estudos:greisch:ot:1994-41-sorge-besorgen-fursorge
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| + | ====== §41 Sorge ====== | ||
| + | //GREISCH, Jean. Ontologie et temporalité. Paris: PUF, 1994, §41// | ||
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| + | Heidegger quer fazer reconhecer a cura como uma " | ||
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| + | Heidegger ele mesmo esboça a princípio rapidamente algumas linhas possíveis de desenvolvimento: | ||
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| + | * a linha de uma filosofia da vontade. Longe de ser derivada do querer (ver da " | ||
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| + | * a linha de uma filosofia do aspirar ([[lx> | ||
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| + | * a linha de uma " | ||
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| + | 1. A análise da angústia correspondia a uma primeira tentativa de apreender a unidade da constituição ontológica do Dasein, formada pela existencialidade, | ||
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| + | **1. A estrutura ontológica do cuidado: o adiantar-se a si mesmo** | ||
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| + | 2. A angústia permitiu verificar concretamente a pertinência da definição do Dasein como um ente para o qual, em seu ser, está em jogo o próprio ser, podendo-se agora precisar essa definição por uma nova caracterização ontológica, | ||
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| + | * "O Dasein é, em seu ser, a cada vez já adiante de si mesmo" (SZ 191). | ||
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| + | 3. Não se acrescenta com isso uma nova determinação às já encontradas, | ||
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| + | * "O cuidado é o termo para designar o ser do Dasein pura e simplesmente" | ||
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| + | 4. Ao tentar precisar os traços constitutivos dessa estrutura múltipla, afasta-se de saída o aspecto puramente ôntico do preocupar-se ([[lx> | ||
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| + | * " | ||
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| + | 5. O si-mesmo tem aqui o mesmo sentido reflexivo que na hermenêutica do si de Ricœur, podendo-se, do ponto de vista ôntico, sempre colocar em concorrência cuidado de si e cuidado do outro, devendo-se contudo evitar aplicar esse tipo de distinção no plano ontológico, | ||
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| + | 6. Não parece ter-se aprofundado esse problema, sendo a preocupação principal fazer reconhecer o cuidado como uma estrutura apriorístico-existencial que precede toda distinção do teórico e do prático e toda psicologia das faculdades, não devendo a teoria do cuidado ser reboque de uma teoria da vontade, das pulsões ou do desejo, estando todos esses atos psíquicos enraizados por necessidade ontológica no Dasein como cuidado, ontologicamente anterior a todos esses fenômenos, manifestando-se antes a faticidade existencial tanto como indigência quanto como falta, privação e necessidade, | ||
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| + | * "Todos esses atos psíquicos estão enraizados por uma necessidade ontológica no Dasein como cuidado, que, por sua vez, é ontologicamente anterior a todos esses fenômenos" | ||
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| + | 7. É precisamente essa prioridade concedida ao cuidado que determina a posição em relação à filosofia da vida, notando-se, no mesmo contexto, a confissão de que a pesquisa, essencialmente dirigida à elaboração de uma ontologia fundamental, | ||
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| + | * "Não aspira nem a uma ontologia tematicamente completa do Dasein, nem sobretudo a uma antropologia concreta" | ||
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| + | 8. Esboçam-se rapidamente algumas linhas possíveis de desenvolvimento, | ||
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| + | * "No fenômeno do querer transparece a totalidade subjacente do cuidado" | ||
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| + | 9. Segue-se a linha de uma filosofia do desejo ou do querer, sendo o cuidado, ontologicamente falando, concernido por possibilidades, | ||
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| + | * "Ser para o poder-ser" | ||
| + | * "O desejo pressupõe ontologicamente o cuidado" | ||
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| + | 10. Segue-se por fim a linha de uma filosofia da vida que se deixa guiar pelos fenômenos do impulso (Drang) e da tendência (Hang), duas noções já presentes desde 1920 na hermenêutica da faticidade. | ||
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| + | **2. Impulso e tendência: dois rostos complementares do cuidado** | ||
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| + | 11. Sendo claro o vínculo com categorias da filosofia da vida, importa tanto mais sublinhar que o cuidado como adiantamento de si é a condição de possibilidade do impulso e da tendência, e não o inverso, implicando o impulso um caráter de necessidade, | ||
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| + | * "O impulso busca recalcar [verdrängen] outras possibilidades" | ||
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| + | 12. No contexto da analítica existencial, | ||
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| + | * "A tendência mesma não se deixa erradicar, tal como o impulso não se deixa aniquilar" | ||
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| + | 13. Tudo se passa então como se, sendo manifestações ou expressões do cuidado, tendência e impulso possuíssem ao mesmo tempo um poder de ocultação que arrisca mascarar sua verdadeira essência, tendo a tendência o poder de impedir o cuidado de tornar-se livre, pois retém a existência, | ||
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| + | **3. O cuidado como guardião da plurivocidade do ser** | ||
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| + | 14. Resta uma última questão, a de saber qual é a estrutura desse fenômeno ontológico-existencial fundamental que permite apreender o Dasein em sua inteireza, podendo-se pensar tratar-se necessariamente de uma estrutura absolutamente simples, um elemento primeiro ou denominador comum que explica todo o resto, sendo justamente essa hipótese explicitamente afastada, pois o fenômeno denominado cuidado é ele mesmo, em si, estruturalmente articulado. | ||
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| + | * "Ele mesmo, em si, estruturalmente articulado" | ||
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| + | 15. Daí duas consequências capitais para a continuação da investigação ontológica, | ||
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| + | 16. Estrutura originária (Urstruktur), | ||
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