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| + | ===== DÁ-SE (2002: | ||
| + | Somente reconhecendo o domínio mais extremo da oposição ‘ferramenta (Zuhandenheit) X ferramenta quebrada (Vorhandenheit)’ no pensamento de Heidegger é que ganhamos uma ânsia genuína por qualquer coisa que possa escapar dela. Essa é a razão pela qual os comentaristas anteriores ignoraram o tema que será discutido agora. Até agora, apresentei Heidegger como incapaz de romper o monopólio sufocante da estrutura-como (Als-Struktur)]. Foi demonstrado repetidamente que todas as entidades são “utensílios” no sentido mais amplo do termo. Por sua vez, esses ser-ferramentas tornam-se visíveis, rompem com o contexto como entidades individuais, | ||
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| + | No sentido estrito, qualquer peça individual de utensílio é insustentável na filosofia de Heidegger, assim como em qualquer filosofia que conceda à Rede um domínio tão esmagador sobre o objeto individual. Como um evento instantâneo e unitário, o contexto não tem partes: o ser não deveria ter entes. Mas, apesar disso, a experiência obviamente atesta que existem entidades individuais, | ||
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| + | Volto-me agora diretamente para essa encantadora série de palestras, proferidas por Heidegger aos vinte e nove anos de idade. Sua discussão aqui sobre o surgimento da teoria deve apresentar poucas surpresas para os leitores de Ser e tempo. Toda experiência, | ||
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| + | Essa listagem de vários objetos que existem pode parecer não levar a lugar algum. Mas, como acrescenta Heidegger, “até mesmo esse ‘há’ completamente incolor, esvaziado, por assim dizer, de significados determinados, | ||
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| + | Qualquer entidade, diz o jovem Heidegger, emerge apenas de um contexto familiar. Podemos imaginar a dispersão de vários itens em uma sala repleta de utensílios acadêmicos típicos, a maioria deles já compreendida, | ||
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| + | A maioria dos observadores reconheceria imediatamente o púlpito de um Professor. Tendo-o visto dezenas de vezes nessa sala em particular, não o levamos a sério ou o ignoramos completamente. Mas Heidegger sugere que o nativo do Senegal, recém-saído de sua “cabana” [Hütte!], poderia considerá-lo como uma peça de parafernália mágica ou como uma barreira atrás da qual se esconder de flechas e pedradas. Um resultado ainda mais provável, de acordo com Heidegger, é que ele não conseguiria compreender esse objeto de forma alguma. Mesmo assim, o homem do Senegal nunca encontraria o púlpito como dados de sentido brutos, como algo presente antes de qualquer interpretação. Enquanto a maioria de nós encontra o púlpito como utensílio para educar, esse estrangeiro só poderia ficar perplexo com uma forma pura de estranheza do utensílio: “No cerne de sua essência, o que é significativo na ' | ||
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| + | O fascínio de Heidegger pela forma proposicional impessoal, que durou toda a sua vida, tem sido frequentemente observado. Mas o valor dessa observação tende a ser diluído pela abordagem usual do problema, como se reflete na piada cafona comum sobre a proposição “Está chovendo”. Fazer furos no sujeito da frase é muito previsivelmente presunçoso (“... mas, afinal de contas, o que é esse ‘isso’ que supostamente chove?”). Entre outras desvantagens, | ||
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