estudos:niederhauser:niederhauser-2013-morte-e-falecimento
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| + | ===== MORTE E FALECIMENTO ===== | ||
| + | JAN2021 | ||
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| + | A distinção feita por Heidegger entre falecimento e morte visa deixar claro que os pressupostos científicos ónticos sobre a morte no sentido comum não são a preocupação principal e não influenciam diretamente sua investigação ontológica. O que costumamos chamar de morte é o que Heidegger denomina falecimento em *Ser e Tempo*. No entanto, só podemos compreender o falecimento — a morte óntica, por assim dizer — por causa da morte ontológica. Heidegger deseja revelar plenamente o fenômeno da morte a fim de mostrar, assim, que só podemos nos relacionar com a morte da maneira como o fazemos porque estamos sempre já voltados para ela e, mais precisamente, | ||
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| + | Assim, a morte ontológica tem, de fato, a ver com a finitude mortal. Ainda assim, a morte não é simplesmente o fim da “vida” de alguém. Para Heidegger, em Ser e Tempo, a morte não é externa a nós, não é um evento no futuro que ocorre em algum momento ou outro. Pelo contrário, a morte é inerente ao Dasein. A morte existe assim que o Dasein existe. (...) A morte não é o nada para nós. (...) Assim que o Dasein existe, ele se encontra em uma relação inerente com sua morte, que não é a cessação da “vida” do Dasein, mas o limite onde o Dasein começa. É justamente por causa dessa relação com a morte que, em primeiro lugar, podemos compreender e nos comover com a morte dos outros. O Dasein existe assim que a morte existe também significa que a morte existe assim que o Dasein existe. (...) Dito de outra forma, a experiência que Heidegger busca no contexto da morte é uma experiência do pensamento, uma experiência do ser, não uma experiência do domínio empírico. | ||
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| + | (...) Afirmar que a morte não significa nada para nós seria uma afirmação sem sentido para Heidegger. Para ele, a morte sempre já determina as possibilidades do Dasein, uma vez que o Dasein, assim que existe, está direcionado para sua possibilidade mais própria; é a morte que co-constitui os horizontes de compreensão do Dasein. É a partir dessa mesma orientação que o Dasein recebe seu significado, | ||
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| + | Por fim, é crucial observar que, embora a morte seja central para todo o projeto filosófico de Heidegger, ele não defende o suicídio. O que ocorre é exatamente o contrário. O suicídio não desempenha nenhum papel em *Ser e Tempo* e mal é mencionado na filosofia posterior. Mas, nos Prolegômenos, | ||
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