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| + | ====== Os graus de intuição e a evidência apodíctica (1959) ====== | ||
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| + | //Data: 2025-03-18 06:55// | ||
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| + | //Júlio Fragata, A Fenomenologia de Husserl como Fundamento da Filosofia. Livraria Cruz, 1959// | ||
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| + | CAPITULO II A EVIDÊNCIA APODÍTICA | ||
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| + | 3. — OS GRAUS DE INTUIÇÃO E A EVIDÊNCIA APODÍCTICA | ||
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| + | A intuição, como acabamos de considerar, é especificada pela diversidade do objeto; o seu grau de perfeição determina-se pela posse mais ou menos plena do mesmo. Após as considerações já desenvolvidas no decurso deste capítulo, facilmente podemos entender este problema de importância fundamental para a compreensão do pensamento husserliano. | ||
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| + | Husserl admite graus de extensão (Umfang), — de vivacidade (Lebendigkeit), | ||
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| + | Uma intenção pode estar apenas parcialmente preenchida. É o que acontece sempre quo se trata de percepções de coisas exteriores: «As partes do reverso invisível, do interior, etc, estão, sem dúvida, significadas dum modo mais ou menos determinado, | ||
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| + | Neste caso, a intuição não é plenamente adequada; como não se estende ao objeto todo, temos um defeito de extensão ou de «riqueza de plenitude». | ||
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| + | Os elementos manifestativos do objeto podem, além disso, indicá-lo dum modo mais ou menos claro, por exemplo, conforme é visto de longe ou de perto, com maior ou menor luminosidade. Portanto a intuição pode dar-nos o objeto dum modo mais ou menos confuso, ou seja, admite graus de vivacidade. | ||
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| + | Finalmente, em qualquer percepção, | ||
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| + | Poderíamos reduzir os dois últimos casos ao primeiro, onde transparece diretamente a deficiência de «preenchimento». Com efeito, a menor vivacidade só é explicável por uma ausência de determinados elementos da realidade que não se chegam a atingir e portanto não contribuem para o preenchimento da intenção. E os elementos imaginativos, | ||
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| + | Entramos assim em circunstâncias de poder compreender mais profundamente o sentido de «evidência apodíctica». | ||
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| + | Gomo a evidência ó a consciência da intuição ou da posso da realidade, é patente que há-de admitir também graus: «A evidência, escreve Husserl, pode ser mais ou menos perfeita». O seu supremo grau de perfeição verificar-se-ia ; na adequação plena, em que a realidade transpareceria numa posse integral e portanto dum modo absoluto. Teríamos então a garantia primordial para uma «evidência apodítica». | ||
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| + | Mas Husserl reconhece que a plena adequação é apenas um «ideal», ou uma «ideia no sentido kantiano», um caso limite para o qual devemos tender, sem a pretensão do saciar plenamente a nossa ânsia: «A evidência perfeita, e portanto a verdade pura e genuína que lhe corresponde, | ||
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| + | Nem por isso renuncia Husserl à possibilidade da «evidência apodíctica», | ||
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| + | O critério que deve orientar o filósofo tem quo ser a apoditicidade, | ||
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| + | Surge porém uma dificuldade: | ||
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| + | Desde já podemos antever que um tal discernimento reflexivo, levado a cabo com o rigor característico de Husserl, há-de ser uma tarefa difícil. Assim como a adequação plena 3 torna inatingível, | ||
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| + | Mas o ideal proposto por Husserl apresenta-se claro, não há dúvida que uma tal evidência tem as características um «começo absoluto», pois não pode haver nada mais primordial do que a «realidade» que se impõe dum modo isufismavelmente reflexo e portanto com plena luminosidade. Husserl chegou deste modo — é ele mesmo que reconhece — ao equivalente cartesiano da percepção clara e distinta. | ||
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| + | O «princípio de todos os princípios» — será portanto o seguinte: «Tudo o que é intuído duma maneira originária é, por direito, uma fonte de conhecimento» e portanto «tem que ir aceite como se apresenta». Neste sentido, Husserl, grande inimigo do Positivismo, | ||
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| + | Toda a dificuldade está precisamente na clarificação este «positivismo» que coincidirá praticamente com um racionalismo extremo. Para isso, precisamos de subir a ma atitude tal que nos permita o recurso contínuo à evidência apodítica, colocando-nos numa espécie de hábito reflexivamente filosófico. | ||
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| + | O problema adquire importância mesmo para orientar nossa linguagem: As palavras, pelas quais necessariamente exprimimos a realidade, são essencialmente imperfeitas, | ||
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| + | Para nos levar a esse contato íntimo com a realidade, ao campo absoluto das «evidências apodíticas», | ||
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| + | Esta renovação não pôde completá-la Husserl. Com o seu caráter cioso sempre de maior exatidão, viu-se obrigado a ficar, quase exclusivamente, | ||
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| + | Oh! se lhe fosse concedida a idade de Matusalém, suspira ele, para poder chegar a ser também verdadeiro filósofo. Mas terá que se contentar, como Moisés, com ver a «Terra da Promissão» estendida diante de si, na expectativa de que outros, seguindo a orientação por ele traçada, a pouco e pouco possam construir o edifício imponente da Filosofia como ciência rigorosa. | ||
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| + | Acompanhemo-lo, | ||
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