estudos:henry:esv:arqui-geracao
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| + | ====== 4 Arqui-geração ====== | ||
| + | //HENRY, Michel. Eu Sou a Verdade. Por uma filosofia do cristianismo. Tr. Carlos Nougué. São Paulo: É Realizações, | ||
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| + | **4 A autogeração da Vida como geração do Primeiro Vivente** | ||
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| + | * O cristianismo se concentra na relação da vida com o vivente, tanto em Deus quanto no homem, fornecendo a elucidação dessa vida, interpretada como Verdade, o antecedente indispensável à compreensão de seu ensinamento, | ||
| + | * Segundo o cristianismo, | ||
| + | * Distingue-se esse Deus único, não pensado pelo espírito, dos monoteísmos racionais que o concebem como o Ser infinito de Santo Anselmo ou o primeiro motor de Aristóteles, | ||
| + | * Sendo Deus Vida, ausente do mundo e do campo mundano da biologia, coloca-se a questão de onde e como se tem acesso a ela, respondendo a fenomenologia da vida: na vida e pela Vida, sendo a própria Vida que chega a si, autorrevelação em que ela mesma realiza e é revelada | ||
| + | * O que chega à Vida é o vivente, apoiando-se sobre o próprio chegar da Vida a si, identificando-se com ele, sendo essa a autorrevelação da Vida idêntica à Revelação de Deus | ||
| + | * Deve-se afastar o conceito de ser da análise da vida, não empregando-se a palavra " | ||
| + | * Nesse cumprimento eterno, a vida se lança em si, esmaga-se contra si, experimenta-se e frui de si, produzindo constantemente sua essência, engendrando-se continuamente a si mesma nessa autogeração sem fim | ||
| + | * Dessa vinda a si ao " | ||
| + | * Esse processo de autogeração é fenomenológico, | ||
| + | * Sendo esse processo efetivo, a Ipseidade que ele engendra é igualmente efetiva e singular, um Si que se estreita a si mesmo, não podendo a vida revelar-se senão gerando em si esse Si, sendo esse Si singular o Primeiro Vivente, engendrando o Pai eternamente em si o Filho como o modo mesmo de seu autocumprimento | ||
| + | * Sendo o Filho tão antigo quanto o Pai, chama-se a esse Filho Arqui-Filho, | ||
| + | * Esse processo de autorrevelação engendrando o Primeiro Vivente enquanto Arqui-Filho constitui o conceito de Arquinascimento, | ||
| + | * Explica-se que " | ||
| + | * Nascer não é vir ao mundo, é vir à vida, o que significa vir dela e a partir dela, sendo a vida não o ponto de chegada mas o ponto de partida do nascimento, respondendo a teoria da geração do Primeiro Vivente à questão de como a vida engendra em si o vivente: a Vida absoluta se experimenta numa Ipseidade que é um Si singular, sendo o Vivente o Único e o Primeiro, " | ||
| + | * Retornando ao " | ||
| + | * Estranho à história, o conteúdo do cristianismo consiste numa rede de relações transcendentais e invisíveis: | ||
| + | * Distingue-se essa relação fundada na Vida de uma relação no sentido corrente, cuja possibilidade última é o "fora de si" espacial, temporal ou ideal, ao passo que uma fruição que se experimenta a si mesma não aparece em nenhum mundo, sendo a vida um processo que gera em si todos os seus próprios " | ||
| + | * Trata-se agora precisamente da geração do Primeiro Vivente, relação Pai/Filho, cerne mais essencial do cristianismo e objeto do discurso constante de Cristo sobre si mesmo, consistindo a salvação em " | ||
| + | * Coloca-se a questão de quem faz esse discurso e com que direito, citando-se o interrogatório dos sacerdotes a Cristo sobre sua autoridade ([[b> | ||
| + | * Do ponto de vista do mundo, a condenação de Cristo é compreensível e legítima, pois suas afirmações sobre si mesmo — ter nascido antes de Abraão, perdoar pecados, nunca morrer, identificar-se com Deus — desafiam as próprias estruturas fenomenológicas do mundo, sua temporalidade e irreversibilidade | ||
| + | * Respondendo quem é aquele cujas palavras permanecem inconcebíveis sob a luz do mundo, afirma-se que apenas sua condição de Arqui-Filho transcendental legitima tais asserções, | ||
| + | * Elencam-se as tautologias fundamentais como implicações decisivas: " | ||
| + | * Cita-se a polêmica com os fariseus sobre o cego de nascença curado — "Se esse homem não viesse de Deus, nada poderia fazer" ([[b> | ||
| + | * Coloca-se a questão central do testemunho: quem testemunha a favor de Cristo, já que ele mesmo declara não depender de testemunho humano ([[b> | ||
| + | * A resposta de Cristo é dupla: primeiro reconhece que seu próprio testemunho não seria válido ([[b> | ||
| + | * Conclui-se que só Cristo pode testemunhar sobre si mesmo, não enquanto homem mas enquanto sabe de onde veio, sendo seu testemunho válido " | ||
| + | * " | ||
| + | * Sendo a geração do Primeiro Vivente idêntica à autogeração da própria Vida absoluta, a relação Pai/Filho define-se com rigor absoluto como relação de interioridade recíproca, não se revelando o Filho senão na autorrevelação do Pai e vice-versa, sendo o monoteísmo abstrato uma religião ingênua do entendimento diante dessa unidade inconcebível da Vida | ||
| + | * Sendo essa interioridade recíproca fenomenológica, | ||
| + | * Não sendo essas declarações ocasionais, uma razão apodictica prescreve que o caminho até Cristo só pode ser a repetição de seu Arquinascimento transcendental no seio do Pai, encerrando-se com a pergunta a ser respondida por uma fenomenologia de Cristo: mas não veio ele realmente a este mundo para salvá-lo, fazendo-o conhecer a Deus? | ||
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