estudos:marion:rd:fenomeno-reduzido
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| + | ====== Fenômeno reduzido ====== | ||
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| + | //MARION, Jean-Luc. Réduction et donation: Recherches sur Husserl, Heidegger et la phénoménologie. Paris: PUF, 1989.// | ||
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| + | **3 - O " | ||
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| + | * Determinar a fenomenalidade do fenômeno parece não oferecer dificuldade insuperável para a fenomenologia como ciência dos fenômenos, mas Husserl não respeita o princípio de retorno às coisas mesmas, pois nas Ideias diretrizes esse princípio entra em concorrência com o princípio de todos os princípios, | ||
| + | * A norma fenomenológica exige nada reivindicar que não se torne essencialmente evidente à consciência mesma na pura imanência, de modo que retornar às coisas mesmas significa retornar à evidência dada por intuição à consciência, | ||
| + | * Heidegger, em 1962, conclui que o apelo à coisa mesma vale como consolidação do método, e que a legitimidade do princípio de todos os princípios provém da subjetividade transcendental já pressuposta como a coisa da filosofia, estigmatizando o deslocamento da fenomenologia de ciência dos fenômenos a ciência da consciência | ||
| + | * Objeta-se que Husserl, pelo princípio de todos os princípios, | ||
| + | * Ainda assim a contestação heideggeriana procede, pois em Husserl a fenomenalidade dos fenômenos se interpreta como doação, e a doação se interpreta por sua vez como doação de uma presença efetiva para a consciência em vista de uma certeza, de modo que a consciência determina a fenomenalidade reduzindo todo fenômeno à certeza de uma presença efetiva | ||
| + | * Três observações se impõem a esse respeito | ||
| + | * A doação dos fenômenos, tomados tal como se dão, os apresenta ao presente sob a figura da efetividade, | ||
| + | * O que aparece é admitido como tal não por aparecer, mas por aparecer a uma instância estabelecida de antemão como originária, | ||
| + | * O indício mais claro da submissão da fenomenalidade à consciência está na definição do fenômeno a partir do vivido (Erlebnis); Husserl denuncia a equivocidade do termo Erscheinung, | ||
| + | * Essa dualidade equívoca permanece necessária porque constitui a conquista fundamental da fenomenologia husserliana, | ||
| + | * A regência do fenômeno pelo Erlebnis se confirma pela definição da verdade como o Erlebnis da verdade, de modo que a verdade, cumprimento da fenomenalidade, | ||
| + | * A consciência determina radicalmente a fenomenalidade impondo-lhe a refletividade da presença, o absoluto da intuição e a prova do vivido, de modo que o retorno às coisas mesmas se limita a um retorno às fontes da intuição, e o fenômeno assim obtido recebe, com sua pureza, o limite de fenômeno reduzido | ||
| + | * A evidência é a consciência que se vê, se apreende direta e adequadamente em pessoa mesma, de sorte que a doação de si em pessoa se torna o único modo de ser correto do fenômeno, pois todo Erlebnis efetivamente vivo é um vivido que é a título de presente | ||
| + | * O fenômeno reduzido se vê reduzido ao ente presente aqui e agora, e se a doação absoluta é um termo último, a presença absoluta se torna um termo primeiro, aquém do qual não se pode falar de fenômeno nem de vivido | ||
| + | * A distância entre a coisa transcendente e o vivido imanente só se aprofunda ao se compreender ambos os termos segundo a doação em carne e em pessoa, isto é, segundo a presença, de modo que toda coisidade dada em pessoa pode, apesar disso, também não ser, enquanto nenhum vivido dado em pessoa pode também não ser | ||
| + | * O vivido prevalece a título de objeto por excelência, | ||
| + | * O ser imanente ou absoluto e o ser transcendente se dizem ambos ente e objeto, mas a redução do fenômeno a uma fenomenalidade da objetividade se manifesta plenamente na impossibilidade husserliana de considerar o não presente, pois a percepção de coisa não presentifica um termo não presente, mas torna presente, apreendendo a coisa mesma em sua presença carnal | ||
| + | * Como a fenomenalidade do fenômeno reduzido se reduz à presença objetiva e permanente, todo fenômeno que não se reduz a essa presença se exclui a si mesmo da fenomenalidade, | ||
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