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| + | ====== Cavell (A) – Heidegger e a obra de arte ====== | ||
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| + | ==== Esta América nova, ainda inabordável ==== | ||
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| + | === UM TRABALHO EM ANDAMENTO: À GUISA DE INTRODUÇÃO === | ||
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| + | //[CAVELL, Stanley. Esta América nova, ainda inabordável. Tr. Heloisa Toller Gomes. São Paulo: Ed. 34, 1997, p. 10-11, | ||
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| + | <tabbox português> | ||
| + | A primeira das duas discussões em Santa Cruz foi aquela em que Hubert Dreyfus apresentou “A origem da obra de arte” de Heidegger, advertindo de saída que aquilo que Heidegger chama obra de arte (“deixar a verdade acontecer”, | ||
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| + | Perguntei anteriormente se e como devemos ver “A origem da obra de arte” de Heidegger como um apelo pela inclusão de seu próprio texto entre as obras que invoca enquanto realizadoras do trabalho da arte, ou seja, deixando, nelas, a verdade acontecer. “Deixar a verdade acontecer”, | ||
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| + | Sobre o fervor, ou pathos, de Heidegger, chamo a atenção apenas para o trabalho que ele associa aos nomes de dois filósofos, Parmênides e Heráclito. Parmênides é aludido na pergunta de Heidegger (na seção intitulada “A coisa e a obra”): “O que parece mais fácil do que deixar uma entidade ser apenas a entidade que é?” (Isto é, suponho que essa pergunta contenha uma versão antiga de palavras que Heidegger atribui a Parmênides e que desenvolverá nos últimos capítulos de O que se chama pensar? — “deixar estar diante de nós” — frase que justaponho, na palestra “Declinando do declínio”, | ||
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| + | Ao afirmar a necessidade “de visualizar, de uma nova forma, o advento da verdade na obra”, Heidegger “deliberadamente escolhe uma obra que não pode ser atribuída à arte representacional... um templo grego”. E ele diz: “O templo, permanecendo ali, dá em primeiro lugar às coisas a aparência delas e, aos homens, a visão de si mesmos”. Assim, além de sermos seres para quem as coisas podem “parecer fáceis” (algo que não corresponde ao ser das coisas, as quais entretanto têm suas (respectivas) aparências, | ||
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| + | Aqui há instâncias suficientes para que uma “obra linguística” adquira fervor — no mínimo, moral. Mas aceitaremos que na obra de Heidegger “cada palavra essencial leva adiante a batalha?” Sabemos quais são as palavras nela assinaladas como essenciais? São aquelas com uma história filosófica estampada em sua face? (A ideia de que a obra filosófica requer uma transfiguração de “cada palavra” está presente em “Self-reliance” de Emerson: “Cada palavra que eles dizem nos aflige”. A mesma ideia está ainda em pauta na segunda dessas palestras e é um tema que perpassa a primeira das minhas “Carus Lectures”.) Podemos nos considerar como parte da socialidade ou congenialidade do texto de Heidegger se não soubermos que nossas palavras (que certa vez fizeram parte do “discurso do povo”) encontram-se agora transformadas? | ||
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| + | <tabbox original> | ||
| + | The first of the pair of passages from the Santa Cruz discussions was from the one in which Hubert Dreyfus presented Heidegger’s “The Origin of the Work of Art,” cautioning at the outset that what Heidegger calls the work of art (Heidegger names this work “letting truth happen”) is not to be found in everything we call works of art, and moreover may be found in things we do not call works of art. (Obscure as this is, it is worth trying to go on with some thought of the kind for the value of its opposition to what is, I believe, the currently reigning view (among philosophers? | ||
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| + | I asked earlier whether and how we are to understand Heidegger’s “Origin of the Work of Art” as claiming for his own text its inclusion among works it invokes that do the work of art, letting truth happen in them. “Letting truth happen” is presumably not merely an arch way of describing the thing academics are precisely meant (obligated? | ||
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| + | Of the Heideggerian fervor, or pathos, I note just the work he associates with the names of two philosophers, | ||
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| + | In asserting the necessity “to visualize anew the happening of truth in the work,” Heidegger “purposely choose[s] a work that cannot be ascribed to representational art . . . a Greek temple.” And he says: “The temple, in its standing-there, | ||
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| + | Here are stakes enough for a “linguistic work” to take on fervor — moral to say the least. But do we grant that in Heidegger’s work “every essential word carries on the struggle”? | ||
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| + | I shall not try my hand now at saying how Heidegger manages to set such stakes within a presentation in his version of academic prose. I do not offhand know how Kant does it either, what the special pathos of the presentationally systematic is; but I note the achievement. And it is of interest to me to compare it with Wittgenstein’s contemporaneous attention to presentation (say to the presentationally unsystematic), | ||
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