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| + | ====== Economia ====== | ||
| + | //HENRY, Michel. Du communisme au capitalisme. Théorie d'une catastrophe. Paris: Odile Jacob, 1990.// | ||
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| + | **O indivíduo vivo e a " | ||
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| + | * Definido pela vida, o indivíduo apresenta-se como uma força, sendo essa força o princípio de todo o universo econômico, chamando-se " | ||
| + | * O trabalho vivo está no princípio da economia em duplo sentido: primeiro como transformação dos elementos da natureza em " | ||
| + | * O universo econômico implica também a troca das valores de uso, sendo essa possibilidade de troca o primeiro grande problema teórico enfrentado pela humanidade, determinando-se a proporção de troca entre objetos qualitativamente diferentes pela quantidade de trabalho que contêm, tornando-se um objeto útil mercadoria quando entra nessa avaliação | ||
| + | * Colocada essa possibilidade da troca, ela se inverte em impossibilidade, | ||
| + | * Essa impossibilidade de trocar trabalhos, isto é, subjetividades, | ||
| + | * Elabora-se a lista desses equivalentes objetivos ideais: primeiro o trabalho " | ||
| + | * a valor de troca é assim a representação, | ||
| + | * Dessa exposição resulta que, contrariamente ao dogma marxista e à crença do senso comum, a realidade econômica não é a realidade, nem a do indivíduo vivo nem a do universo material, sendo constituída unicamente de entidades ideais, representações irreais, não havendo, como diz Marx, um átomo de matéria na " | ||
| + | * Reciprocamente, | ||
| + | * Importa mostrar, porém, que embora estranha à economia, a realidade dos indivíduos vivos constitui seu único fundamento, sendo a força desses indivíduos que produz sem cessar as determinações econômicas, | ||
| + | * Todo processo de produção se desenrola em dois planos distintos, o processo real e o processo econômico, contendo o processo real a força subjetiva dos indivíduos, | ||
| + | * O processo econômico compreende o conjunto das realidades econômicas substituídas aos elementos do processo real, o trabalho social ou abstrato de um lado, os valores de troca de outro, sendo o processo econômico o duplo do processo real, o que exige mostrar, primeiro, que a produção do processo real é a própria ação do indivíduo, e, segundo, que as determinações econômicas são produzidas exclusivamente pelo trabalho vivo desse mesmo indivíduo | ||
| + | * Retoma-se a demonstração genial de Marx sobre o capital: sendo este um valor de troca que se autoacresce, | ||
| + | * Na circulação das mercadorias nenhum acréscimo de valor pode ocorrer, pois a troca pressupõe igualdade de valor, exigindo-se então uma mercadoria extraordinária capaz de produzir valor por si mesma: o próprio indivíduo vivo, que se vende por não ter mais nada a oferecer além de sua força, comprando o capitalista o uso dessa força com a qual produzirá valor, surgindo assim a mais-valia como o excedente de valor criado ao longo do dia de trabalho além do valor do salário | ||
| + | * Explica-se esse fenômeno remontando ao " | ||
| + | * Pergunta-se por que o valor do salário é inferior ao valor produzido pela força de trabalho, respondendo-se que representa apenas as subsistências necessárias à manutenção dessa vida por um dia, enquanto a força de trabalho é capaz, num mesmo tempo, de criar mais valores de uso do que necessita para sua própria manutenção, | ||
| + | * Sobre essa propriedade fundamental repousa toda sociedade, todo desenvolvimento humano e todo sistema econômico possível, tanto o capitalista quanto o socialista, importando pensar até o fim o papel determinante do indivíduo na economia | ||
| + | * O mistério da mais-valia não se esclarece plenamente apenas com o sobretrabalho, | ||
| + | * Distingue-se essa conservação real do valor de troca, que pressupõe a conservação do valor de uso antes da troca, da identidade tautológica meramente ideal entre mercadorias trocadas, sendo essa conservação real, que repousa sobre a manutenção da vida útil dos objetos, o que se requer no processo real de produção | ||
| + | * Retoma-se a intuição decisiva de Marx: tal como sua produção, a simples conservação do valor se passa fora da esfera econômica, na esfera da vida e do trabalho vivo, revelando-se aqui a grande lei metafísica do ser segundo a qual as coisas não subsistem por si mesmas mas apenas em contato misterioso com a vida, que as retém no ser e as livra do nada | ||
| + | * tudo o que é visto, ouvido ou tocado é apenas o correlato de um ato de ver, ouvir ou tocar, e nada seria sem esses poderes do corpo vivo, não havendo nada no mundo senão na vida e por ela, sendo ela o alfa e o ômega | ||
| + | * É no domínio econômico que essa verdade metafísica se reconhece mais imediatamente, | ||
| + | * Se a força da vida se desdobra no coração do ser como operação ontológica que o faz ser, o processo real de produção é apenas caso exemplar dessa operação, sendo o processo econômico, sua representação figurada, só inteligível a partir dela | ||
| + | * Explica-se como as valores de troca dos instrumentos e matérias-primas se conservam no processo, desaparecendo estas enquanto valores de troca para só intervirem como valores de uso, sendo através da conservação, | ||
| + | * Explica-se, com conceituação emprestada de Aristóteles, | ||
| + | * O importante é que a forma impressa pelo trabalho vivo não subsiste por si mesma nem pela matéria que informa, sendo o trabalho objetivado, em si mesmo, trabalho morto, votado ao perecimento assim que a força que o sustenta se interrompe, revelando-se aqui a metafísica da vida em toda sua potência redutora | ||
| + | * cessando o trabalho vivo, o ser se fissura em toda parte de nada: a ferramenta se deforma, o ferro enferruja, o porto assoreia, a barcaça apodrece, os aquedutos rebentam, a água transforma campos outrora férteis em pântanos pestilentos, | ||
| + | * Colocam-se dois casos de figura conforme a força da vida investida no trabalho se desdobre em sua máxima potência ou, descontente de si e do mundo, renuncie a seu pleno exercício, recusando o esforço até não fazer mais nada, engano gravemente quem vê nisso mera peripécia histórica local, pois quando a força metafísica que sustenta tudo enfraquece, o déficit ontológico não se circunscreve, | ||
| + | * faltando dinheiro que valha algo e faltando o que comprar, produtos raros adquirem valor fabuloso, mítico, onírico, mera miragem situada no limite do possível | ||
| + | * Separado do trabalho vivo, o universo dos instrumentos perde todo sentido: máquinas quebradas, oficinas paradas, canteiros fechados por anos, sendo a morte que se apoderou desse mundo do qual a vida deixou de querer, assemelhando o universo exangue do socialismo, por seu caráter fúnebre, como um irmão ao do fascismo | ||
| + | * Anuncia-se o segundo caso de figura, o capitalismo, | ||
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