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estudos:krell:krell-1994364-365-hermeneutica

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-===== KRELL (1994:364-365) – HERMENÊUTICA =====+===== HERMENÊUTICA (1994:364-365) =====
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 Logo, a hermenêutica não é a ciência fria da facticidade, não é uma metodologia que nos permite abordar friamente a vida de forma factual; pelo contrário, a hermenêutica é a vida factual pega em flagrante, vigilantemente pega no ato de se interpretar a si própria. A hermenêutica da facticidade não é como a botânica das plantas (GA63 15; cf. SZ 46), em que a vida vegetal é o objeto de uma ciência botânica; pelo contrário, dizer facticidade é dizer interpretação (...). Num certo sentido, o genitivo em "hermenêutica da facticidade" é tanto subjetivo como objetivo: a vida factual interpreta tanto como vive. Mas o que é que a vida factual inclui? O que é que ela exclui? Estas questões não são colocadas por Heidegger, talvez devido a uma certa solidariedade da vida, solidariedade com a vida, ou talvez devido a uma vigilância insuficiente. No entanto, temos uma ideia do tipo de vida a que Heidegger se refere quando o ouvimos dizer, no final do seu curso: "A vida dirige-se a si própria de uma forma mundana sempre que se preocupa (Sorge)" (GA63 102, Das Leben spricht sich im Sorgen weltlich an). A vida, o tipo de vida que fascina Heidegger, é a que tem um mundo, a que se relaciona com um mundo. Nas suas observações sobre a biologia teórica em 1930, nada de essencial terá mudado no que respeita à relação da vida com o mundo. E se entre as páginas dispersas das notas para o curso de 1923 sobre a hermenêutica da facticidade encontramos um pot-pourri de nomes — Aristóteles, o Novo Testamento, Agostinho, Lutero, Descartes e Kierkegaard — dois nomes se destacam, nomeadamente Dilthey e Husserl. O que Heidegger pretende é uma hermenêutica fenomenológica da vida histórica factual, uma tarefa que ele reduz a duas palavras: Dilthey destruiert, "Dilthey desconstruído". (106-7). Logo, a hermenêutica não é a ciência fria da facticidade, não é uma metodologia que nos permite abordar friamente a vida de forma factual; pelo contrário, a hermenêutica é a vida factual pega em flagrante, vigilantemente pega no ato de se interpretar a si própria. A hermenêutica da facticidade não é como a botânica das plantas (GA63 15; cf. SZ 46), em que a vida vegetal é o objeto de uma ciência botânica; pelo contrário, dizer facticidade é dizer interpretação (...). Num certo sentido, o genitivo em "hermenêutica da facticidade" é tanto subjetivo como objetivo: a vida factual interpreta tanto como vive. Mas o que é que a vida factual inclui? O que é que ela exclui? Estas questões não são colocadas por Heidegger, talvez devido a uma certa solidariedade da vida, solidariedade com a vida, ou talvez devido a uma vigilância insuficiente. No entanto, temos uma ideia do tipo de vida a que Heidegger se refere quando o ouvimos dizer, no final do seu curso: "A vida dirige-se a si própria de uma forma mundana sempre que se preocupa (Sorge)" (GA63 102, Das Leben spricht sich im Sorgen weltlich an). A vida, o tipo de vida que fascina Heidegger, é a que tem um mundo, a que se relaciona com um mundo. Nas suas observações sobre a biologia teórica em 1930, nada de essencial terá mudado no que respeita à relação da vida com o mundo. E se entre as páginas dispersas das notas para o curso de 1923 sobre a hermenêutica da facticidade encontramos um pot-pourri de nomes — Aristóteles, o Novo Testamento, Agostinho, Lutero, Descartes e Kierkegaard — dois nomes se destacam, nomeadamente Dilthey e Husserl. O que Heidegger pretende é uma hermenêutica fenomenológica da vida histórica factual, uma tarefa que ele reduz a duas palavras: Dilthey destruiert, "Dilthey desconstruído". (106-7).
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