estudos:merleau-ponty:1945:juizo
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| + | ====== Juízo ====== | ||
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| + | === Intelectualismo, | ||
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| + | * Projeto intelectualista e crítica ao empirismo | ||
| + | * O intelectualismo pretende descobrir a estrutura da percepção por reflexão. | ||
| + | * Rejeita a explicação associacionista baseada em forças e atenção. | ||
| + | * Contudo, seu acesso à percepção permanece indireto. | ||
| + | * Ele não alcança as operações efetivas da consciência. | ||
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| + | * Função do juízo na análise intelectualista | ||
| + | * O juízo é introduzido como aquilo que falta à sensação para haver percepção. | ||
| + | * A sensação deixa de ser tomada como elemento real da consciência. | ||
| + | * Apesar disso, a estrutura da percepção é reconstruída a partir do esquema sensorial. | ||
| + | * A análise permanece dominada por um resíduo empirista. | ||
| + | * A sensação é admitida apenas como limite da consciência. | ||
| + | * Serve para manifestar uma potência de ligação que lhe é oposta. | ||
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| + | * Juízo como refutação do empirismo | ||
| + | * O intelectualismo vive da refutação do empirismo. | ||
| + | * O juízo anula a dispersão possível das sensações. | ||
| + | * A análise reflexiva leva as teses empiristas ao absurdo. | ||
| + | * Demonstra sua insuficiência por redução. | ||
| + | * Porém, essa redução não garante contato com a experiência efetiva. | ||
| + | * O risco permanece de trocar uma intuição cega por um conceito vazio. | ||
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| + | * Esvaziamento da função do juízo | ||
| + | * O juízo torna-se uma função geral de ligação. | ||
| + | * Indiferente aos objetos. | ||
| + | * Reduzido a força psíquica ou operação lógica. | ||
| + | * Ele deixa de ser atividade constituinte. | ||
| + | * Passa a ser fator explicativo entre outros. | ||
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| + | * Exemplo da cera e perda da estrutura perceptiva | ||
| + | * A análise clássica elimina as qualidades sensíveis da cera. | ||
| + | * Odor, cor, sabor desaparecem. | ||
| + | * Resta apenas a potência abstrata de variações geométricas. | ||
| + | * Definição científica do objeto. | ||
| + | * A cera percebida é perdida. | ||
| + | * Sua permanência perceptiva. | ||
| + | * Seu horizonte interior de variação. | ||
| + | * Suas antecipações sensíveis implícitas. | ||
| + | * A estrutura perceptiva do objeto é ignorada. | ||
| + | * Em favor de determinações predicativas fechadas. | ||
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| + | * Percepção como juízo interpretativo | ||
| + | * O que não se fixa na retina é declarado não visto. | ||
| + | * É apenas julgado como presente. | ||
| + | * A percepção é redefinida como interpretação de signos sensoriais. | ||
| + | * Hipótese explicativa do espírito. | ||
| + | * A visão torna-se construção intelectual. | ||
| + | * O excesso perceptivo vira prova de juízo. | ||
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| + | * Regressão do juízo a função lógica | ||
| + | * O juízo explica o que o corpo não fornece. | ||
| + | * Não constitui o fenômeno. | ||
| + | * Ele não é mais atividade transcendental. | ||
| + | * Torna-se inferência lógica. | ||
| + | * A reflexão abandona o fenômeno. | ||
| + | * Constrói a percepção em vez de revelá-la. | ||
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| + | * Perda da operação primordial | ||
| + | * Escapa a operação que dá sentido ao sensível. | ||
| + | * Aquela que precede mediações lógicas. | ||
| + | * Aquela que precede causalidades psicológicas. | ||
| + | * A análise intelectualista torna incompreensíveis os fenômenos. | ||
| + | * Justamente os que deveria esclarecer. | ||
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| + | * Dissolução da distinção entre sentir e julgar | ||
| + | * O juízo invade todo o campo perceptivo. | ||
| + | * Onde não há sensação pura, há juízo. | ||
| + | * Termos como ver, ouvir, sentir perdem sentido próprio. | ||
| + | * A experiência comum distingue claramente: | ||
| + | * Sentir: acolher a aparência. | ||
| + | * Julgar: tomar posição válida universalmente. | ||
| + | * O intelectualismo apaga essa distinção. | ||
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| + | * Recusa sistemática do testemunho fenomenal | ||
| + | * Fenômenos são reinterpretados contra sua evidência. | ||
| + | * Peso aparente é julgado, não sentido. | ||
| + | * Onde não há estímulo físico, não há sentir. | ||
| + | * Tudo se reduz a juízo. | ||
| + | * A ilusão sensível é negada como sensível. | ||
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| + | * Caso das figuras ambíguas | ||
| + | * O saber não força a mudança perceptiva. | ||
| + | * A realização intuitiva é necessária. | ||
| + | * Isso mostra que julgar não é perceber. | ||
| + | * Contudo, o intelectualismo conclui o oposto. | ||
| + | * A concepção comandaria a percepção. | ||
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| + | * Consequências paradoxais | ||
| + | * Se ver é julgar: | ||
| + | * Como distinguir percepção verdadeira e falsa? | ||
| + | * Como diferenciar ver de crer que se vê? | ||
| + | * A distinção reaparece implicitamente. | ||
| + | * Juízo motivado versus juízo vazio. | ||
| + | * A diferença reside no sensível. | ||
| + | * Não na forma do juízo. | ||
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| + | * Conclusão fenomenológica | ||
| + | * Perceber não é julgar. | ||
| + | * É apreender um sentido imanente ao sensível. | ||
| + | * O juízo é expressão facultativa. | ||
| + | * Não fundamento da percepção. | ||
| + | * O intelectualismo falha: | ||
| + | * Em compreender a percepção verdadeira. | ||
| + | * Em compreender a ilusão que a imita. | ||
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