estudos:ernildo-stein:mv:lebenswelt-e-unidade-da-experiencia-27-29
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| + | ====== Lebenswelt e unidade da experiência ====== | ||
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| + | Por um lado, ao ouvirmos o termo Lebenswelt e, de outro, ao pensarmos no rigor com que Husserl procedia em sua Filosofia poderíamos concluir que este termo origina um certo mal-estar. Este mal-estar, entretanto, é mais de Husserl do que nosso, porque nós já estamos com muitos elementos novos no caminho, enquanto que, em Husserl, era a tentativa de denominar algo que certamente não era determinado, | ||
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| + | Lebenswelt, portanto, traça um limite entre os dois universos seguintes: o das vivências dos atos conscientes que pode ser científica ou filosoficamente posto no rol da Filosofia como ciência rigorosa; e o do conjunto de elementos que não cabia no projeto de Husserl, na medida em que queria apanhar as margens, as bordas de uma realidade que não ingressava na cientificidade, | ||
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| + | Podemos perguntar por que a palavra Lebenswelt fez fortuna tão rapidamente e, enfim, por que teve uma rápida aceitação? | ||
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| + | Obviamente, o conceito Lebenswelt trazia mais problemas porque ele havia sido criado para ser um termo por intermédio do qual nós falamos, mas sobre o qual não podemos falar. Ele tinha de ser aquele ponto principiai que fica antes da possibilidade de falar, mas que é a possibilidade de falar, isto é, do discurso, do predicar, etc. | ||
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| + | [28] Então, de nada adiantaria para Husserl fazer grandes teorias sobre Lebenswelt. Estranhamente, | ||
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| + | Husserl, no entanto, depois de ter criado o termo, em 1924, lutou novamente em 1926 e terminou recaindo no mesmo termo, quando falava em Ursprungskonkretion der Welt, uma concreção originária do mundo. Este termo foi abordado por ele em sua Psicologia fenomenoló-gica. | ||
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| + | Lebenswelt não se tornou um termo técnico que Husserl poderia utilizar em sua fenomenologia sem encontrar problemas. Poderíamos dizer que Lebenswelt colocava-se em Husserl como a questão da rememoração ou a questão da anamnesis, mas a rememoração bate contra uma parede e a anamnesis chega ao ponto em que se está realizando como um exercício, mas sem objeto. E Husserl em algum momento empregou esta expressão. | ||
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| + | O termo Lebenswelt, entretanto, passou a ter um uso um pouco mais forte e determinado quando Husserl começou a falar em horizontes. São horizontes de uma experiência que devem ser presumidos e é isso que nós denominamos mundo da vida. | ||
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| + | O problema de Lebenswelt, então, liga-se com a questão da experiência, | ||
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| + | Assim, Lebenswelt é uma espécie de fiador, porque é o lugar de origem de uma certa unidade de experiência sem que, entretanto, se definisse de que maneira isso se dava. Nós julgamos isso não muito problemático, | ||
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| + | O que significa poder ter uma experiência unitária? O sujeito tem unidade a partir do universo de suas experiências. Se suas experiências são múltiplas e se elas dificilmente são recomponíveis em uma unidade, o resultado é que o indivíduo não tem essa unidade. Ele, então, perde a sua unidade, mas não perde apenas isso. Se procurarmos descrever para os outros uma experiência nossa e não pudermos recuperar no outro a mesma modalidade de experiência que fizemos então não falamos da mesma coisa. | ||
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| + | Pressuporíamos, | ||
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| + | Essa questão a fenomenologia enfrentou e não resolveu. De certo modo, nasceu disso o fracasso da fenomenologia, | ||
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| + | Desse modo, a questão do antepredicativo, | ||
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| + | //STEIN, Ernildo. As ilusões da transparência: | ||
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