estudos:mattei:mattei-1989151-153-patria-heimat
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| + | ===== PÁTRIA (1989: | ||
| + | A Carta sobre o Humanismo de 1946, cujas conotações políticas são bem conhecidas, caracteriza o projeto ontológico fundamental de Heidegger nesses termos, fiel ao que Nietzsche já havia chamado de “a concepção estrita do solo natal”: | ||
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| + | Essa proximidade com o Ser, que é em si o “aí” do ser-aí (Dasein), o discurso sobre a elegia de Hölderlin Heimkunft (1943), que é concebida a partir de Sein und Zeit, a denomina “a pátria”, usando uma palavra emprestada da própria canção do poeta e partindo da experiência do esquecimento do Ser. A palavra é aqui entendida em seu sentido essencial, não em um sentido patriótico ou nacionalista, | ||
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| + | Não podemos nos limitar apenas à forma ontológica dessa ausência, deixando de lado as implicações ônticas e, portanto, éticas e políticas, que ela naturalmente exige em Nietzsche e Heidegger. O homem que escreveu em A Gaia Ciência (§ 377): | ||
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| + | “Nós outros, 'sem pátria' | ||
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| + | e fez seu Zaratustra dizer: | ||
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| + | “Do alto de todas as montanhas, eu procuro por pátrias e terras natais. Mas não encontrei nenhuma (...) sou expulso de minha pátria e de minha terra natal” (II, 14), | ||
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| + | era de fato o mesmo homem que finalmente havia conquistado, | ||
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| + | O socratismo não tem senso de pátria, apenas de Estado (GA6). | ||
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| + | É a partir de uma perspectiva indissoluvelmente ôntica e ontológica que Heidegger comenta a observação anterior sobre Hölderlin e Nietzsche na Carta sobre o Humanismo: | ||
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| + | A ausência de uma pátria que, portanto, permanece para ser pensada, está no abandono do Ser próprio do ente. É o sinal do esquecimento do ser. (GA9) | ||
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| + | De forma diretamente política desta vez, o autor não hesita em mostrar que hoje “a ausência de pátria está se tornando um destino global” — onde o mundo é aqui diretamente visado, e não simplesmente a história — referindo-se, | ||
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| + | O que Marx, a partir de Hegel, reconheceu em um sentido importante e essencial como a alienação do homem tem suas raízes na falta de pátria do homem moderno. (GA9) | ||
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| + | (MATTÉI, J.-F. L’ordre du monde: Platon, Nietzsche, Heidegger. Paris: PUF, 1989) | ||
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