estudos:outros:may-hs-o-topos-nada-das-nichts
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| estudos:outros:may-hs-o-topos-nada-das-nichts [09/02/2026 20:16] – created - external edit 127.0.0.1 | estudos:outros:may-hs-o-topos-nada-das-nichts [10/09/2026 04:00] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== May (HS) – O topos ‘Nada’ [das Nichts] ====== | ||
| + | |||
| + | |||
| + | |||
| + | //MayHS// | ||
| + | |||
| + | Para perseguir a suposição de correspondências adicionais entre o pensamento de Heidegger e as ideias taoistas, voltamo-nos para três tópicos centrais [Topoi] que são encontrados repetidamente em sua obra. Nossa primeira preocupação é com o topos ‘Nada’ [das Nichts], que percorre significativamente [wegweisend] a obra de Heidegger como um fio vermelho e, em última análise, se distingue de tudo o que foi pensado e dito na filosofia ocidental sobre o tema do Nada. | ||
| + | |||
| + | Traçaremos as linhas de pensamento de Heidegger principalmente através de formulações que ele mesmo escolheu com cuidado. Com isso, descobriremos que, para esclarecer o caminho de seu pensamento (Denkweg), ele elucida certas ideias principais repetidamente, | ||
| + | |||
| + | Encontramos a ideia principal orientadora [wegweisend] de Heidegger já no contexto da ‘elaboração [e resposta] da questão do sentido do “Ser”, na seguinte formulação: | ||
| + | |||
| + | Heidegger chega a esse resultado ao longo de muitas etapas de formulação. No caminho, e ao inverter a questão do Ser, por assim dizer, ele também lida com (e responde) a questão do Nada. A investigação sobre o ‘sentido do Ser’, que para ele foi esquecido e, portanto, ‘ainda permanece’ a ser respondido (SZ 21, 230), é ao mesmo tempo uma investigação sobre o Nada e sobre o sentido do Nada em contraste com o niilismo. Assim, em ambos os aspectos da investigação, | ||
| + | //O Nada... revela-se como pertencente [zugehörig] ao Ser dos entes... Este Nada [dos entes] ‘opera’ [west] como Ser... Aquilo que não é um ente [é] o Nada entendido como o próprio Ser.// | ||
| + | Complementando as formulações em Ser e Tempo (21, 35), Heidegger observa ainda: ‘A origem essencial [Wesensherkunft] do Ser dos entes não foi devidamente pensada’. Em contraste com o Ser, que para Heidegger ‘não é nenhum tipo de ente’ (SZ 4), entende-se por entes tudo ‘o que podemos de alguma forma significar’. Quanto ao Ser, ele explica: ‘O Ser “é” não mais do que o Nada “é”. Mas há [Es gibt] ambos’ (QB [The Question of Being] 97). E ele sugere mais tarde, com referência à expressão simples ‘Ser: Nada’, que ‘é melhor abandonar o “é” aqui’ (‘Seminar in Le Thor’ 85). Já em 1935, Heidegger expressa um pensamento semelhante, embora não tão claramente como nas formulações posteriores: | ||
| + | |||
| + | No esforço de esclarecer seu entendimento do Ser e do Nada no seminário de Le Thor em 1969, Heidegger complementa as formulações mais antigas de 1946 com novas que são basicamente indistinguíveis em termos de conteúdo. Algumas delas já vimos e podemos perceber nelas como Heidegger emprega superbamente sua técnica sutil, produtiva e elegante de paráfrase. Vamos esclarecer esse ponto considerando mais alguns exemplos, que também nos ajudarão a entender melhor seu pensamento. | ||
| + | |||
| + | Em uma investigação direta sobre o Ser, Heidegger escreve na ‘Carta sobre o Humanismo’: | ||
| + | |||
| + | A posição de Heidegger em relação ao contexto aqui articulado é bastante única na tradição ocidental. Esse ponto é ainda mais enfatizado pelas expressões que ele usa para descrever o Nada, a fim de assimilá-lo a outros topoi, mas sem afetar ou minar o novo sentido do Ser e do Nada. Ele justifica seu procedimento por meio de uma referência detalhada e muito reveladora a Wilhelm von Humboldt. Ao ser questionado no seminário de Le Thor se seu uso de expressões antigas para um novo pensamento é capaz de caracterizar adequadamente esse novo pensamento — ‘Até que ponto é possível usar os mesmos termos tanto dentro quanto fora da metafísica? | ||
| + | |||
| + | Nas passagens a seguir, Heidegger coloca ‘presença’ [Anwesen] no lugar de ‘Ser’ [Sein] e ‘desvelamento’ [Unverborgenheit] no lugar de ‘Nada’ [Nichts] (e vice-versa), | ||
| + | |||
| + | O enigma é... ‘o Ser’. Por essa razão, ‘Ser’ permanece simplesmente a palavra provisória. Vejamos que nosso pensamento não simplesmente o siga cegamente. Consideremos primeiro o fato de que ‘Ser’ é originalmente chamado ‘presença’, | ||
| + | |||
| + | A presença ocorre [ereignet sich] apenas onde o desvelamento já impera. | ||
| + | |||
| + | O Nada pertence... como ausência [ab-wesend] à presença [Ser] (QB 87/Wm 241). | ||
| + | |||
| + | A presença [An-wesen] precisa e usa [braucht] o Aberto de uma clareira [Lichtung] (GA11 31/19). | ||
| + | |||
| + | Deixar-ser-presente significa: revelar [Entbergen], | ||
| + | |||
| + | Em cada caso, Heidegger substitui um pelo outro, ‘Nada’ por ‘Ser’ (e, por ‘Ser’, ‘presença’) e vice-versa, e assim efetua traduções permanentes: | ||
| + | |||
| + | Esses tipos de correspondências óbvias, que são facilmente encontradas ao longo da obra de Heidegger e representam fatores essenciais em seu projeto, sempre concernem seu pensamento principal, a saber, o ‘Nada’, que constitui inequivocamente (como já vimos no caso de Ser e Tempo) o ‘sentido do Ser’. Assim, Heidegger faz uma distinção clara entre essa ideia e o que ele chama de ‘nada vazio’ ou também nada aniquilador [das nichtige Nichts]. Em contraste: ‘Este [verdadeiro] Nada... não é nada aniquilador [nichts Nichtiges]. Ele pertence à presença [Ser]. Ser e Nada não são dados um ao lado do outro. Cada um se usa em favor do outro em uma relação cuja riqueza essencial mal começamos a ponderar’ (QB 97/Wm 247). | ||
| + | |||
| + | Essas interpretações do ‘Nada’ não têm, para Heidegger, nada a ver com o niilismo como foi entendido até agora (desde Nietzsche); seu objetivo é antes a superação do niilismo. Não pode haver mal-entendido aqui, pois Heidegger afirma já em 1935 o que o niilismo significa para ele, a saber: ‘preocupar-se apenas com os entes no esquecimento do Ser’ (IM 203/155). A superação [Überwindung] — ou, como ele diz mais tarde, o ‘ultrapassamento’ [Verwindung] — do niilismo é então caracterizada da seguinte forma: ‘Levar a investigação sobre o Ser expressamente até a fronteira do Nada e incorporá-lo [o Nada] na questão do Ser’ (IM 203/155). Nesse contexto, Heidegger fornece novamente em 1963 uma autointerpretação altamente informativa em uma carta a um colega japonês (como havia feito na ‘carta’ a Ernst Jünger em 1955 [QB 97/Wm 247]), que trata dos mal-entendidos aos quais sua ideia principal do ‘Nada’ foi sujeita. Ele toma sua caracterização do ser humano como ‘portador do lugar [Platzhalter] do Nada’ como ponto de partida para a seguinte clarificação: | ||
| + | |||
| + | Aquela palestra [’O que é Metafísica? | ||
| + | |||
| + | Uma apresentação de elementos nos textos de Heidegger pode, portanto, mostrar que ele pensa o Nada (com elucidações repetidas) de tal forma que, ao contrário do Ocidente, é imediatamente entendido no Japão. E ainda, uma fonte não ocidental para tal pensamento presumivelmente não foi considerada por lá. | ||
| + | |||
| + | Agora está claro: para Heidegger, o topos que corresponde ao Ser é o Nada, o tópico principal de seu pensamento. A questão inicial sobre o Ser dos entes recebeu assim uma resposta, que culmina na fórmula: ‘Ser: Nada: o Mesmo’ (‘SLT’ 101). Esse Nada obviamente não é um nada aniquilador: | ||
| + | |||
| + | [word// | ||
| + | IM An Introduction to Metaphysics | ||
| + | QB The Question of Being | ||
| + | TB On Time and Being | ||
| + | ‘WM?’ ‘What Is Metaphysics? | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
