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 +====== Pensar e Errar ======
 +//STEIN, Ernildo. Pensar e errar: um ajuste com Heidegger. Ijuí: Editora Unijuí, 2015.//
  
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 +**Prefácio**
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 +**Nota — Pensar e errar**
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 +**Introdução**
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 +**Capítulo 1 — A filosofia — o pensar**
 +  * O filósofo — Uma introdução à filosofia de Heidegger
 +  * O livro — "Ser e tempo": uma retomada da questão fundamental da metafísica
 +  * O novo — Uma inovação para além dos mestres da suspeita: um caminho histórico para "Ser e tempo"
 +  * A hermenêutica — O núcleo da diferença entre Husserl e Heidegger
 +  * A destruição — Crítica de Heidegger à metafísica e à religião
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 +**Capítulo 2 — A errância — o erro**
 +  * O compreender — Verstehen: entender ou compreender? A questão de uma dupla estrutura na filosofia
 +  * O interpretar — Anamorfose e profundidade: as ilusões da interpretação na obra de Heidegger
 +  * O erro — Há, para o filósofo, algum limite exterior ao seu discurso?
 +  * O delírio — O oculto (Das 'Verborgene'): uma enigmática preocupação de Heidegger numa correspondência de 1945
 +  * O desejo — Que significa "Não cedas de teu desejo"?
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 +**Capítulo 3 — O dispositivo — a técnica**
 +  * O enigma — A era do dispositivo: Heidegger e a questão da técnica
 +  * O mundo — A desconsideração de mundo e o diagnóstico da técnica
 +  * O digital — O corpo virtual: a modernização dos sentidos
 +  * O direito — Considerações históricas sobre a filosofia no direito
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 +**Capítulo 4 — O conceito — a existência**
 +  * Existência em Heidegger e Tugendhat
 +  * Preliminares
 +  * Os conceitos de existência em Heidegger
 +  * Tugendhat e os conceitos de existência
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 +**Os Cadernos Negros de Heidegger — Uma Intervenção Necessária**
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 +**Um filósofo no labirinto da floresta com seus manuscritos — 8 de agosto de 2015**
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 +1. Um filósofo de 38 anos, já célebre por Ser e tempo (1927), atravessava de bicicleta o vale do Danúbio durante os bombardeios aliados carregando seus manuscritos, convicto de que tais registros de aulas e seminários um dia fariam história e, como diria já sexagenário, dariam indicações para salvar o Ocidente.
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 +2. Nascido no Heuberg, filho do sacristão de sua aldeia, formado em colégios de tradição católica, o jovem Heidegger fora inicialmente encaminhado à formação sacerdotal entre jesuítas e dominicanos antes de abandonar a Teologia pelo Doutorado em Filosofia, marcado decisivamente pela leitura de O significado múltiplo do ser em Aristóteles, obra que teria lançado a semente da pergunta pelo ser (Sein) que o acompanharia por toda a vida.
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 +3. Na Universidade de Freiburg, onde concluiu doutorado e livre-docência dedicados a temas do neokantismo e da tradição medieval, o encontro com Edmund Husserl desviou-o da promessa de ocupar a cátedra católica da Concordata, encantando-o pela fenomenologia husserliana e produzindo o encontro entre tradição metafísica e método fenomenológico.
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 +4. A partir dos passos de Husserl, Heidegger desenvolveu em poucos anos um pensamento autônomo denominado Fenomenologia Hermenêutica, evidenciado no curso de interpretação de Aristóteles de 1922 — que teve entre seus alunos Gadamer, Hans Jonas, Hannah Arendt e Karl Löwith — e no seminário Ontologia Hermenêutica de 1923, iniciando o percurso que conduziria a Ser e tempo.
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 +5. A ocupação com temas como visão de mundo, as epístolas paulinas, Santo Agostinho, Dostoiévski e Van Gogh, somada à concentração em Platão, Aristóteles e na Escola Histórica alemã, conduziu ao amadurecimento da fenomenologia hermenêutica na obra Ser e tempo.
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 +6. O elemento decisivo do sucesso mundial de Ser e tempo consistiu em situar a pergunta clássica platônico-aristotélica sobre o ser numa analítica existencial, retomando a questão a partir do sentido do ser (Sinn von Sein) e mantendo-se fiel à tradição metafísica ao mesmo tempo em que a repensava no horizonte do tempo, mediante o método da fenomenologia hermenêutica.
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 +7. Planejada em duas partes — a analítica preparatória, composta pelas seções Dasein e cotidianidade, Dasein e temporalidade, e Tempo e ser, e uma segunda parte de destruição ou desobstrução da metafísica a partir de Descartes, Kant e Aristóteles —, a obra teve apenas as duas primeiras seções sistematicamente desenvolvidas, suficientes, contudo, para garantir a Heidegger a nomeação como professor ordinário em Marburg an der Lahn em 1926.
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 +8. Chamado em 1929 para suceder Husserl na Cátedra de Fenomenologia em Freiburg, Heidegger já acumulara os manuscritos que constituiriam o chamado primeiro Heidegger, período que incluiu o curso Problemas Fundamentais da Metafísica — mundo, finitude, solidão (1929-1930), descrito por ele mesmo, em correspondência com Elisabeth Blochmann, como sua Metafísica.
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 +9. No início dos anos 30 surgiu a viravolta (Kehre) que inaugurou o segundo Heidegger, dedicado à interpretação dos principais filósofos da Modernidade sob o fio condutor da história do esquecimento do ser, período cujos escritos das décadas de 20 a 40 o filósofo procurou salvar, escondendo-os num baú numa gruta rochosa do vale do Danúbio, ao lado de manuscritos de Hölderlin.
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 +10. Os anos 30 trouxeram a Heidegger conflitos ligados à aceitação da Reitoria de Freiburg sob o regime nacional-socialista, cargo do qual se demitiu dez meses depois de assumi-lo, ampliando-se nos cursos e seminários dessa década a leitura dos filósofos da metafísica como sinal do esquecimento do ser e causa de um processo político-cultural conducente ao desastre do Ocidente.
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 +11. A partir do fim dos anos 50 e até sua morte em 1976, Heidegger organizou, com ajuda familiar e a Editora Klostermann, sua Obra Conjunta (Gesamtausgabe), iniciada em 1976 com Problemas Fundamentais da Fenomenologia e hoje somando mais de cem volumes, aos quais se acrescentam volumes de correspondência e os Cadernos negros.
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 +12. Os Cadernos negros (Schwarze Hefte), assim chamados pelo papelão impermeabilizado a piche que protegia cada um dos doze volumes de notas marginais escritas entre 1932 e 1948, reúnem observações de Heidegger sobre a história de seu tempo, contendo passagens de julgamentos equívocos, dureza interpretativa e preconceitos imperdoáveis num filósofo de sua estatura.
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 +**Os Cadernos negros - observações à margem da história (1931-1948) — 11 de agosto de 2015**
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 +13. Diante da controvérsia pública sobre os Cadernos negros, propõe-se calibrar dois níveis de julgamento distintos — o homem Heidegger e o filósofo —, reconhecendo Ser e tempo como a obra mais notável do século 20, ao lado de outras de estatura singular, sem que isso implique defesa do lado pequeno, ressentido e perverso revelado pela biografia.
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 +14. A presença da questão nazista, entre 1932 e 1946, constitui o aspecto mais deletério da avaliação de Heidegger, que buscou insistentemente explicar o totalitarismo nazista pela ruína da atmosfera do pensar (Denken), atribuindo o fenômeno a um pântano histórico do medo de pensar, conforme registro do volume 4 dos Cadernos negros de 1942.
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 +15. A crítica heideggeriana ao racismo biologicista convive com a atribuição paradoxal de uma peste do mal a uma explicação centrada exclusivamente no pensar filosófico, evidenciando um vício e teimosia crescentes a partir dos anos 30, apesar da existência de recursos das ciências sociais, políticas e psicológicas para compreender o totalitarismo e o racismo nazista.
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 +16. Nos Cadernos negros desenvolve-se uma teoria peculiar sobre os judeus, atribuindo-lhes qualidades como resistência e avanço científico e técnico, para em seguida sustentar que as ciências não pensam no sentido profundo do pensar, deduzindo-se daí a existência do que se denomina um antissemitismo da história do ser (eine seinsgeschichtliche Antisemitismus), interpretado como sinal da hipertrofia de uma Filosofia que pretendeu mais do que a Filosofia pode alcançar.
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 +17. Uma passagem dos Cadernos negros (volume 4, 1942) sobre a luta do "judaico" contra o judaico é interpretada como atribuição da culpa do Holocausto aos próprios judeus, entendidos como vítimas de si mesmos, interpretação classificada como monstruosa e reveladora de um processo paranoico do filósofo, aproximável das formas de existência malograda descritas por Binswanger.
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 +**11 de agosto de 2015 (segunda entrada)**
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 +18. Reconhece-se a influência ampliadora de Heidegger sobre os próprios temas filosóficos, ainda que o filósofo não tenha sido guia confiável, tendo a formação pessoal se apoiado também em clássicos como Aristóteles, Kant, Hegel e Husserl, em teólogos como Guardini, von Balthasar e Rahner, em tomistas transcendentais como Lotz, Coreth e Maréchal, e em colegas como Apel, Habermas, Tugendhat e sobretudo Gadamer.
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 +19. A seletividade na leitura de Heidegger evitou o fascínio acrítico por seus textos sedutores, tendo sido decisivos, filosoficamente, Ser e tempo e os materiais dos anos 20, pela novidade da analítica existencial como novo lugar para a questão da compreensão do ser e pela releitura dos temas centrais da metafísica sob o nome de fenomenologia hermenêutica.
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 +20. Reconhece-se sentido também no Heidegger 2 dos anos 30, malgrado o perigoso jogo da desconstrução da história do ser, notando-se que, enquanto o Heidegger 1 era navegante sem espectadores, o Heidegger 2 passou a cercar-se de espectadores que não o compreendiam nem ele conhecia.
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 +21. Os Cadernos negros revelam-se documento revelador não apenas dos riscos da Filosofia heideggeriana, mas do imenso lastro ideológico e de visão de mundo do filósofo, exigindo exploração mais competente do lado biográfico, questionando-se se a onipotência ali manifesta não revelaria compulsão e paranoia, ainda que nesses estados de transe autoipnótico se mostre também uma verdade do delírio.
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 +**22 de agosto de 2015**
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 +22. A paralisação do projeto conceitual de Ser e tempo ao fim da segunda seção, sem a publicação de Tempo e ser, conduziu Heidegger à viravolta rumo à história do esquecimento do ser, na qual descobriu um evento, entrando a Filosofia, ao voltar-se para ícones e narrativas, em terreno de limites indefinidos.
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 +23. O ser da metafísica, enquanto evento do esquecimento do ser, recebeu o nome de Seer (Seyn), ícone e narrativa a partir do qual o filósofo se tornaria veículo de um grande julgamento histórico não assumido como responsabilidade pessoal, mas atribuído ao automatismo do esquecimento do ser.
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 +24. Segundo essa narrativa, o princípio epocal da era do esquecimento do ser é a técnica e o cálculo, sendo o destino dos povos — americanos, russos e judeus — descrito a partir desse único lugar, privilegiando-se os judeus como senhores da ciência, do cálculo e da técnica e, portanto, culpados de modo mais radical pela história do esquecimento do ser.
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 +25. Hannah Arendt, em seus Denktagebücher, descreveu um Heidegger que construiu uma armadilha para o mundo e nela se aprisionou, contrastando-se seu pensamento do inevitável com o pensamento arendtiano do possível fundado na liberdade humana, evidenciando-se em Heidegger a ausência da categoria de liberdade e, com ela, da responsabilidade moral.
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 +**23 de agosto de 2015**
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 +26. Reconhece-se aparente contradição entre a crítica pública aos Cadernos negros e a continuidade do trabalho acadêmico com Ser e tempo, levantando-se a hipótese de que o motivo recorrente das críticas e atitudes de Heidegger diante dos judeus estivesse ligado à busca de um perfil filosófico aproximado dos gregos, vendo nas tradições judaica e cristã uma ameaça a um suposto novo começo (der andere Anfang) da Filosofia.
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 +27. A recusa heideggeriana da definição de homem como animal racional, associada à insistência na temporalidade contra qualquer presença constante (nunc stans), é interpretada como tentativa de fundar um novo modo de pensar o gênero humano, hipótese que, embora eximisse parcialmente o filósofo de culpa moral direta, não afasta o caráter paranoico e delirante da pretensão de fundar uma história nova isenta de condenação.
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 +28. Questiona-se até que ponto a Filosofia de Heidegger incorporou padrões morais civilizados, notando-se sua própria afirmação, em Ser e tempo (p. 286), de que o ser essencialmente culpado (Schuldigsein) constitui condição existencial de possibilidade da moralidade como tal, sem que disso decorra uma ética propriamente desenvolvida, concluindo-se pela possibilidade de continuar lendo e confrontando os textos do filósofo sem comprometer-se com seus juízos históricos sobre os judeus, atribuídos a preconceito e ignorância de seu tempo.
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 +**26 de agosto de 2015**
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 +29. Uma travessia mais sistemática pelos quatro volumes disponíveis dos Cadernos negros (94 a 97, cobrindo 1931 a 1948) permite situar historicamente três fases do pensamento heideggeriano: o Heidegger 1 dos anos acadêmicos até Ser e tempo, o Heidegger 2 iniciado com o engajamento político e a Reitoria de 1933 e aprofundado na questão da história do esquecimento do ser e do Seer como Ereignis (evento-apropriador), e um possível Heidegger 3 após sua exclusão definitiva da universidade.
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 +30. A aceitação da Reitoria por pressão dos colegas, seguida de demissão após dez meses, insere-se num contexto de crescente conflito com filósofos nacional-socialistas, sem que se possa determinar com segurança até que ponto Heidegger apenas pensava filosoficamente o nazismo mantendo distância interna ou nele efetivamente se envolvia.
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 +31. Nenhuma evidência indica que Heidegger tenha usado a cátedra para doutrinação nazista, havendo antes críticas latentes ao regime perceptíveis em cursos como os dedicados a Nietzsche, confirmadas por testemunho epistolar e pela vigilância exercida sobre ele pelo serviço secreto após a Reitoria.
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 +32. Das aproximadamente 1.500 páginas dos quatro volumes analisados, identificam-se treze passagens sobre a questão judaica, nenhuma das quais apoia explicitamente a perseguição aos judeus, ainda que contenham observações inaceitáveis, predominando antes a obsessão filosófica de compreender radicalmente seu tempo e uma crítica virulenta ao cristianismo, associado por vezes de modo pouco digno aos jesuítas e aproximado da questão judaica.
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 +33. Reconhece-se nos Cadernos negros insistente ingenuidade nas avaliações históricas e políticas, marcadas pelos padrões de julgamento do provinciano preconceituoso da Floresta Negra, constituindo, ainda assim, acréscimo importante à compreensão de Heidegger não como filósofo, mas como figura polêmica comparável a Platão em Siracusa e Aristóteles junto a Alexandre Magno, recomendando-se, para os que não lerão os doze volumes integrais, a leitura do volume 95, escrito entre 1938 e 1939.
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