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estudos:krell:krell-1989-memoria

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-===== KRELL (1989) – MEMÓRIA =====+===== MEMÓRIA (1989) =====
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 Há muito tempo que nós, ocidentais, pensamos na memória como uma espécie de tipografia em que os vestígios de pessoas, lugares e coisas são gravados ou "dactilografados" na tábua de cera da mente. Mesmo depois de passado o momento da percepção, esses caracteres ou tipos perduram como traços de memória. A sua própria persistência implica que esses traços ou imagens estão em relação iconográfica com "as próprias coisas". A tipografia produz — ou pelo menos promete — uma iconografia. No entanto, o tempo passa. As pessoas, os lugares e as coisas passam. Os ícones que conservamos estão presentes quando nos lembramos, mas as coisas em si estão ausentes, passadas, ultrapassadas. A única forma de restaurar a presença do que passou é recolher os ícones como se fossem constitutivos das próprias coisas (passadas), "constitutivos" da mesma forma que as letras constituem um texto. Recordar é uma espécie de leitura, movendo-se através de um meio que se apaga absolutamente e deixa as coisas (passadas) mostrarem-se através do seu diafane. Tal como você, que está a ler estas minhas linhas e letras, as percorre sem esforço para ver o que quero dizer, também os ícones da memória, inscritos tipograficamente, podem ser recolhidos. A memória é engramatologia, a recolha de marcas incisas ou engramas como se fossem letras, γράμματα. Há muito tempo que nós, ocidentais, pensamos na memória como uma espécie de tipografia em que os vestígios de pessoas, lugares e coisas são gravados ou "dactilografados" na tábua de cera da mente. Mesmo depois de passado o momento da percepção, esses caracteres ou tipos perduram como traços de memória. A sua própria persistência implica que esses traços ou imagens estão em relação iconográfica com "as próprias coisas". A tipografia produz — ou pelo menos promete — uma iconografia. No entanto, o tempo passa. As pessoas, os lugares e as coisas passam. Os ícones que conservamos estão presentes quando nos lembramos, mas as coisas em si estão ausentes, passadas, ultrapassadas. A única forma de restaurar a presença do que passou é recolher os ícones como se fossem constitutivos das próprias coisas (passadas), "constitutivos" da mesma forma que as letras constituem um texto. Recordar é uma espécie de leitura, movendo-se através de um meio que se apaga absolutamente e deixa as coisas (passadas) mostrarem-se através do seu diafane. Tal como você, que está a ler estas minhas linhas e letras, as percorre sem esforço para ver o que quero dizer, também os ícones da memória, inscritos tipograficamente, podem ser recolhidos. A memória é engramatologia, a recolha de marcas incisas ou engramas como se fossem letras, γράμματα.
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