estudos:fragata:fragata-1959-intencao-significativa-e-intuicao
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revision | |||
| estudos:fragata:fragata-1959-intencao-significativa-e-intuicao [27/01/2026 09:00] – mccastro | estudos:fragata:fragata-1959-intencao-significativa-e-intuicao [09/02/2026 20:16] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Intenção significativa e intuição (1959) ====== | ||
| + | |||
| + | //Data: 2025-03-18 06:24// | ||
| + | |||
| + | //Júlio Fragata, A Fenomenologia de Husserl como Fundamento da Filosofia. Livraria Cruz, 1959// | ||
| + | |||
| + | CAPITULO II A EVIDÊNCIA APODÍTICA | ||
| + | |||
| + | 1. — INTENÇÃO SIGNIFICATIVA E INTUIÇÃO | ||
| + | |||
| + | «Evidência» (Evidenz, Einsicht) e «intuição» (Intuition / Anschauung) são dois conceitos fundamentais e inseparáveis na filosofia de Husserl. Quase todas as suas obras refletem a preocupação de ter o leitor a par do sentido destes termos, e já na sexta e última investigação lógica, publicada na segunda edição em volume à parte, nos apresenta sobre eles um estudo pormenorizado. A intuição adquire em Husserl uma amplidão peculiar no âmbito do nosso conhecimento, | ||
| + | |||
| + | Temos que começar pela diferença fundamental entre «intenção significativa» (Bedeutungsintention) e «intenção intuitiva», | ||
| + | |||
| + | Falamos de uma intenção meramente significativa enquanto apenas «significamos intencionalmente» (meinen) o objeto, isto é, se atendemos apenas à sua mera significação, | ||
| + | |||
| + | Se consideramos apenas o conteúdo significativo de um «prado», prescindindo de qualquer presença sua, mesmo imaginativa, | ||
| + | |||
| + | A intuição é portanto definida pela presença da realidade mesma do objeto enquanto conhecido, ou seja, pela adequação entre o objeto e o seu conhecimento meramente pensado. | ||
| + | |||
| + | Por outras palavras, a intuição é uma síntese entre a monte da qual provém a mera intenção, e o objeto. O laço unitivo desta síntese é o preenchimento: | ||
| + | |||
| + | Temos portanto na intuição, ou no preenchimento que a provoca, ainda mesmo quando ela se exprime verbalmente, | ||
| + | |||
| + | A evidência não é mais que a consciência desta unidade, ou seja, a consciência da intuição; é a clarividência originada pela presença, pela posse do objeto, ou, em palavras do mesmo Husserl, «a vivência da coincidência entre a intenção e o objeto presente». Nesta presença vivida, como que se «experimenta» o objeto, e por isso a evidência implica intrinsecamente uma «experiência» que Husserl estende no entanto para além duma experiência no sentido estrito, ou meramente sensível: «Podemos dizer que a evidência, escreve, é de si uma experiência no sentido lato embora essencial». | ||
| + | |||
| + | Esta «experiência» assim concebida há-de revestir diferentes modalidades -em conformidade com o caráter do objeto experimentado e será mais ou menos perfeita segundo a posse ou experiência do objeto for mais ou menos plena. É o que passamos a esclarecer ainda, em dois parágrafos, | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
estudos/fragata/fragata-1959-intencao-significativa-e-intuicao.txt · Last modified: by 127.0.0.1
