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| + | ====== Pressupostos ====== | ||
| + | //HENRY, Michel. Filosofia e fenomenologia do Corpo. Tr. Luiz Paulo Rouanet. São Paulo: É Realizações, | ||
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| + | **Pressupostos fenomenológicos da ontologia de Maine de Biran** | ||
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| + | 1. A dificuldade em compreender a originalidade das teses de Biran deve-se à sua terminologia tradicional e aparentemente clara, que oculta a novidade radical de suas proposições ontológicas, | ||
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| + | 2. Para Maine de Biran existem duas formas de conhecimento e, portanto, dois tipos de ser: a " | ||
| + | * essa confusão terminológica levou neokantianos e outros filósofos a se julgarem biranianos, embora o próprio Biran ocasionalmente use o termo em sentido clássico | ||
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| + | 3. Os textos em que Biran trata explicitamente da reflexão a qualificam de " | ||
| + | * há duas espécies de ciência essencialmente diversas: as que se ligam aos objetos da imaginação ou representação exterior, e as que se concentram no sujeito da reflexão ou aperceção interna | ||
| + | * o eu, num centro orgânico, encontra-se objetivado sob imagem individual em vez de concebido sob a ideia reflexiva e irrepresentável que lhe é própria | ||
| + | * há pensamentos e quereres íntimos absolutamente irrepresentáveis, | ||
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| + | 4. " | ||
| + | * o termo foi tomado de Locke apenas por falta de melhor, no esforço de opor-se ao sensualismo de Condillac, buscando nome para essa conhecimento interior que a sensação sozinha não poderia expressar | ||
| + | * Biran desejava uma " | ||
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| + | 5. Segue-se a análise do problema central formulado no Essai — "Há uma apercepção imediata interna?" | ||
| + | * Biran reflete sobre a ontologia da natureza tal como a encontra em Bacon, perguntando se não haveria " | ||
| + | * questiona-se se o método de observar, classificar e analisar pode ser o mesmo ao passar da ciência dos objetos exteriores para a das modificações que concentram o eu em seus próprios limites | ||
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| + | 6. Esse é o tema do Essai de Biran, que mostra que os "fatos interiores" | ||
| + | * já que a vida da consciência não pode ser dada numa experiência interna transcendente, | ||
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| + | 7. Biran opera assim a substituição de uma fenomenologia transcendental à psicologia clássica e empírica, sendo essa substituição solidária à constituição de uma ontologia da subjetividade, | ||
| + | * as faculdades não têm espelho próprio que as reflita exteriormente, | ||
| + | * só pelo exercício de um " | ||
| + | * o fato primitivo porta consigo seu próprio critério, sem tomá-lo de outra parte, fundando assim a fenomenologia transcendental como " | ||
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| + | 8. No projeto dessa " | ||
| + | * o sentido íntimo é o modo de conhecer mais perfeito por ser o único imediato, sendo preciso constatar o fato primitivo empregando o sentido que lhe é especial e exclusivamente apropriado | ||
| + | * Biran é o único filósofo de seu século a sentir dolorosamente a ausência dessa ontologia e a compreender a necessidade de constituí-la, | ||
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| + | 9. Desenvolver na justa medida esses meios de conhecer é entrever a existência de uma conhecimento absoluto e de uma esfera de certeza absoluta, compreendendo a necessidade de edificar uma ciência absoluta da realidade humana dotada de certeza apodítica — " | ||
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| + | 10. Revelar essa esfera de certeza absoluta supõe estabelecer uma partilha entre o que dela participa e o que não pode reivindicá-la diretamente, | ||
| + | * toda a obra de Biran é uma vasta redução fenomenológica, | ||
| + | * os resultados hipotéticos obtidos por vias científicas, | ||
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| + | 11. Uma filosofia verdadeiramente primeira deve ater-se ao dado fenomenológico em que ser e parecer se identificam, | ||
| + | * a força, entidade metafísica suspeita, só entra na filosofia de Biran depois de submetida à redução, reduzida ao seu último grau de simplicidade — daí a tese biraniana da " | ||
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| + | 12. É preciso atentar à terminologia invertida de Biran, que chama " | ||
| + | * é o retorno operado pela redução a uma esfera originária de certeza que permite à ciência elevar-se sobre uma base real, a existência ela mesma, sentida e não abstrata | ||
| + | * esse fundamento fenomenológico é o verdadeiro objeto da metafísica, | ||
| + | * a verdadeira metafísica é, para Biran, uma psicologia — mas sem cair em psicologismo, | ||
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| + | 13. Compreende-se assim o que Biran entendia por pesquisa sobre os " | ||
| + | * esse algo anterior, absolutamente concreto, é a " | ||
| + | * daí a questão fundamental do Essai: "Há uma apercepção interna imediata?" | ||
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| + | 14. A natureza do juízo intuitivo se esclarece no texto sobre o cogito: antes que a proposição "Eu penso, eu existo" | ||
| + | * as discussões intermináveis sobre o cogito dizem respeito apenas ao juízo intuitivo, à forma predicativa, | ||
| + | * o conjunto desses juízos intuitivos, tendo o cogito como " | ||
| + | * o primeiro juízo intuitivo de existência pessoal não é privilégio do psicólogo, mas juízo natural tão antigo quanto a própria existência | ||
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