estudos:fedier:sprache
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| + | ====== Sprache ====== | ||
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| + | LDMH | ||
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| + | * A observação de que // | ||
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| + | * A razão dessa reserva se deixa compreender quando se retorna ao texto inaugural do livro, no qual a frase Die Sprache spricht aparece como formulação decisiva. O deslocamento do acento para die Sprache impede a leitura segundo a qual a palavra possuiria simplesmente a propriedade de ser falante, exigindo que se entenda que é a própria palavra que fala. Essa inversão dissolve a crença segundo a qual o homem seria o agente originário da linguagem e reconduz o falar humano a uma proveniência mais originária, | ||
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| + | * Mesmo quando se acredita firmemente ser o locutor da língua, permanece em operação um estado essencial da palavra, do qual procede tudo aquilo que se chama linguagem. Essa fonte não se encontra em um além inacessível, | ||
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| + | * A insistência em não traduzir Sprache por “língua” ou “linguagem” visa afastar o pensamento de qualquer enquadramento linguístico ou metalinguístico. O recurso ao termo “parole”, | ||
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| + | * A referência ao uso geométrico de parabole em Euclides esclarece a precisão dessa acepção, pois ali a parabole consiste em construir uma figura igual a outra, reconduzindo uma forma desconhecida à clareza de uma forma conhecida. Essa operação estabelece uma identidade que preserva a diferença, tornando visível como a palavra pode fazer passar algo de um regime de opacidade a um de maior diafaneidade, | ||
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| + | * A partir dessa compreensão, | ||
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| + | * Quando se trata de nomear a palavra em sua proveniência, | ||
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| + | * A elucidação do verbo sagen exige atenção à sua etimologia, pois ele não se origina do radical que significa mostrar, como dicere, mas de sekw-, que significa seguir. Essa proveniência aproxima sagen de sehen, indicando que tanto ver quanto falar consistem originariamente em um seguimento. Ver é seguir com os olhos; falar é seguir um curso, manter-se fiel a um fio que dá consistência ao dizer. | ||
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| + | * Considerado a partir dessa origem, falar não é primeiramente fazer aparecer algo diante de um sujeito, mas sustentar um encadeamento sem perder o fio. Só onde esse seguimento se mantém há palavra propriamente dita; quando ele se rompe, resta apenas o discurso disperso, que pode continuar a enunciar sem, no entanto, falar verdadeiramente. | ||
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| + | * O uso corrente de sagen e de “dire”, reduzido à simples enunciação, | ||
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| + | * A impossibilidade de formular diretamente essa pergunta a partir do termo “linguagem” decorre do fato de que, em francês, não há mais um verbo correspondente, | ||
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| + | * A retomada da definição de //die Sage// permite compreender por que esse termo pode ser traduzido por “a Parole”, com maiúscula, entendida como singular absoluto. A Parole não se encontra no fundo das línguas particulares, | ||
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| + | * Essa unidade temporal não é cronológica, | ||
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| + | * Falar uma língua consiste em habitar a maneira como ela foi e deve ser falada, o que exige mais do que repetir usos consagrados. A atenção exclusiva às formas já ditas não basta para falar como falaram aqueles que realmente falaram, pois isso exige perguntar pelo que está a falar e pelo que é requerido no próprio ato de falar. | ||
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| + | * A noção de //das zu-Sagende// | ||
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| + | * A referência a Proust esclarece essa exigência ao mostrar que falar verdadeiramente consiste em fazer passar algo do invisível ao concreto, do inefável à formulação clara. Esse fazer passar é assimilado à tradução, entendida como a operação pela qual o não-dito, o // | ||
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| + | * Toda palavra verdadeira é nova porque responde a um apelo que não se reduz ao já-dito. Esse apelo não é ele próprio o que é falado, mas sem ele nenhuma palavra escapa ao bavardage, nem nenhuma escuta deixa de ser mera dissipação, | ||
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