estudos:malabou:malabou-2011-o-tempo
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| + | ====== O Tempo (2011) ====== | ||
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| + | //Data: 2024-10-10 14:24// | ||
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| + | A questão do tempo é, sem dúvida, uma das mais difíceis e de maior alcance que o pensamento filosófico pode abordar, especialmente porque os desenvolvimentos na ciência contemporânea a tornaram ainda mais complexa ao longo do século XX. Para enfrentá-la, | ||
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| + | 1. Em primeiro lugar, devemos evitar apelar para a experiência imediata, emocional e patética do tempo: o tempo nos faz envelhecer, morrer, nos causa angústia e assim por diante. Precisamos tomar cuidado com o discurso excessivamente fácil da nostalgia, que, na maioria das vezes, obscurece a própria nostalgia. | ||
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| + | 2. Em segundo lugar, em uma tentativa de afastar o primeiro perigo, devemos evitar mergulhar de cabeça nos livros para construir um catálogo de doutrinas. | ||
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| + | 3. Em terceiro lugar, evite acreditar que há respostas prontas para a pergunta: o tempo é subjetivo (ele se origina na mente ou na alma?) ou objetivo (ele se origina no mundo?). Devemos opor o tempo vivido ao tempo histórico, ou o tempo da natureza ao tempo definido como duração? Essas oposições, | ||
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| + | 4. Uma última armadilha é a proliferação de áreas de pesquisa e tentativas de ilustrar a questão filosófica por outros meios: o tempo na literatura, na música, na fotografia etc. Essas incursões em campos não filosóficos são certamente úteis, mas, para serem proveitosas, | ||
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| + | Esse conselho não é puramente formal. As armadilhas que eles recomendam evitar são, de fato, definidas para o pensamento pelo próprio tempo. Vamos dar uma olhada nelas novamente: | ||
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| + | A passagem do tempo é sinônimo de envelhecimento e declínio. Isso é verdade. No entanto, surge imediatamente uma dificuldade: | ||
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| + | Essa primeira dificuldade leva a um exame da segunda armadilha. Uma investigação filosófica sobre o tempo certamente deve se basear em um estudo das diferentes concepções de tempo na história da filosofia. De fato, existe alguma outra maneira de abordar o tempo que não seja cronologicamente? | ||
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| + | Se essa riqueza e pluralidade resistem a um exame que seria uma simples crônica, não é porque é impossível dar uma definição simples, ou seja, unívoca, do tempo? Existe o tempo linear: o tempo da natureza, que mede a alternância do dia e da noite, das estações, o tempo universal do relógio, que é dividido em unidades quantificáveis. Mas podemos ver imediatamente que esse tempo não pode ser o mesmo que o tempo que torna a existência individual uma duração concreta dentro da qual o passado, o presente e o futuro são continuamente compostos uns com os outros sem que seja possível submetê-los à aritmética. Para resolver a dificuldade, | ||
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| + | Finalmente, se o tempo é uno em seu conceito e múltiplo em suas manifestações, | ||
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| + | //PS: MALABOU, Catherine. Le Temps. Paris: La Gaya Scienza, 2011// | ||
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