| (...) três proposições sobre a vida: (1) a vida é uma "unidade sequencial e um processo de maturação" (Einheit der Folge und Zeitigung), a temporalização de um período de tempo delimitado, um processo-múltiplo (Zeitigung, Erstreckung, Vollzugsmannigfaltigkeit) que se coaduna e "se mantém unido" — mesmo que a coesão ocorra através de um distanciamento original que se pode tornar "uma aversão original" (Ursprungsabstdndlichkeit) e até "hostilidade direta", 6 (2) a extensão temporal da vida traz consigo uma sequência de possibilidades, que devem ser tomadas num sentido estritamente fenomenológico, não como possibilidades lógicas ou como possibilidade transcendental a priori; (3) a vida combina os sentidos de (1) e (2) ao ser o colapso — ou, talvez, a imposição — de possibilidades (möglichkeitsverfallen), o selar da vida com e por possibilidades (möglichkeitsgeladen und sich Selbst ladend), ou a própria formação e cultivo de possibilidades (Möglichkeiten bildend; cf. weltbildend nas conferências de biologia de 1929-1930). O todo (das Ganze) da vida, enquanto processo temporal de uma extensão limitada de possibilidades que nós moldamos e que nos moldam e nos sucedem, chama-se atualidade, Wirklichkeit, "de fato, a realidade na sua imprevisibilidade específica como poder, destino (Schicksal)". Se tentarmos reduzir esta complexa descrição tripartida da vida a uma única afirmação, podemos dizer que a vida se processa como uma extensão limitada de possibilidades, algumas que escolhemos e cultivamos, outras com as quais estamos sobrecarregados, todas essas possibilidades — mas especialmente aquelas sobre as quais não exercemos qualquer controlo — constituindo o caráter destinado ou fatídico da vida. | (...) três proposições sobre a vida: (1) a vida é uma "unidade sequencial e um processo de maturação" (Einheit der Folge und Zeitigung), a temporalização de um período de tempo delimitado, um processo-múltiplo (Zeitigung, Erstreckung, Vollzugsmannigfaltigkeit) que se coaduna e "se mantém unido" — mesmo que a coesão ocorra através de um distanciamento original que se pode tornar "uma aversão original" (Ursprungsabstdndlichkeit) e até "hostilidade direta", 6 (2) a extensão temporal da vida traz consigo uma sequência de possibilidades, que devem ser tomadas num sentido estritamente fenomenológico, não como possibilidades lógicas ou como possibilidade transcendental a priori; (3) a vida combina os sentidos de (1) e (2) ao ser o colapso — ou, talvez, a imposição — de possibilidades (möglichkeitsverfallen), o selar da vida com e por possibilidades (möglichkeitsgeladen und sich Selbst ladend), ou a própria formação e cultivo de possibilidades (Möglichkeiten bildend; cf. weltbildend nas conferências de biologia de 1929-1930). O todo (das Ganze) da vida, enquanto processo temporal de uma extensão limitada de possibilidades que nós moldamos e que nos moldam e nos sucedem, chama-se atualidade, Wirklichkeit, "de fato, a realidade na sua imprevisibilidade específica como poder, destino (Schicksal)". Se tentarmos reduzir esta complexa descrição tripartida da vida a uma única afirmação, podemos dizer que a vida se processa como uma extensão limitada de possibilidades, algumas que escolhemos e cultivamos, outras com as quais estamos sobrecarregados, todas essas possibilidades — mas especialmente aquelas sobre as quais não exercemos qualquer controlo — constituindo o caráter destinado ou fatídico da vida. |