estudos:henry:e:pressupostos
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| + | ====== 2 Pressupostos ====== | ||
| + | //HENRY, Michel. Incarnation: | ||
| + | **2. A indeterminação inicial das pressuposições fenomenológicas da fenomenologia. Os “princípios da fenomenologia** | ||
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| + | * Toda investigação, | ||
| + | * É próprio das pressuposições da fenomenologia serem fenomenológicas num sentido radical, tratando-se do aparecer, da fenomenalidade pura, que deve guiar a análise dos fenômenos considerados no " | ||
| + | * Interroga-se como analisar o fenômeno histórico sem questionar o modo de aparecer da temporalidade que lhe confere sua " | ||
| + | * pergunta-se se a manifestação de um corpo e a revelação da carne pertenceriam a ordens heterogêneas e irredutíveis do aparecer, e se a revelação de Deus em seu Verbo, do Verbo em sua carne, não seriam solidárias, | ||
| + | * Constata-se a indeterminação das pressuposições fenomenológicas da fenomenologia histórica, reconhecível em três " | ||
| + | * O primeiro princípio, tomado por Husserl da escola de Marburg, enuncia-se "A tanta aparência, tanto ser", reformulado sem ambiguidade como "A tanto aparecer, tanto ser", dada a dupla significação possível do termo aparência | ||
| + | * ao senso comum a correlação se lê do ser para o aparecer, pois as coisas antes de tudo são para poderem aparecer, exemplificando-se com a ida à tabacaria comprar cigarros, cuja existência prévia é dada como certa | ||
| + | * a fenomenologia lê essa correlação no sentido inverso: porque algo me aparece, ele ao mesmo tempo é, sendo o aparecimento de uma imagem absolutamente certo independentemente de corresponder ou não à realidade, dependendo do aparecer toda existência e todo ser possível | ||
| + | * Apesar dessa suposta identidade de essência, aparecer e ser não têm a mesma dignidade: o aparecer é tudo, o ser não é nada senão porque o aparecer aparece, tendo o ser sua essência apenas no aparecer que previamente desdobrou a própria essência do aparecer, seu autoaparecer | ||
| + | * Reconhece-se a importância desse primeiro princípio por colocar a fenomenologia antes da ontologia, subordinando esta àquela, não para desqualificá-la mas para lhe assinalar fundamento seguro, escapando à contestação o que aparece de modo incontestável | ||
| + | * Aponta-se, contudo, sua imensa fraqueza, sua indeterminação fenomenológica profunda: nomear o aparecer sem dizer em que consiste, sem remontar à instância que nele permite aparecer, sem reconhecer sua matéria fenomenológica pura, sua carne incandescente | ||
| + | * permanecendo o aparecer indeterminado em si mesmo, permanece indeterminada a própria determinação do ser por ele, correspondendo ao conceito formal do aparecer um conceito formal do ser que nada permite saber sobre a potência do ser, o ente, ou a natureza de sua diferença | ||
| + | * As mesmas observações concernem ao segundo princípio da fenomenologia, | ||
| + | * Pergunta-se qual via conduz ao aparecer enquanto tal, não havendo outra resposta senão o próprio aparecer, que em seu autoaparecer nos conduz a ele, implicando isso que objeto e método da fenomenologia constituem algo uno, sendo o objeto que constitui o método, como o raio cuja própria luz o faz ver | ||
| + | * essa reabsorção do método em seu objeto parece torná-lo inútil, contrariando a ideia habitual de um conhecimento sempre separado do objeto e necessitado de procedimentos metodológicos, | ||
| + | * Pergunta-se, | ||
| + | * citando-se Kafka, "Há um fim, mas não há caminho. Isso a que chamamos caminho é a hesitação", | ||
| + | * Declara-se impossível por ora responder a essas questões, precisamente porque a fenomenologia histórica deixou indeterminadas as pressuposições fenomenológicas sobre as quais repousa, não tendo o aparecer para o qual convergem sido objeto de elucidação levada até o fim, exigindo-se um desnudamento de sua matéria fenomenológica pura, sua carne incandescente, | ||
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