| A filosofia moderna, a partir de René Descartes, é regida pelo binário sujeito-objeto desdobrando-se a partir da razão científica, onde o mundo é construído como um conjunto de condições objetivas divorciadas do envolvimento e do sentido humanos, um divórcio realizado pela subjetividade desprendida da reflexão racional. A abstração desengajada permite uma libertação da contingência, fluxo e limites da experiência vivida e, portanto, prepara garantias fundacionalistas garantidas das instabilidades de tempo, história e diversidade cultural. Heidegger trabalha para desvendar o binário sujeito-objeto defendendo a prioridade de um ser-no-mundo engajado que precede a reflexão abstrata, no sentido de que o eu já é moldado por contextos de sentido (tradição histórica, envolvimento prático, cotidiano preocupações, relações sociais, humores e usos da linguagem) antes que o mundo seja sujeito à objetificação. A filosofia tende a perder esta dimensão pré-reflexiva precisamente porque é menos administrável e se mostra radicalmente finita, o que mina as garantias fundacionalistas. | A filosofia moderna, a partir de René Descartes, é regida pelo binário sujeito-objeto desdobrando-se a partir da razão científica, onde o mundo é construído como um conjunto de condições objetivas divorciadas do envolvimento e do sentido humanos, um divórcio realizado pela subjetividade desprendida da reflexão racional. A abstração desengajada permite uma libertação da contingência, fluxo e limites da experiência vivida e, portanto, prepara garantias fundacionalistas garantidas das instabilidades de tempo, história e diversidade cultural. Heidegger trabalha para desvendar o binário sujeito-objeto defendendo a prioridade de um ser-no-mundo engajado que precede a reflexão abstrata, no sentido de que o eu já é moldado por contextos de sentido (tradição histórica, envolvimento prático, cotidiano preocupações, relações sociais, humores e usos da linguagem) antes que o mundo seja sujeito à objetificação. A filosofia tende a perder esta dimensão pré-reflexiva precisamente porque é menos administrável e se mostra radicalmente finita, o que mina as garantias fundacionalistas. |