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estudos:macdowell:macdowell-tradition-tradicao

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-===== MACDOWELL: TRADITION - tradição =====+===== TRADITION - tradição =====
 A tradição é entendida aqui como a mentalidade comum, a interpretação do mundo e da vida geralmente recebida. O espírito humano emerge, a partir desta tradição, e cresce no seu seio. É de acordo com ela que ele se entende, de início, e em certa medida, sempre. Esta compreensão dita as suas possibilidades de ser e as regula. Sob o domínio da tradição o homem perde a faculdade de interrogar e de escolher. Entretanto, a tradição, de início e de ordinário, longe de manifestar o que ela transmite, o encobre. Todo e qualquer conceito ou frase, haurido originalmente dos fenômenos, está exposto, enquanto comunicado sob a forma de proposição, à possibilidade de degeneração. Na proposição o ente está descoberto de um determinado modo e esta descoberta é posta ao alcance de todos. Quem recebe esta comunicação entende o ente em questão através da proposição. Mas, ao ouvi-la, e repeti-la, ele pode julgar-se dispensado de realizar, por si mesmo, numa experiência pessoal, o descobrimento do ente. Na medida em que isto acontece, os conceitos são transmitidos numa compreensão sempre mais vazia, sob a forma de teses estereotipadas, sem apoio no terreno vivo e fértil dos fenômenos. Destarte, o que tinha servido, no princípio, para uma manifestação talvez genuína e, em todo caso, original, do ente, torna-se, no curso da tradição, um véu mais ou menos opaco que desfigura ou intercepta de todo a visão original dos fenômenos. E esta degeneração, a que está exposta qualquer descoberta do ente por ocasião de sua comunicação, mais que uma simples possibilidade, constitui a lei ordinária da tradição. De fato, aquilo que é repetido por todos torna-se, por isso mesmo, algo de trivial e evidente. Todo mundo sabe de que se trata e esta compreensão mediana e medíocre nos basta. Ninguém se dá ao trabalho de observar as próprias coisas, de verificar, por si mesmo, nas "fontes", o sentido original das palavras e das proposições recebidas da tradição, de pôr em questão a autenticidade da interpretação tradicional dos fenômenos. Deste modo, a tradição não só esconde sob a capa de uma compreensão vazia os fenômenos que ela pretende manter descobertos, mas também, em virtude desta pretensão, incute a desnecessidade de redescobri-los. A tradição é entendida aqui como a mentalidade comum, a interpretação do mundo e da vida geralmente recebida. O espírito humano emerge, a partir desta tradição, e cresce no seu seio. É de acordo com ela que ele se entende, de início, e em certa medida, sempre. Esta compreensão dita as suas possibilidades de ser e as regula. Sob o domínio da tradição o homem perde a faculdade de interrogar e de escolher. Entretanto, a tradição, de início e de ordinário, longe de manifestar o que ela transmite, o encobre. Todo e qualquer conceito ou frase, haurido originalmente dos fenômenos, está exposto, enquanto comunicado sob a forma de proposição, à possibilidade de degeneração. Na proposição o ente está descoberto de um determinado modo e esta descoberta é posta ao alcance de todos. Quem recebe esta comunicação entende o ente em questão através da proposição. Mas, ao ouvi-la, e repeti-la, ele pode julgar-se dispensado de realizar, por si mesmo, numa experiência pessoal, o descobrimento do ente. Na medida em que isto acontece, os conceitos são transmitidos numa compreensão sempre mais vazia, sob a forma de teses estereotipadas, sem apoio no terreno vivo e fértil dos fenômenos. Destarte, o que tinha servido, no princípio, para uma manifestação talvez genuína e, em todo caso, original, do ente, torna-se, no curso da tradição, um véu mais ou menos opaco que desfigura ou intercepta de todo a visão original dos fenômenos. E esta degeneração, a que está exposta qualquer descoberta do ente por ocasião de sua comunicação, mais que uma simples possibilidade, constitui a lei ordinária da tradição. De fato, aquilo que é repetido por todos torna-se, por isso mesmo, algo de trivial e evidente. Todo mundo sabe de que se trata e esta compreensão mediana e medíocre nos basta. Ninguém se dá ao trabalho de observar as próprias coisas, de verificar, por si mesmo, nas "fontes", o sentido original das palavras e das proposições recebidas da tradição, de pôr em questão a autenticidade da interpretação tradicional dos fenômenos. Deste modo, a tradição não só esconde sob a capa de uma compreensão vazia os fenômenos que ela pretende manter descobertos, mas também, em virtude desta pretensão, incute a desnecessidade de redescobri-los.
  
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