| A consciência «abre» porque faz parte do ser do Dasein que é «abertura». Ela é um Existencial ao mesmo nível que a afecção (Befindlichkeit), o compreender (Verstehen), o falar (Rede) e a decadência (Verfallen), que constituem o «Da» do Dasein, o «aí» como abertura, como ek-sistência. Mas a «Gewissen» vai mais longe na apreensão do ser do Dasein. Com efeito, lançado aí no mundo desde sempre, o Dasein é primeiramente mergulhado na existência inautêntica do Nós. Perdido no Nós, ele apenas dá ouvidos ao falatório, o «diz-se» que o torna surdo à sua voz interior, ao apelo do Daímon para tornar-se si mesmo reunindo todas as suas possibilidades: «Perdendo-se na publicidade do Nós e do seu falatório, ele faz, à força de escutar o Nós, orelhas moucas ao si mesmo próprio. Se o Dasein deve poder ser reconduzido, retirado desta perda onde não se escuta mais a si mesmo... é-lhe ainda necessário poder encontrar-se primeiro a si próprio, ao qual fez e continua a fazer orelhas moucas, não tendo ouvidos senão para o Nós.» Este falatório exterior, este alarido ensurdecedor das palavras dos faladores, este canto das sereias que exerce a sua sedução na vida quotidiana, numa palavra a tirania do Nós é dilacerada pelo apelo silencioso da consciência que reconduz o Dasein a si próprio: «Aquilo que, apelando, dá assim a compreender, é a consciência.» | A consciência «abre» porque faz parte do ser do Dasein que é «abertura». Ela é um Existencial ao mesmo nível que a afecção (Befindlichkeit), o compreender (Verstehen), o falar (Rede) e a decadência (Verfallen), que constituem o «Da» do Dasein, o «aí» como abertura, como ek-sistência. Mas a «Gewissen» vai mais longe na apreensão do ser do Dasein. Com efeito, lançado aí no mundo desde sempre, o Dasein é primeiramente mergulhado na existência inautêntica do Nós. Perdido no Nós, ele apenas dá ouvidos ao falatório, o «diz-se» que o torna surdo à sua voz interior, ao apelo do Daímon para tornar-se si mesmo reunindo todas as suas possibilidades: «Perdendo-se na publicidade do Nós e do seu falatório, ele faz, à força de escutar o Nós, orelhas moucas ao si mesmo próprio. Se o Dasein deve poder ser reconduzido, retirado desta perda onde não se escuta mais a si mesmo... é-lhe ainda necessário poder encontrar-se primeiro a si próprio, ao qual fez e continua a fazer orelhas moucas, não tendo ouvidos senão para o Nós.» Este falatório exterior, este alarido ensurdecedor das palavras dos faladores, este canto das sereias que exerce a sua sedução na vida quotidiana, numa palavra a tirania do Nós é dilacerada pelo apelo silencioso da consciência que reconduz o Dasein a si próprio: «Aquilo que, apelando, dá assim a compreender, é a consciência.» |