encontrar-se em seu permanecer ainda o mesmo” [como foi sempre até agora] (2001, 220). | ||
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| + | O que a palavra “eu” acrescenta à experiência de historicizar o Dasein como um self. Isto não é por si só um testemunho para a consciência, | ||
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| + | //Natureza Humana 5(1): 9-38, jan.-jun. 2003// | ||
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