estudos:herrmann:1985-4
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| + | ===== Zeitlichkeit (1985:IV) ===== | ||
| + | //HERRMANN, Friedrich-Wilhelm von. Subjekt und Dasein: Interpretationen zu “Sein und Zeit”. Frankfurt am Main: V. Klostermann, | ||
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| + | A dificuldade especial que se coloca para a interpretação das análises sistemáticas do tempo em “Ser e Tempo” tem sua razão, por um lado, no fato de termos diante de nós um projeto filosófico do tempo que não se vincula conscientemente nem à compreensão pré-filosófica e cotidiana do tempo nem às teorias tradicionais do tempo; por outro lado, a apropriação filosofante é dificultada pelo fato de as análises do tempo não apresentarem um tratado do tempo mais ou menos fechado em si mesmo, como o de Aristóteles, | ||
| + | * Pré-filosoficamente, | ||
| + | * A filosofia tradicional do tempo tem em comum com a compreensão pré-filosófica do tempo a orientação do tempo pelo agora e pelo fluxo do agora, e o que faz o tempo como tempo parece residir no agora e em seu fluir, a partir do qual o passado é compreendido como não-mais-agora e o futuro como ainda-não-agora, | ||
| + | * A crítica de Heidegger à teoria filosófica do tempo diz que o temporal do tempo não reside primariamente no agora e em suas modificações, | ||
| + | * A questão de Heidegger pela essência originária do tempo é ao mesmo tempo a questão pelo sentido do ser em geral, e ambas as questões, que em última análise são uma e a mesma, estão unidas na fórmula “Ser e Tempo”, pois perguntar por ser e tempo significa pensar a essência originária do ser a partir da essência originária do tempo e a essência originária do tempo a partir da essência originária do ser. | ||
| + | * A questão universal, que abrange a totalidade da filosofia, pelo sentido do ser em geral é a questão pelo simples da multiplicidade no ser do ente, e o ente é compreendido como ente em seu ser, mas o ente não é apenas numeroso, mas também ente de diferente espécie de ser: ente na espécie de ser do ser-à-mão, | ||
| + | * A questão de Heidegger pelo sentido do ser em geral visa aquele simples do ser que precede a multiplicidade das espécies de ser e suas categorias; na medida em que compreendemos o ente em seu ser-à-mão, | ||
| + | * O simples do ser possibilita a multiplicidade do ser do ente e é, portanto, mais originário do que o ser do ente; a questão por essa origem possibilitadora não é mais a questão ontológica usual pelo ser do ente que se desdobra categorialmente, | ||
| + | * A questão fundamental-ontológica pelo sentido do ser em geral (o “em geral” visa o ser como o simples antes da multiplicidade do ser categorial do ente) é exposta de tal modo que se pergunta pelas estruturas da compreensão, | ||
| + | * O ser em geral e o ser do ente são compreendidos de tal modo que nessa compreensão nos relacionamos compreensivamente com nosso próprio ser, e compreender, | ||
| + | * Como a compreensão tem o caráter de ser do estar-aberto (Erschlossensein), | ||
| + | * Somente com base na abertura do ser em geral, mantida aberta existencialmente e aberta no estar-aberto próprio do homem, ele compreende o ser do ente não-humano interpretável categorialmente como modos de descoberta (Entdecktheit); | ||
| + | * Com a abertura do ser em geral já estamos no sentido buscado do ser em geral, no simples do múltiplo no ser do ente, embora ainda não em sua interpretação mais originária; | ||
| + | * O fato de que só podemos compreender o ser do ente em sua multiplicidade no sempre já aberto previamente do simples do ser, de que essa abertura e abertura ([[lx> | ||
| + | * A isso pertence também o pensamento de que a questão fundamental-ontológica não pode evidenciar analiticamente o simples do ser de modo imediato, mas apenas pelo caminho de uma análise da existência do Da-sein, em cujos existenciais o simples do ser é dado como a abertura do ser em geral; a análise existencial divide-se na análise fundamental preparatória (Vorbereitende Fundamentalanalyse), | ||
| + | * A cura é a totalidade articulada em si de projeto ([[lx> | ||
| + | * Decisivo para a compreensão da abordagem fundamental-ontológica em “Ser e Tempo” é a diferença que vigora entre a abertura do ser em geral e o modo como o Da-sein, como cura tríplice, em cuja realização a abertura do ser em geral está aberta, está aberto para si mesmo; essa diferença é geralmente negligenciada, | ||
| + | * Isso não leva, porém, a que a abertura do ser em geral coincida com a cura, isto é, com o modo como o Da-sein está aberto para si mesmo em seus existenciais, | ||
| + | * Como o ser em geral só está aberto na cura do Da-sein, o caminho analítico para ele passa pela análise da existência como cura; uma vez que nos dois primeiros capítulos de “Ser e Tempo”, que contêm a analítica do Da-sein, trata-se da evidenciação dos existenciais que constituem a existência, | ||
| + | * Com a cura, o ser do Da-sein ainda não está esgotado, pois com ela a totalidade das estruturas existenciais foi vislumbrada, | ||
| + | * Nem a temporalidade do Da-sein nem o tempo como sentido do ser em geral podem ser apreendidos a partir da compreensão familiar e tradicional do tempo, mas, inversamente, | ||
| + | * Se a temporalidade do Da-sein é a essência ontológica mais profundamente apreendida da cura, em cuja realização a abertura do ser em geral é mantida aberta, e se esta é a pré-figuração do sentido do ser em geral, então a abertura do ser em geral mantida aberta na realização da temporalidade do Da-sein terá um caráter temporal (zeithaft) e se revelará como o tempo originário buscado (sentido do ser em geral), e também aqui vale o que foi dito sobre a análise da cura: como no capítulo sobre a temporalidade do Da-sein se trata da liberação das estruturas de ser mais originárias do Da-sein, a abertura temporal, o tempo como horizonte de toda compreensão do ser, mantém-se inicialmente em segundo plano. | ||
| + | * O tempo buscado como o sentido do ser em geral, na medida em que é temporalizado (gezeitigt) na realização existencial da temporalidade do Da-sein, só pode ser evidenciado através da evidenciação prévia da temporalidade do Da-sein; os críticos geralmente negligenciam que nas análises da temporalidade o tempo como abertura temporal do ser em geral está co-tematicamente presente, mesmo que ainda não seja tematizado propriamente; | ||
| + | * A tríplice articulação da cura - ser-adiantado-de-si-já-ser-em-ser-junto - funda-se na temporalidade tríplice do Da-sein, e cada momento da estrutura da cura funda-se em uma ek-stase ([[lx> | ||
| + | * O ser-adiantado-de-si, | ||
| + | * A diferença entre propriedade e impropriedade manifesta-se terminologicamente nas diferentes designações para as ek-stases da temporalidade própria e imprópria: a cura própria como temporalidade própria é o instante ([[lx> | ||
| + | * A isso corresponde que tanto a existência própria quanto a imprópria são projetantes, | ||
| + | * O manter-fechado impróprio (uneigentliches Verschlossenhalten) é um modo próprio de como o Da-sein mantém aberta a abertura do ser em geral (e com isso também seu estar-aberto próprio), e manter fechada a abertura do ser não significa fazê-la desaparecer, | ||
| + | * No projetar-se sobre uma possibilidade de seu ser-no-mundo, | ||
| + | * O conceito existencial-ontológico de possibilidade deve ser visto a partir da abertura, e o Da-sein projeta-se sobre possibilidades de seu ser-no-mundo como modos da abertura; a impossibilidade absoluta do Da-sein não é outra coisa senão o fechamento absoluto (schlechthinige Verschlossenheit), | ||
| + | * A abertura do ser em geral, aberta na cura do Da-sein, é abertura do ser com base no fechamento, ao qual o Da-sein se relaciona compreensivamente em seu ser existente para a morte; o projetar-se sobre possibilidades do ser-no-mundo é, como antecipador, | ||
| + | * O projetar-se sobre as possibilidades do ser-no-mundo é sempre essencialmente arremessado, | ||
| + | * Quando Heidegger relaciona o Da com o pronome possessivo seu ao Da-sein, isso não significa que ele seja propriedade do Da-sein e que nele, como o Da-sein está existencialmente aberto para si mesmo, já se esgote; o Da é apenas o Da do Da-sein na medida em que é aberto como a abertura do ser em geral na existência existencialmente; | ||
| + | * O vir-ao-encontro-de-si antecipador é o fenômeno existencial do futuro próprio (eigentliche [[lx> | ||
| + | * Presentificar (Gegenwärtigen) não significa aqui, como em Husserl, evidenciar o já presente em sua doação em pessoa na percepção sensível, mas algo ontologicamente mais anterior: o deixar-presente ([[lx> | ||
| + | * No instante (Augenblick) que antecipa-repete, | ||
| + | * Futuro significa aqui não o ainda-não-agora que, no fluxo do tempo, vem continuamente ao nosso encontro, mas a abertura que se abre originariamente no vir-ao-encontro-de-si do Da-sein, a dimensão do surgimento ([[lx> | ||
| + | * No retorno-a-si que se repete, o Da-sein mantém aberta, na abertura do ser em geral, a dimensão do ter-sido-aberto-fático (faktischen Aufgeschlossen-gewesen-seins), | ||
| + | * Na realização da temporalidade própria do Da-sein, não apenas o Da-sein se temporaliza (zeitigt sich) como temporalidade própria, não apenas o Da-sein está aberto para si mesmo como vir-ao-encontro-de-si antecipador, | ||
| + | * O tempo originário não é o tempo orientado pelo agora como o fluxo temporal que flui do futuro (ainda-não-agora) através do presente (agora) para o passado (não-mais-agora); | ||
| + | * O horizonte é transcendental (transzendental) porque está fixado na transcendência (Transzendenz) do Da-sein; o Da-sein transcende ao ultrapassar (übersteigt), | ||
| + | * A temporalidade imprópria, que aqui só é posta como base na figura da temporalidade imprópria da compreensão, | ||
| + | * O tempo compreendido vulgarmente como orientado pelo agora é um derivado da temporalidade imprópria, e precisamente de um modo determinado no qual o Da-sein, como decadente (verfallenes) ao ente intramundano, | ||
| + | * Ele se projeta sobre as possibilidades do ser-junto ocupado ao ente intramundano, | ||
| + | * No esquecimento do arremesso na abertura fática, o Da-sein foge diante de seu ter-sido próprio, e o faz de tal modo que o fecha para si; o manter-fechado-esquecido do ter-sido próprio é o modo peculiar à existência imprópria de ser como arremessado; | ||
| + | * A abertura também tem aqui o duplo caráter: abertura do si mesmo em suas ek-stases temporais e abertura temporal do ser em geral, que está aberta para o Da-sein de tal modo que ele, nela, lhe é aberto como próprio; quando o vir-ao-encontro-de-si na unidade com o retorno-a-si se realiza de modo não-originário, | ||
| + | * O deixar-ocorrer presentificante do ente acontece então apenas de acordo com a abertura projetada pelo impessoal (Man) e não pelo si mesmo mais próprio e aberto à morte; também a abertura projetada de modo não-originário é temporal, não apenas como abertura própria nas ek-stases da temporalidade imprópria, mas, para além disso, como abertura do ser em geral; ela também é dimensionada de acordo com as três ek-stases temporais da existência imprópria no surgimento não-originário, | ||
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| + | Assim, o problema da temporalidade do Da-sein e do tempo do ser foi apenas esboçado grosseiramente, | ||
| + | * A abertura do Da-sein para si mesmo, que reside no vir-ao-encontro-de-si-retornar-a-si-presentificar, | ||
| + | * Ele é deixado a si mesmo não para circular apenas em seu próprio ser, mas para manter aberta, com seu ser ek-stático, | ||
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