estudos:greisch:greisch-2001-poder-se-lembrar
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| + | ====== "Poder se lembrar" | ||
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| + | //Data: 2025-11-03 21:27// | ||
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| + | ==== Paul Ricoeur, l’itinérance du sens ==== | ||
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| + | === Uma Fenomenologia da Memória === | ||
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| + | //A análise dos fenômenos memoriais que Ricœur desenvolve na primeira parte de A memória, a história, o esquecimento obedece a uma ordem muito precisa, balizada pelo jogo das três partículas interrogativas: | ||
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| + | === "Poder se Lembrar": | ||
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| + | * A análise dos fenômenos da memória, que Ricœur desenvolve na primeira parte de A Memória, a História, o Esquecimento (//MHE//), segue uma ordem precisa, pautada pelas perguntas "o quê, como, quem?" | ||
| + | * A investigação começa com o " | ||
| + | * A prioridade intencional (a pergunta "de que há lembrança?" | ||
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| + | * a) De que se Lembra? Uma Fenomenologia da Lembrança | ||
| + | * A análise intencional tem o mérito de prevenir contra a tentação de reduzir a memória ao domínio da imaginação. | ||
| + | * Essa abordagem preserva a diferença eidética entre duas visadas intencionais irredutíveis: | ||
| + | * A principal dificuldade é compreender a função propriamente temporalizante da lembrança, refletida no enunciado de Aristóteles: | ||
| + | * Aristóteles pavimenta o caminho para a fenomenologia da memória ao convidar à descrição dos fenômenos mnemônicos com foco nas " | ||
| + | * O que se procura é pensar uma " | ||
| + | * A tarefa específica da fenomenologia da memória é dar conta das múltiplas formas pelas quais o " | ||
| + | * Essa tarefa apresenta um aspecto fragmentado, | ||
| + | * Mesmo a análise dos noemas (o conteúdo da lembrança) impõe a introdução de diferenças na multiplicidade dos suvenires. | ||
| + | * Há uma questão sobre a ênfase a ser dada: nos eventos singulares e não repetíveis (como enfatiza Claude Romano em sua " | ||
| + | * Ao considerar as formas como a lembrança adere (ou não) ao passado, Ricœur evidencia várias polaridades oposicionais importantes, | ||
| + | * Em segundo lugar, adiciona-se a polaridade da evocação e da busca, que opõe os suvenires espontâneos (incluindo seu substrato cortical) ao " | ||
| + | * Neste estágio inicial, a distinção husserliana entre " | ||
| + | * Este ancoramento temporal é arriscado, pois parece confirmar o privilégio do " | ||
| + | * Para Ricœur, a noção de " | ||
| + | * A iniciativa (já discutida no capítulo 7), a fruição e o sofrimento são aspectos desse presente, sendo fundamental para a fenomenologia hermenêutica reconhecer que "a fenomenologia da percepção não tem... nenhum direito exclusivo sobre a descrição do presente. O presente é também o do fruir e do sofrer e... presente de iniciativa" | ||
| + | * A fenomenologia da lembrança é concluída com a introdução de uma terceira polaridade: a da reflexividade e da mundanidade. | ||
| + | * Seguindo Edward S. Casey, Ricœur explora o vasto intervalo entre os atos de lembrança focados no polo egológico (lembrança do que me fizeram, do que eu senti) e o polo mundano (lembrança do que aconteceu, do que os outros fizeram, etc.). | ||
| + | * Essa polaridade realça novamente a " | ||
| + | * O intervalo de sentido vai desde os suportes mais humildes da memória (fotos, nós em lenços, lembretes, etc.), centrados no aviso (// | ||
| + | * A memória pode ser qualificada como " | ||
| + | * Apesar de ser " | ||
| + | * A armadilha reside na possível confusão entre o passado reconhecido e o passado percebido. | ||
| + | * A tarefa da análise fenomenológica dos atos de reconhecimento é reconhecer uma " | ||
| + | * No outro extremo da cadeia, estende-se o vasto domínio dos fenômenos mnemônicos que envolvem o corpo próprio, o espaço e o mundo. | ||
| + | * Neste polo " | ||
| + | * Isso confirma o vínculo constitutivo entre o conceito hermenêutico de sentido e o fenômeno da orientação (com a tutela de Hermès, mencionada na introdução geral da obra). | ||
| + | * "É na superfície da terra habitável que nos lembramos de ter viajado e visitado lugares memoráveis" | ||
| + | * A palavra mais importante nessa declaração é " | ||
| + | * Em certas culturas (como os aborígenes australianos estudados por David Abram), o vínculo entre "se lembrar" | ||
| + | * A imagem usada por Ricœur para distinguir o agir e o perceber (a memória "tem seus nós e seus ventres, suas rupturas e seus lançamentos" | ||
| + | * Pode-se traçar um paralelo entre a análise dos enunciados metafóricos em A Metáfora Viva e a importância da espacialidade em A Memória, a História, o Esquecimento, | ||
| + | * A questão se levanta se o mundo lembrado não estaria amassado de significações metafóricas – um mundo habitável e não o deserto do que simplesmente "é o caso" – o que se aproxima da " | ||
| + | * A problemática da espacialidade é notavelmente expressa no esboço de uma fenomenologia do espaço habitável. | ||
| + | * A parte epistemológica da obra se inicia com a análise fenomenológica das diferentes " | ||
| + | * Ricœur discerne nessas colocações modalidades do ato de habitar, cujas polaridades (" | ||
| + | * O que é válido para a " | ||
| + | * A fenomenologia da memória deve enfrentar a dificuldade considerável representada pela noção de " | ||
| + | * A fenomenologia da lembrança e a fenomenologia da imagem (incluindo as modificações da consciência imagética, da alucinação à ficção) invadem-se mutuamente, como demonstra o exemplo de Husserl. | ||
| + | * Apesar da diferença eidética que impede a confusão entre imaginar e lembrar, é impossível ignorar o " | ||
| + | * "Quer seja simplesmente evocado como presença, e a esse título como //pathos//, quer seja ativamente procurado na operação do aviso que conclui a experiência do reconhecimento, | ||
| + | * Essa tese é crucial não apenas para a memória individual, mas também para a " | ||
| + | * Neste nível também, a dificuldade em distinguir a lembrança da imagem revela-se "o tormento da fenomenologia da memória" | ||
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| + | //PS: GREISCH, Jean. Paul Ricoeur, l’itinérance du sens. Grenoble: J. Millon, 2001.// | ||
