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estudos:merleau-ponty:1945:subjetividade

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 +====== Subjetividade ======
 +//MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. Tr. Carlos Alberto Ribeiro de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 1999. / Phénoménologie de la perception. Paris: Gallimard, 1945//
 +
 +  * A formulação inicial apresenta a dificuldade conceitual de uma subjetividade originária que não se pensa imediatamente ao existir.
 +    * A objeção considera que, se a subjetividade não pensa, ela pareceria reduzida a coisa ou força inconsciente.
 +    * A resposta nega que o Eu primordial se ignore, pois tal ignorância o transformaria em coisa.
 +    * Recusa-se apenas o pensamento objetivo, entendido como consciência tética de si e do mundo.
 +
 +  * A recusa do pensamento objetivo implica a rejeição de uma consciência explícita duplicadora da subjetividade originária.
 +    * Afasta-se a hipótese de uma consciência reflexiva que subtenda o poder originário da subjetividade.
 +    * A subjetividade originária exerce um poder confuso sobre si e sobre o mundo sem se duplicar em representação.
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 +  * A visão é caracterizada como pensamento de ver em um sentido específico.
 +    * A visão não é função mecânica nem simples processo fisiológico.
 +    * Ela é o conjunto significativo que unifica processos e sentido.
 +    * A visão implica anterioridade do todo sobre as partes e do futuro sobre o presente.
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 +  * A estrutura intencional da visão funda-se em antecipação e projeto.
 +    * Toda visão supõe intenção e antecipação.
 +    * O objeto intencional não pode ser dado como totalmente acabado.
 +    * Há no coração da subjetividade um projeto total ou lógica do mundo.
 +    * As percepções empíricas determinam esse projeto, mas não o engendram.
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 +  * A visão não é pensamento de ver no sentido reflexivo e constitutivo.
 +    * A visão não se percebe como autora de sua própria presença.
 +    * Ela não opera por transparência absoluta a si mesma.
 +    * Rejeita-se a concepção de uma visão que se liga reflexivamente a seu objeto.
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 +  * A subjetividade deve ser compreendida como inerência ao mundo.
 +    * O mundo é inseparável das visões sobre o mundo.
 +    * A subjetividade não é instância separada, mas modo de habitar o mundo.
 +    * A noção de projeto do mundo define a subjetividade.
 +
 +  * A crítica à distinção hylè e morphè dissolve a ideia de sensação isolada.
 +    * Não existe sensação sem comunicação com outras sensações.
 +    * Não há matéria sensível insignificante aguardando forma.
 +    * Não existe apreensão encarregada de impor unidade a priori à experiência.
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 +  * A experiência intersubjetiva é exemplificada pela percepção compartilhada da paisagem.
 +    * Rejeita-se a tese de sensações privadas incomunicáveis.
 +    * A paisagem não é apenas identidade específica nem numérica abstrata.
 +    * A percepção não se vive como encerramento em vivências privadas.
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 +  * O gesto apontado revela a copresença no mundo.
 +    * O gesto do outro não é interpretado como signo interno.
 +    * Ele mostra diretamente o mesmo objeto percebido.
 +    * Os gestos invadem o mundo do outro e orientam o olhar.
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 +  * A relação com o outro funda-se no compartilhamento do mesmo mundo.
 +    * O outro não é concebido como fluxo privado de vivências.
 +    * A comunicação ocorre através do mundo e da história comuns.
 +    * O mundo vivido é condição da intersubjetividade.
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 +  * A unidade ideal do mundo é insuficiente para explicar a copresença.
 +    * A idealidade permite identidade abstrata sem copresença.
 +    * A distância temporal e espacial dissolve a unidade vivida.
 +    * A paisagem é a mesma para sujeitos copresentes no tempo e no espaço.
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 +  * A ecceidade do mundo funda a universalidade vivida.
 +    * A paisagem toca e afeta o sujeito singularmente.
 +    * Essa afecção singular funda o acesso universal ao mundo.
 +    * A universalidade emerge no coração da individualidade.
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 +  * O mundo é compreendido como campo de experiência.
 +    * O sujeito não é instância exterior ao mundo.
 +    * O sujeito é uma visão do mundo.
 +    * A qualidade sensível esboça a coisa e a coisa esboça o mundo.
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 +  * Um mundo inacabado exclui um sujeito constituinte absoluto.
 +    * O mundo nunca está completamente constituído.
 +    * A abertura do mundo exige uma subjetividade aberta.
 +    * Rejeita-se a ideia de um sujeito que totaliza o mundo.
 +
 +  * A unidade do mundo corresponde a uma unidade aberta da subjetividade.
 +    * A unidade do Eu não é plenamente experimentada.
 +    * Ela é invocada a cada percepção e evidência.
 +    * O Eu universal funciona como fundo das figuras da experiência.
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 +  * O Cogito tácito é definido como projeto original do mundo.
 +    * Ele não se reduz a atos particulares de pensamento.
 +    * Ele é campo e experiência.
 +    * É continuidade de uma vida inaugurada pelo nascimento.
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 +  * O nascimento é compreendido como acontecimento transcendental.
 +    * Não é evento objetivo que se esgota no passado.
 +    * Ele inaugura uma situação aberta ao porvir.
 +    * O mundo recebe nova camada de significação.
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 +  * A primeira percepção permanece como tradição viva.
 +    * Ela é sempre presente como horizonte de experiência.
 +    * O sujeito pensante permanece essa primeira percepção.
 +    * A vida é uma única sequência temporal contínua.
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 +  * Rejeita-se a concepção de atos psíquicos isolados.
 +    * Não há série de Erlebnisse independentes.
 +    * A experiência é uma coesão de vida.
 +    * A temporalidade unifica a subjetividade.
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 +  * O Cogito reencontra esse advento originário.
 +    * A primeira verdade é Eu penso.
 +    * Isso significa ser para si estando no mundo.
 +    * A subjetividade é inseparável da mundanidade.
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 +  * A tentativa de isolamento radical conduz ao vazio.
 +    * A suspensão de todas as crenças revela um fundo inumano.
 +    * Surge apenas o fantasma de um mundo possível.
 +    * O interior e o exterior permanecem inseparáveis.
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 +  * A estrutura perceptiva exige coesão e distância.
 +    * A percepção integra partes sem suprimi-las.
 +    * A sucessão temporal é condição da melodia.
 +    * A unidade mantém a diferença.
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 +  * A compreensão do mundo é simultaneamente ativa e passiva.
 +    * O sujeito compreende o mundo porque está situado nele.
 +    * O mundo compreende o sujeito porque o envolve.
 +    * Trata-se de um mesmo ponto de vista.
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 +  * A situação é condição da subjetividade.
 +    * A subjetividade não é relação apenas pensada.
 +    * Ela realiza sua ipseidade sendo corpo.
 +    * O corpo é mediação essencial com o mundo.
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 +  * A essência da subjetividade coincide com corpo e mundo.
 +    * A subjetividade concreta é inseparável do corpo-aqui.
 +    * Ela é inseparável do mundo-aqui.
 +    * Mundo e corpo ontológicos habitam o coração do sujeito.
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 +  * O mundo e o corpo reconhecidos não são ideias abstratas.
 +    * São o mundo contraído em apreensão global.
 +    * São o corpo como corpo cognoscente.
 +    * A subjetividade é essa contração viva do ser.
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 +{{tag>Merleau-Ponty subjetividade}}