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| + | ====== Alma ====== | ||
| + | //HENRY, Michel. Genealogia da psicanálise. O começo perdido. Tr. Rodrigo Vieira Marques. Curitiba: Editora UFPR, 2009// | ||
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| + | **A vida reencontrada: | ||
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| + | * [[sofia> | ||
| + | * Esclarece-se o célebre contrassenso de Schopenhauer, | ||
| + | * Esse contrassenso ganha ainda mais significação ao se notar que Schopenhauer reconhece o pensamento da causalidade já na ameba e o entendimento presente onde quer que haja representação, | ||
| + | * Pergunta-se então o que autoriza, dentro da própria aparência, ler essa desrealização essencial, sendo dadas por Schopenhauer duas asserções fundamentais: | ||
| + | * A vontade de que fala Schopenhauer nada tem a ver com o sentido habitual desse conceito, nem com o livre-arbítrio cartesiano, pois não busca no entendimento a lei de sua ação nem se detém diante dela como diante de um possível, mas já se decidiu a realizá-la e faz uma só coisa com ela | ||
| + | * Não se trata apenas de inverter a tese clássica dizendo que julgamos boa uma coisa porque a queremos, pois na vontade schopenhaueriana não há antecedência alguma do desejo em relação à ação, mas uma única força jamais separada de si mesma, da qual a ação é apenas o desdobramento interno e necessário | ||
| + | * Todas as confusões sobre o conceito schopenhaueriano de vontade se dissipam ao se notar que Vontade não designa esse querer puro mas sim a vida, o querer-viver, | ||
| + | * Resumindo: no querer-viver schopenhaueriano o que quer é a vida e o que ela quer é a vida, sendo essa a singularidade da posição de Schopenhauer, | ||
| + | * Pergunta-se por que a auto-afirmação da vida reveste a forma da reiteração, | ||
| + | * Com a interpretação da vida como querer-viver e os grandes temas trágicos que lhe são inerentes, a significação decisiva do conceito de vida identificado à vontade ainda não é apreendida mas antes perdida, significação porém implicada no próprio título dissimétrico da obra maior, que opõe com igual força ontológica o mundo como representação e o mundo como vontade | ||
| + | * Vontade e representação se opõem como realidade e irrealidade, | ||
| + | * O que se disse da irrealidade da representação vale também, inversamente, | ||
| + | * O conceito de vida se divide então entre a determinação primeira, ainda ingênua e ôntica, segundo a qual a vida reside no querer-viver como desejo sem fim, e a determinação essencial e ontológica segundo a qual vida designa o modo de doação a si desse querer, que faz dele, nessa prova de si, não um simples querer-viver mas um querer vivo, sendo essa concorrência não elucidada entre os dois conceitos o que ao mesmo tempo mina o sistema por dentro e lhe confere sua profundidade insólita | ||
| + | * É a dicotomia do aparecer, seu duplo processo de realização na imediação da interioridade e na representação, | ||
| + | * cita-se a passagem em que Schopenhauer diz ter consciência de sua vontade de maneira totalmente diferente da representação intuitiva | ||
| + | * cita-se a fórmula segundo a qual há uma outra maneira de ser conhecido, absolutamente diferente, designada pela palavra vontade | ||
| + | * cita-se o texto que funda essa imediação recusando conjuntamente a forma de oposição entre sujeito e objeto, pois nele conhecente e conhecido coincidem | ||
| + | * A conexão entre a questão da vontade e a do aparecer originário se revela a propósito do corpo, segunda tese essencial de Schopenhauer, | ||
| + | * cita-se a passagem segundo a qual o corpo é dado de duas maneiras totalmente diferentes, como representação no conhecimento fenomenal e, ao mesmo tempo, como o princípio imediatamente conhecido designado pela palavra vontade | ||
| + | * o que importa nesse texto é justamente o ao mesmo tempo, pois não há dois corpos mas um único corpo que reveste, no aparecer, um duplo aspecto: um lado exterior comparável aos demais corpos objetivos, e um outro lado sem face algo, que não se dá senão em si mesmo, onde coincido com a força que me atravessa | ||
| + | * Não se deve desconhecer a intuição decisiva que Schopenhauer teve desse corpo radicalmente imanente e absoluto, chamado Vontade, pois todo ato real de nossa Vontade é ao mesmo tempo e seguramente um movimento de nosso corpo, não sendo este o produto ou efeito daquele, mas ambos um único e mesmo fato dado de duas maneiras diferentes, a ação corporal não sendo senão o ato da vontade objetivado, isto é, visto na representação | ||
| + | * O corpo próprio não se reduz de modo algum, para Schopenhauer, | ||
| + | * Que o corpo próprio não se reduza à representação que dele temos como de qualquer outro objeto, mas seja também vontade, é o fato decisivo que fornecerá a chave do universo, dando origem ao egoísmo teórico, isto é, à afirmação de que só existe no mundo uma única vontade, a minha, afirmação que logo se choca com a analogia descoberta entre o que experimento no fundo de meu ser e os movimentos e forças que percorrem toda a natureza | ||
| + | * Meu corpo é para mim, no conhecimento do mundo, o que a pedra de Roseta foi para a decifração dos hieróglifos, | ||
| + | * Assim o véu se levanta de uma vez sobre todos os hieróglifos do universo, que não são senão fenômenos e representações diversas de um mesmo querer-viver, | ||
| + | * Sobre essa tese fundamental da experiência corporal do querer repousa toda a construção schopenhaueriana, | ||
| + | * Se, porém, o conhecimento do mundo, do qual resulta a ética, repousa sobre a experiência interior da realidade como experiência adequada da coisa em si, Schopenhauer foi incapaz de fundar essa asserção primeira, de modo que todo o edifício de sua filosofia vacila, e a retomada da questão no capítulo XVIII do Suplemento marca o desmoronamento da tese crucial da identidade entre parecer e querer, reafirmando antes de tudo o primado do conhecimento de si por sua imediação | ||
| + | * cita-se a afirmação de que cada um se conhece imediatamente a si mesmo e só mediatamente conhece todo o resto | ||
| + | * cita-se a exigência de compreender a natureza partindo de nós mesmos, e não buscar o conhecimento de nós mesmos na natureza | ||
| + | * esse conhecimento imediato de si é o da vontade, que nos fornece a única ocasião de chegar à inteligência íntima de um processo que de outro modo só se apresenta objetivamente | ||
| + | * É justamente essa pressuposição última que Schopenhauer não pode nem sustentar nem fundar, pois as teses cruciais lembradas se veem progressivamente abandonadas quando se declara que essa percepção íntima de nossa própria vontade não pode se recobrir com o conhecimento completo e adequado da coisa em si, por não ser inteiramente imediata, o que se explica por duas razões igualmente ruinosas: a intervenção de intermediários metafísicos como o corpo e o intelecto, e sobretudo, mais grave ainda, o retorno da representação como único modo concebível de manifestação | ||
| + | * Assim a afirmação capital de que o conceito de vontade vem do fundo mesmo da consciência imediata do indivíduo, sem forma alguma, nem mesmo a de sujeito e objeto, é contradita e propriamente negada quando se declara que esse conhecimento da coisa em si não é completamente adequado, ligado que está à forma da representação e subdividindo-se em sujeito conhecente e objeto conhecido | ||
| + | * cita-se a passagem segundo a qual, na própria consciência, | ||
| + | * o reino da metafísica da oposição prevalece de novo | ||
| + | * Schopenhauer não pôde eludir a questão da dissociação entre experiência interna e experiência externa, sendo a primeira composta exclusivamente pela forma do tempo e pela relação entre conhecente e conhecido, tempo que, porém, não difere em nada do tempo kantiano da representação, | ||
| + | * Ainda que se diga que a percepção pela qual apreendemos os impulsos e atos de nossa própria vontade é bem mais imediata que qualquer outra percepção, | ||
| + | * cita-se a afirmação de que meu intelecto, único capaz de conhecer, é sempre distinto do eu como vontade | ||
| + | * a vontade permanece assim para sempre privada desse modo de fenomenalização, | ||
| + | * Com essa incapacidade de reconhecer em sua especificidade o aparecer próprio do querer, desfaz-se também toda a filosofia do corpo, perdendo de um golpe a extraordinária originalidade que partilhava com [[sofia> | ||
| + | * se corpo e vontade são idênticos não é apenas porque designam a mesma realidade, mas porque a força só é possível como idêntica a si mesma no seio de um auto-experimentar-se que é um auto-possuir-se | ||
| + | * a autorevelação da vontade como auto-experimentar-se em si mesma não apenas a revela tal como é mas a torna possível como vontade, como força, como corpo, sendo corpo, força e vontade nossa morada | ||
| + | * Essa condição ontológica de possibilidade da vontade e do corpo é destruída assim que seu modo específico de revelação, | ||
| + | * É o caso, notadamente, | ||
| + | * cita-se a fórmula segundo a qual o corpo inteiro não é senão a vontade objetivada, isto é, tornada perceptível | ||
| + | * o corpo objetivo só pode se dar como a vontade objetivada sob a condição de uma experiência da vontade que a revele previamente em si mesma, sendo a vontade o conhecimento a priori do corpo e o corpo o conhecimento a posteriori da vontade | ||
| + | * esse conhecimento a priori do ser em si da vontade é, porém, negado, não se manifestando mais senão através de suas formas fenomenais temporais, que são as de nosso corpo representativo, | ||
| + | * cita-se a declaração de que o conhecimento que tenho de minha vontade, embora imediato, é inseparável do conhecimento que tenho de meu corpo | ||
| + | * essa dissociação progressiva entre vontade e corpo não é acaso de escrita mas consequência inelutável e ruinosa da dissociação prévia entre querer e aparecer | ||
| + | * A obnubilação do modo primitivo de revelação da vontade em si corrompe toda a doutrina, cuja essência é reconstruída antiteticamente a partir do mundo fenomenal segundo postulações que repetem as incertezas do kantismo: como o mundo fenomenal encontra sua estrutura no principium individuationis, | ||
| + | * Como o mundo fenomenal obedece à lei inflexível do princípio de razão, a vontade, ao contrário, é sem fundamento, absolutamente livre nesse sentido, ainda que tudo o que dela decorre, nossos atos e sobretudo nosso caráter, decorra necessariamente, | ||
| + | * Ausência de multiplicidade, | ||
| + | * A precariedade dessas construções se revela plenamente na questão decisiva da individualidade, | ||
| + | * cita-se a fórmula segundo a qual é por meio do espaço e do tempo que o que é uno e semelhante em essência nos aparece como diferente, como múltiplo | ||
| + | * como a essência noumenal da vontade é construída negativamente a partir das estruturas da representação, | ||
| + | * Essa desvalorização da individualidade e, por consequência, | ||
| + | * cita-se a afirmação de que só a espécie interessa à natureza | ||
| + | * Encontram-se em Schopenhauer, | ||
| + | * cita-se a fórmula segundo a qual o sujeito do conhecimento, | ||
| + | * relê-se o texto essencial segundo o qual o conceito de vontade não tem sua origem no fenômeno mas vem do fundo mesmo da consciência imediata do indivíduo, que aí se reconhece a si mesmo sem forma alguma, nem mesmo a de sujeito e objeto | ||
| + | * não é mais possível afirmar que é por meio do espaço e do tempo que o uno nos aparece como múltiplo, entrando essa tese invencivelmente em conflito com a que enraíza a individualidade na própria vontade | ||
| + | * Essa última tese, longe de ser acidental, condiciona porções inteiras do sistema, notadamente a concepção da apriorização do caráter e a teoria do estilo, tão importante na estética schopenhaueriana, | ||
| + | * A contradição entre as teses que fundam a individualidade ora na representação ora na vontade é tão forte que chega a se inverter, como se vê na teoria da arte, onde já não é o conhecimento o princípio da individuação mas, ao contrário, aquilo que nos liberta da individualidade, | ||
| + | * Essa existência em si da coisa, descoberta na experiência pura de sua beleza, é a objetivação imediata da vida, sua Ideia, indiferente ao tempo, e é bem a existência da vontade, mas oferecida a um sujeito impessoal que já não quer, completando-se assim a troca das determinações metafísicas entre representação e vontade: primitivamente inerente à estrutura da representação, | ||
| + | * citam-se as passagens sobre voltar toda a potência do espírito para a intuição, engolfar-se nela inteiramente, | ||
| + | * conclui Schopenhauer que a contemplação estética encerra dois elementos inseparáveis: | ||
| + | * Atenua-se um pouco essa incoerência observando-se o desdobramento do próprio conceito schopenhaueriano de representação na experiência estética, onde ao fenômeno definido espacio-temporalmente se justapõe a Ideia, espécie de arquétipo indiferente aos indivíduos que dela são a reprodução monótona, permanecendo a Ideia submetida à forma mais geral da representação mas escapando às formas secundárias que constituem o princípio de razão e de individuação | ||
| + | * são as formas secundárias que tiram da Ideia a multiplicidade dos indivíduos, | ||
| + | * é significativo que a experiência salvadora da beleza aboliza tanto a multiplicidade dos indivíduos quanto a própria Vontade, restando perguntar por que, ao se voltar da contemplação das Ideias à consideração da vontade, esta se vê marcada pelo mesmo selo de individualidade que os fenômenos, questão que remete à indeterminação da tradição filosófica quanto ao ego | ||
| + | * É talvez o momento de lembrar o silêncio singular de Descartes sobre a essência da ipseidade, silêncio do qual as incertezas de Schopenhauer são apenas uma consequência, | ||
| + | * Considera-se de novo, mais atentamente, | ||
| + | * Ora, essa representação da fase como idêntica a si mesma, longe de poder fundar sua individualidade, | ||
| + | * Em que consiste então esse selo original da individualidade? | ||
| + | * cita-se a passagem segundo a qual a mesma sensação agora e num outro agora possui uma diferença fenomenológica que corresponde à situação temporal absoluta, fonte originária da individualidade do isto | ||
| + | * cita-se ainda a afirmação de que o ponto sonoro, em sua individualidade absoluta, é mantido em sua matéria e em sua situação temporal, sendo esta última que constitui a individualidade | ||
| + | * Pergunta-se por que o agora individualiza, | ||
| + | * Voltando a Schopenhauer, | ||
| + | * Essa reconhecimento finalmente confessada da individualidade do querer é essencial, pois é ela que torna possíveis e sérias as grandes análises da doutrina relativas ao egoísmo, à crueldade e à piedade, repousando a teoria do egoísmo simultaneamente sobre a tese do principium individuationis, | ||
| + | * O que falta a essa descrição para que seja de fato a do egoísmo é o indivíduo real, não aquele que provém da disseminação no espaço ou no tempo, mas o que coincide com o ser em si da vontade e com seu querer infinito, pois se a individualidade aparece apenas do lado da representação, | ||
| + | * O § 61 testemunha claramente esse deslocamento que transfere progressivamente a individualidade da esfera da representação para a da vontade, fazendo desta não um princípio impessoal mas a vontade sempre de um indivíduo que a lança, com essa força infinita, contra todos os outros que abrigam a mesma força, designando o texto de repente o indivíduo como o lugar dessa descoberta por si mesmo do ser em si da vontade | ||
| + | * cita-se a passagem segundo a qual, quanto a essa essência em si, a realidade por excelência, | ||
| + | * No homem a vontade se junta à inteligência, | ||
| + | * cita-se a fórmula segundo a qual cada um se aparece como sendo a vontade inteira e a inteligência representativa inteira, sendo-lhe os outros seres dados apenas como representações | ||
| + | * explica-se assim a singularidade do egoísmo, pela qual cada indivíduo, apesar de sua pequenez e de estar perdido num mundo sem limites, não deixa de se tomar por centro do todo | ||
| + | * Muitas outras dificuldades vêm alterar e tornar incerto, quando não contraditório, | ||
| + | * Essa ambiguidade se manifesta particularmente na dupla objetivação da vontade segundo a forma completa ou incompleta da representação, | ||
| + | * cita-se a passagem segundo a qual a vontade, em seu ato primitivo de objetivação, | ||
| + | * é a essa estruturação primeira do real que nos abre a experiência estética, essa objetidade a mais adequada possível da vontade, que nos prepara para dela nos desprendermos, | ||
| + | * Essa ambiguidade não é fruto do acaso, remetendo antes à lacuna central da filosofia de Schopenhauer, | ||
| + | * O outro da representação, | ||
| + | * Schopenhauer não tem resposta a essa questão, pois quando as tentativas de apreender o ser da vontade no fundo do corpo do indivíduo fracassam e a vontade em si é entregue ao inconsciente, | ||
| + | * cita-se a passagem segundo a qual a única consciência geral que a vontade tem de si é a representação total, o conjunto do mundo que ela percebe | ||
| + | * cita-se a passagem segundo a qual a vontade sem inteligência, | ||
| + | * assim nasce o que se tornará o paradoxo do pensamento moderno: quanto mais a representação é criticada e contestada em sua pretensão de igualar-se à realidade, mais nossa época se define contra ela como era da suspeita, e mais, ao mesmo tempo, o império dessa mesma representação se estende, até incluir tudo em si, culminando esse estranho reviramento de valores no freudismo, onde a colocação em questão da representação resulta no estabelecimento de seu reinado sem partilha | ||
| + | * Esse ditame, porém, Schopenhauer o havia rompido, não apenas contestando a capacidade da representação de representar a realidade mas opondo-lhe, em vez do x de uma entidade misteriosa, aquilo a que chama vontade, isto é, a força, abrindo assim //Mundo como vontade e como representação// | ||
| + | * Tal tentativa é a de Leibniz, à qual Heidegger presta atenção complacente, | ||
| + | * cita-se a fórmula segundo a qual a atualidade do subjectum tem sua essência no atus do cogitare | ||
| + | * como o atus é o do percipere, toda ação já se reduz à da representação, | ||
| + | * Com Leibniz, a percepção cartesiana adquire os traços da unificação e da apetição, tornando-se mais claramente uma efetuação de si mesma pela qual a mônada reúne originariamente o múltiplo na unidade, representa o mundo segundo seu próprio ponto de vista e tende continuamente para além de sua configuração presente. | ||
| + | * A percepção consiste na expressão do múltiplo no uno, de modo que a mônada dotada de percepção constitui o princípio originário que reúne em si a multiplicidade a partir de sua própria atividade representativa. | ||
| + | * A representação unificadora funda a subsistência, | ||
| + | * A multiplicidade reunida pela representação não é indeterminada, | ||
| + | * Cada representação do universo ocorre mediante uma concentração perspectivística específica e é animada por uma apetição própria, na qual se manifesta a relação da mônada com a totalidade do universo para além de seu mundo particular. | ||
| + | * A representação comporta, assim, uma progressão apetitiva que a conduz para além de si mesma e lhe confere um caráter essencialmente transitório. | ||
| + | * Cria-se então, no seio de cada representação, | ||
| + | * cita-se a afirmação heideggeriana segundo a qual essa apetição é o traço fundamental do agir eficaz no sentido da representação | ||
| + | * cita-se o § 15 da Monadologia, | ||
| + | * o princípio interno da ação não é senão a ação do princípio interno das representações, | ||
| + | * Poderia se objetar que o movimento assim descrito, pelo qual cada representação é uma apetição, um esforço em direção a uma unificação mais compreensiva do múltiplo, é apenas o da representação, | ||
| + | * Não apenas a apetição da representação, | ||
| + | * Leibniz nomeia o princípio do ente enquanto tal: vis, força, cuja essência não se determina por generalização posterior de uma ação eficaz experimentada em algum lugar, mas inversamente: | ||
| + | * Enquanto constitui o ser de todo ente possível, a força designa então a essência da subjetidade tornada, desde Descartes, essência da subjetividade, | ||
| + | * cita-se a fórmula segundo a qual cada subjectum é determinado em seu esse pela vis, entendida como perceptio-appetitus | ||
| + | * que a força, longe de abrir uma nova dimensão do ser, se reduza, como apetição, à essência da representação e a seu movimento inofensivo, é dito não menos claramente ao se afirmar que, com a universalidade da essência representativa da realidade, a apetição é o traço fundamental do re-presentar | ||
| + | * Mede-se então melhor a extraordinária ruptura que realiza, nessa história da verdade grega, um pensamento que já não busca o fundamento da realidade na representação nem em seu último suporte ekstático, mas em sua recusa, ao afastar tanto quanto pôde a representação e abrir o caminho de uma filosofia da vida, Schopenhauer suscitou inevitavelmente múltiplos problemas, essenciais e novos, que devem agora ser objeto de uma elucidação mais radical | ||
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