estudos:nancy:nancy-2007-res-ego-corpo
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| + | ===== res, ego E CORPO (2007:9-12) ===== | ||
| + | Res extensa — res cogitans: coisa extensa, coisa pensante. Substância de partes exteriores umas às outras, substância sem partes, reunida em relação a si mesma (sentir, conceber, julgar, querer, imaginar, também amar...). Tomamos o hábito de concebê-las de modo apressado e preguiçoso, | ||
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| + | Essa união substancial pode ser concebida desde que se perceba claramente que a coisa pensante, não sendo extensa, ou seja, de modo algum exterior a si mesma, pode facilmente, e até mesmo da maneira mais natural ou evidente do mundo (uma evidência para a qual não é necessário forçar o espírito por método, já que ela ocorre naturalmente na vida ordinária), | ||
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| + | Mas, nesse sentido, a coisa extensa também não é simplesmente exterior nem estranha à coisa pensante. É seu lugar de exercício, ou melhor ainda, é seu próprio exercício. Para relacionar-se consigo mesma em todas as suas operações, | ||
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| + | Se sinto, é que ressinto — em mim ou para mim — o efeito sensível de algo do exterior, o que só é possível se eu mesmo me dirijo ao contato desse exterior, eu mesmo, portanto, fora de mim para ser em mim. Mesmo quando duvido de tudo, é o último resíduo da representação do exterior — ainda que seja fantasmático ou onírico e mesmo que seja submetido à mais severa dúvida sobre sua realidade — que me permite relacionar-me comigo no modo da evidência de um ego sum. | ||
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| + | Desde que se enuncia, o ego separa-se de si, por pouco que seja, assim como um corpo, de fato, separa seus lábios para pronunciar a frase "eu sou". Imediatamente, | ||
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| + | O corpo está, portanto, envolvido no cogito. Está envolvido ali, de maneira paradoxal, como seu desenvolvimento, | ||
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| + | A substância extensa é a extensão e a exterioridade da substância pensante, que sem esse exterior não poderia constituir-se em interioridade. Melhor ainda: convém desfazer-se do esquema de um interior oposto a um exterior. Não há mais que um existente, que pode ser considerado sob o aspecto de sua pontualidade ou sob o aspecto da exposição dessa pontualidade. Exposto, o ponto de coincidência consigo mesmo repete-se indefinidamente ao longo de todas as dimensões através das quais exerce sua propriedade de sentido (sentir, assentir, ressentir). O ego é o ponto de sentido — ao mesmo tempo incalculavelmente multiplicado e sempre idêntico em seu recuo inextenso — da configuração (linear, volumosa, motriz, plástica) que se chama um corpo. Ou, para tentar dizê-lo de maneira mais ajustada, o ego é o " | ||
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