estudos:franck:neutralidade-encarnacao-1986
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| + | ====== NEUTRALIDADE E ENCARNAÇÃO (1986) ====== | ||
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| + | DFHCPE | ||
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| + | * A questão sobre quem é o Dasein recai sobre o ente que nós mesmos somos, cujo ser é sempre meu e para o qual se relaciona com seu ser: existir. | ||
| + | * Essas duas determinações ontológicas, | ||
| + | * O termo " | ||
| + | * Heidegger busca uma " | ||
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| + | * A destruição fenomenológica, | ||
| + | * O tema central da ontologia passada, a " | ||
| + | * Para significar o ente que não tem o modo de ser do Dasein, Heidegger escolhe o nome // | ||
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| + | * A escolha do termo // | ||
| + | * A justificativa vincula // | ||
| + | * Isso mostra, ainda que indeterminadamente, | ||
| + | * O texto autoriza a tradução literal de // | ||
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| + | * A utilização desse termo levanta um problema fundamental. | ||
| + | * O termo // | ||
| + | * Se a relação ontológica entre o Dasein e o outro ente se diz pela mão, a encarnação não deveria ser uma estrutura do Dasein, um existencial e um modo da temporalização? | ||
| + | * Se não for o caso, não estariam nos motivos de uma impossível mas necessária encarnação existencial as razões da irredutibilidade da espacialidade à temporalidade? | ||
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| + | * A questão não é vazia por duas razões. | ||
| + | * O emprego da palavra // | ||
| + | * Considerá-la metafórica desde o início seria inscrever //Ser e Tempo// na partição platônica do sensível e do inteligível. | ||
| + | * Heidegger tentou ele mesmo uma análise existencial da encarnação, | ||
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| + | * A minhidade é a propriedade do Dasein de ter seu ser sempre como meu. | ||
| + | * Ela está ligada à existência, | ||
| + | * A minhidade é a relação do Dasein com seu ser que torna possível o pronome Eu. | ||
| + | * O Eu deriva da minhidade, e não o contrário; o mesmo do mim mesmo precede o mim. | ||
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| + | * A minhidade constitui um princípio de individuação mais radical que o dizer-Eu. | ||
| + | * Tomar o Eu como ponto de partida para uma análise de meu ser é falhá-lo. | ||
| + | * A " | ||
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| + | * A minhidade não é algo de que eu seja a origem, mas a relação com o ser mesmo como origem do si. | ||
| + | * " | ||
| + | * Dasein significa cuidado não apenas do ser humano, mas do ser do ente como tal extaticamente revelado nesse cuidado. | ||
| + | * O Dasein é ele mesmo por sua relação essencial com o ser em geral. | ||
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| + | * O peso da minhidade é considerável. | ||
| + | * Ela funda a distinção entre existência própria e imprópria, que estrutura toda a analítica existencial. | ||
| + | * Sendo sua possibilidade, | ||
| + | * Se o Dasein é, em sua ipseidade, relação com o ser mesmo, então o ser mesmo é sempre meu. | ||
| + | * Sem isso, o ser da questão não seria o ser mesmo do ente interrogado. | ||
| + | * A minhidade, finalmente, anuncia o // | ||
| + | |||
| + | * À minhidade e à existência, | ||
| + | * Em 1928, Heidegger expõe "o problema de //Ser e Tempo//" | ||
| + | * A primeira proposição: | ||
| + | * A neutralidade, | ||
| + | |||
| + | * A região " | ||
| + | * Se a sexualidade e a encarnação são traços antropológicos, | ||
| + | * Essa assexualidade não é a indiferença de uma nulidade vazia, mas a positividade e potência originárias da essência. | ||
| + | * O Dasein neutro é a possibilidade de toda existência encarnada que a si mesma pertence. | ||
| + | |||
| + | * No ensaio //A Essência do Fundamento//, | ||
| + | * É porque o Dasein como tal é determinado pela ipseidade que um mim mesmo pode se relacionar com um ti mesmo. | ||
| + | * A ipseidade é pressuposto para a possibilidade da egoidade, que só se revela no ti. | ||
| + | * A ipseidade nunca está ligada ao ti – ela o torna possível –, ao contrário, é neutra em relação ao ser-eu e ao ser-ti, e mais ainda em relação à sexualidade. | ||
| + | * Todas as proposições essenciais da analítica ontológica consideram por antecipação esse ente nessa neutralidade. | ||
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| + | * As análises da hermenêutica existencial são regidas por essa neutralidade de essência. | ||
| + | * A ipseidade própria essencialmente neutra é uma modificação existencial do francês //on// [STMS: impessoal]. | ||
| + | * O //on// é, ele também, em um sentido secundário, | ||
| + | * Há, portanto, duas neutralidades: | ||
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| + | * Como, e sobretudo quem – qual Dasein, sob qual modo de ser – poderá discriminar a neutralidade de origem da neutralidade em decadência? | ||
| + | * A demarcação rigorosa desses dois sentidos da neutralidade suporta nada menos que a possibilidade da questão do ser mesma. | ||
| + | * A introdução temática da neutralidade ameaça, por contrapartida, | ||
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| + | * A que motivos obedece essa adição da neutralidade? | ||
| + | * Nos // | ||
| + | * A interpretação temporal do ser se inclina para a diferença ontológica. | ||
| + | * Para colocar o problema da metafísica, | ||
| + | * Esse reviramento da ontologia fundamental em metontologia responde a três imperativos. | ||
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| + | * A neutralidade visa preservar a analítica existencial de todo desvio antropológico. | ||
| + | * Ela permite cortar a ambiguidade residual de alguns enunciados de //Ser e Tempo// onde o Dasein parece se confundir com o homem. | ||
| + | * O Dasein neutro constitui a possibilidade do existente fático, que é sempre encarnado e sexuado. | ||
| + | * Afirmar a neutralidade do Dasein é, em retorno, dar-se a elucidar a possibilidade existencial da carne. | ||
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| + | * O problema pode tomar a forma seguinte: a que título o Dasein detém a possibilidade de sua encarnação, | ||
| + | * A encarnação se apresenta como uma dispersão. | ||
| + | * O Dasein recai a possibilidade intrínseca da dispersão fática na carne e, com isso, na sexualidade. | ||
| + | * O Dasein é, enquanto fático, sempre espalhado em uma carne e assim dividido em uma sexualidade determinada. | ||
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| + | * Os conceitos de dispersão, espalhamento, | ||
| + | * Eles designam uma demultiplicação em obra em todo Dasein fático. | ||
| + | * A analítica existencial indica outras possibilidades dessa dispersão. | ||
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| + | * Todas essas possibilidades dispersivas estão ligadas à decadência, | ||
| + | * Elas se enraízam necessariamente em uma estrutura originária e própria do Dasein. | ||
| + | * À essência do Dasein em geral pertence já uma disseminação originária, | ||
| + | * É a disseminação originária e neutra, ou dispersão transcendental, | ||
| + | * Se a decadência é um conceito relativo ao movimento ontológico do Dasein enquanto lançado, a dispersão transcendental tem seu fundamento no ser-lançado. | ||
| + | * O ser-lançado assegura, em última instância, a possibilidade existencial da encarnação sexuada. | ||
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| + | * O traço fenomenal que autoriza a pensar a carne como relevante do ser-dispersado é a divisão sexual. | ||
| + | * É pela sexualidade, | ||
| + | * Essa interpretação exige que a sexualidade seja ela mesma compreendida de maneira existencial. | ||
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| + | * A nona proposição dos // | ||
| + | * A dispersão essencialmente lançada do Dasein, entendida de modo neutro, se anuncia em que o Dasein é ser-com com o Dasein. | ||
| + | * Esse ser-com não surge sobre o fundo de uma coexistência fática; ele não se explica com base em um ser genérico, supostamente mais originário. | ||
| + | * O impulso genérico comum e a união genérica têm como pressuposto metafísico a dispersão do Dasein como tal, isto é, o ser-com em geral. | ||
| + | * Esse caráter metafísico fundamental do Dasein nunca se deixa derivar da organização genérica e da vida uns com os outros. | ||
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| + | * A análise é clara: o ser-com é um modo da dispersão transcendental pressuposto por toda coexistência fática e toda encarnação sexuada. | ||
| + | * O ser-com é o //a priori// existencial de toda relação carnal-sexual entre existentes fáticos. | ||
| + | * Mas como o ser-genérico, | ||
| + | * Pode-se compreender as relações carnal-sexuais como união genérica sem conceber sub-repticiamente a existência no horizonte do ser-simplesmente-presente? | ||
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| + | * Há mais: o ser-com é uma determinação metafísica fundamental da dispersão. | ||
| + | * Ele forma a condição existencial de possibilidade de toda coexistência, | ||
| + | * A dispersão qualifica também o modo de ser do Dasein quotidiano decaído no //on//. | ||
| + | * A dispersão decadente é o modo de existência que mais se opõe à resolução, | ||
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| + | * Se a dispersão transcendental neutra, sob a figura do ser-com, é o //a priori// da coexistência dispersada no //on// e da coexistência fundada na resolução, | ||
| + | * Os dois sentidos da neutralidade não se deixam dissociar e contrastar. | ||
| + | * A qual Dasein atribuir essa dispersão essencialmente neutra que torna possível o ser-com nos dois modos da propriedade e da impropriedade? | ||
| + | * O Dasein existe sempre em um desses dois modos ou em uma indiferença modal, e a neutralidade de essência não é uma indiferença. | ||
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| + | * A tese da neutralidade originária do Dasein coloca o problema de sua encarnação. | ||
| + | * O recurso à dispersão transcendental é destinado a resolvê-lo. | ||
| + | * Mas a introdução desses dois conceitos na analítica existencial não tem por efeito perturbar gravemente seu equilíbrio interno? | ||
| + | * Eles não subtraem o Dasein à diferença do próprio e do impróprio? | ||
| + | * Não acarretam que o ente que somos não possa se encarnar sem se excepcionar de seu sentido temporal, já que propriedade e impropriedade são modos da temporalização? | ||
| + | * Essa exceção não é análoga, ou idêntica, à da espacialidade que toda dispersão implica, espacialidade irredutível à temporalidade? | ||
| + | * As questões e aporias suscitadas pela carne e pelo espaço conduzem aos limites da conceitualidade de //Ser e Tempo//, colocada a serviço da superpotência do tempo. | ||
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