estudos:eric-nelson:tao:vazio
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| + | ====== Vazio ====== | ||
| + | //NELSON, Eric S. Heidegger and Dao: things, nothingness, | ||
| + | **III. Vazio e a coisa entre desprendimento e enquadramento** | ||
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| + | **9. O jarro vazio, a coisa e o desprendimento (1944–1945)** | ||
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| + | 1. A questão da utilidade pragmática tem longa história nos escritos de Heidegger, ocupando papel crucial na forma da à-mão-idade pragmática na primeira divisão de Ser e Tempo e enfatizada em reconstruções pragmatistas da filosofia heideggeriana. | ||
| + | * Heidegger se preocupa, em suas palestras e cursos tardios concernentes à coisa, em distinguir as coisas de seu uso instrumental e de seu enquadramento tecnológico ([[lx> | ||
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| + | 2. Heidegger, como outros intelectuais alemães da primeira metade do século XX (notavelmente Buber, Keyserling e Wilhelm, entre outros), associa essas fontes chinesas antigas à problemática moderna da tecnologia através de noções de coisidade, utilidade e usabilidade. | ||
| + | * A primeira das Conversas do Caminho de Campo de 1944–1945 traz à tona o jarro vazio (Krug, a mesma palavra usada em Okakura, Fischer e Klages) e a coisa no contexto da tékhnē e da modernidade tecnológica. | ||
| + | * Como mostrado antes, o [[spc> | ||
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| + | 3. Heidegger coloca uma vez mais a questão da coisa, de como iluminar a coisa enquanto coisa em vez de como objeto representado, | ||
| + | * A coisa na forma do jarro não consiste apenas em terra: só está de pé ([[lx> | ||
| + | * A coisa enquanto inutilmente si mesma não consiste apenas na matéria formada articulada em sua definição clássica, nem é definida principalmente por sua prontidão instrumental e presença objetiva teórica, como em Ser e Tempo. | ||
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| + | 4. Lembrando sua tradução e interpretação anteriores do [[spc> | ||
| + | * De tal modo que o jarro, enquanto vaso de pé em si mesmo, não é composto apenas do que o compõe, a terra moldada, mas de vazio, sendo esse vazio ([[lx> | ||
| + | * Não podendo esse vazio, enquanto o que é impossível de apreender ([[lx> | ||
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| + | 5. Heidegger procede a inter-relacionar referencialmente a coisa, o encontrar ([[lx> | ||
| + | * Sendo essa descrição das variedades da contraparte e região ainda mais diferenciada que o uso anterior de Buber — em seus escritos iniciais sobre daoismo, hassidismo e ética dialógica — de begegnen como encontro, entgegnen como oposição, vergegnen como desencontro, | ||
| + | * Não estando Heidegger descrevendo a relação inter-ética, | ||
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| + | 6. A elucidação inicial de Heidegger do desprendimento na primeira Conversa do Caminho de Campo não se refere a estado mental como serenidade, nem à constelação de alma, nada e Deus do misticismo alemão, sendo esta uma investigação inspirada — via jornada longa e complexa interculturalmente mediada — pelo texto atribuído a Laozi tal como mediado por Wilhelm e outros. | ||
| + | * Heidegger recorre a e incorpora elementos daoistas — que operam como exemplos para o pensamento poético reflexivo — de três modos: (1) parece evocar, ao mesmo tempo em que reelabora em seu próprio contexto filosófico, | ||
| + | * (2) reúne estratégias interpretativas que se alinham com e podem ser interpretadas segundo os modelos de desprendimento-autonaturação (wuwei-ziran), | ||
| + | * (3) o pensar a coisa é retratado em estilo Lao-Zhuang como desprendimento a ela em seu essenciar específico enquanto coisa em seu próprio momento e lugar, ao encontrá-la pacientemente, | ||
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| + | **10. O wuwei e o ziran de Heidegger** | ||
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| + | 7. Questiona-se se o pensamento de Heidegger pode ser interpretado ou reimaginado como pensamento do wuwei e do ziran, refletindo, sem dúvida, ao menos em parte, a estratégia interpretativa de Heidegger historicamente sua discussão anterior do Daodejing e correlacionando-se conceitualmente com wuwei e ziran. | ||
| + | * Sendo ação (wei) e inação (wuwei) interpretadas na recepção alemã do Daodejing como querer e não-querer, | ||
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| + | 8. Numa obra que Heidegger mencionou desdenhosamente em 1929, Klages sustentou, em seu Espírito como Adversário da Alma de 1929, que a crítica nietzschiana do não-querer não pode ser aplicada ao daoismo, afirmando Heidegger que essa coisa não é "coisa em si", mas antes "coisa para si". | ||
| + | * Negando a Fenomenologia do Espírito de Hegel que possa haver coisa para si livre de um senhor, ecoando Heidegger sem dúvida a linguagem de Mestre Eckhart, com a qual estava há muito familiarizado, | ||
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| + | 9. O discurso místico das coisas deixa-as ser ao mesmo tempo em que visa suspendê-las em prol do desprendimento da alma, libertando-a do pecado e para a união com Deus, sendo distintiva a linguagem heideggeriana do desprendimento. | ||
| + | * Primeiro, é mais próxima do ceticismo ao suspender a própria compulsão por asserção, afirmação e positividade que consomem a absorção mística entusiástica e a dialética especulativa. | ||
| + | * Segundo, está desprendida do monoteísmo e sua negação ateísta sem, contudo, abraçar o " | ||
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| + | 10. Se não Eckhart ou Schopenhauer, | ||
| + | * Valendo-se ele direta e indiretamente da linguagem daoista, sendo o pensar da coisa para si mesma, da coisa em seu próprio essenciar, e da coisa como aquilo que é de si mesma, na primeira Conversa do Caminho de Campo de Heidegger, indicativo do ziran do Daodejing. | ||
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| + | 11. Essa tendência é evidente em sua recepção e tradução alemãs, que afirmam a liberdade e o ser-de-si da coisa, tendo Strauss traduzido ziran como liberdade ([[lx> | ||
| + | * Wilhelm o traduziu como independente ([[lx> | ||
| + | * Exprimindo Wilhelm o ziran das miríades de coisas como: "todas as criaturas por si mesmas se moldam a si mesmas" | ||
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| + | 12. Os modos típicos pelos quais a coisa é representada e explicada como objeto passam por cima da coisa e a negligenciam tal como é de si mesma, perdendo-se a coisa em sua redução aos elementos pragmaticamente úteis e teoricamente postos que a compõem. | ||
| + | * Não requerendo encontrar a coisa em sua própria localidade mais atividade e querer por parte do sujeito, sendo chamado outro comportamento que a primeira e terceira Conversas do Caminho de Campo designam esperar, ocorrendo o esperar, como visto no próximo capítulo sobre a terceira conversa de Heidegger e o Zhuangzi, no jejuar e esvaziar do coração-mente que é liberado para encontrar a coisa. | ||
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| + | 13. O recuar do sujeito e da vontade ocorre em Heidegger ao esperar atenta e pensativamente pelo essenciar da coisa em sua própria abertura constitutiva, | ||
| + | * Não sendo a coisa estaticamente dada invariavelmente de uma só vez, mas em seu movimento, reversão e contraparceria, | ||
| + | * Não buscando subsumi-la sob visão de mundo ou imagem teórica, liberando-a a seu próprio modo e temporização de ser si mesma. | ||
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| + | 14. O permanecer da coisa na duração de seu momento e em sua localidade circundante pode também ser referido a fios encontrados no Daodejing e fontes relacionadas, | ||
| + | * Dizendo-se frequentemente ser o daoismo inicial a-histórico, | ||
| + | * Não aniquilando ou suprimindo todos os traços do que veio antes, liberando o passado a si mesmo. | ||
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| + | 15. Heidegger parece adotar tom diferente — embora um que ressoe com poéticas leste-asiáticas de ruínas, vida esmaecente e luto — em rememoração pensativa das ausências que ainda nos endereçam: as ferramentas abandonadas e ruínas cobertas de mato ao longo do caminho de campo. | ||
| + | * A figura fantasmagórica esmaecida numa fotografia desgastada, ou (em "A Partir de um Diálogo sobre a Linguagem" | ||
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| + | 16. A busca de Heidegger por " | ||
| + | * Não sendo tais queixas sem fundamento, embora incompletas e necessitadas de complicação, | ||
| + | * Nas palavras de Jean-François Lyotard, talvez referindo-se a conto de fadas dos Irmãos Grimm, o de camponês pequeno, mesquinho e astuto, tendo sido o astuto camponês, contudo, diferentemente do conto "O Camponês e o Diabo", | ||
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| + | 17. Heidegger parece ingênuo, oportunista e ideologicamente iludido em 1933, tendo Bloch notado as dinâmicas reativas e revolucionárias que informam Hebel e outros autores camponeses rurais que atraíram Heidegger. | ||
| + | * Tendo Adorno observado como cada perspectiva pode ter funções ideológicas e críticas, sendo esses pontos aplicáveis ao caso de Heidegger: mesmo tomado como ideólogo, o que tipicamente não é, essa ideologia e sua crítica são indicativas de momentos alternativos. | ||
| + | * Em vez de significar mera fixação reacionária no que se perdeu, como insistem os críticos de Heidegger, sua concepção da relação com o passado pode ser interpretada — em seus melhores momentos — como seu desprendimento, | ||
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| + | 18. Segundo, a alegação é unilateral, ainda tendo a articulação heideggeriana do momento e localidade da coisa em seu pensamento tardio, em forma alterada, a estrutura tripla da temporalidade. | ||
| + | * Havendo nexo tríplice do passado na rememoração pensativa ([[lx> | ||
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| + | **11. Beber do vaso vazio e estagiar na expansão** | ||
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| + | 19. O jarro vazio não é vazio indeterminado como tal, sendo vazio de bebida, não caracterizando mais, contudo, a dabilidade e utilidade da bebida para o bebedor o próprio modo de ser do jarro, concedendo o jarro, enquanto ente ([[lx> | ||
| + | * Não sendo, contudo, solamente determinado por seu uso pelo bebedor, salvaguardando, | ||
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| + | 20. O jarro vazio não está meramente à-mão para uso como em Ser e Tempo, concedendo e permitindo receber e beber vinho, concedendo e permitindo, por extensão, a roda vazia que o carro seja puxado pela estrada, e o quarto vazio que pessoas e coisas se reúnam e habitem dentro dele. | ||
| + | * Sendo o vazio a condição da autonaturação da coisa, inutilidade que concede a variedade de seus usos, concedendo receber e reunir, e podendo ser usado o que se forma no receber e reunir, sendo o vazio, como resultado, o pré-requisito do uso e da utilidade do ser da coisa. | ||
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| + | 21. A bebida não é simplesmente usada, ainda que pareça sê-lo na pressa do consumo, valendo-se a bebida de e permanecendo no vinho e no elemental: nos ramos, na terra, no sol e na chuva, nos dons do céu. | ||
| + | * Permanecendo o vazio do jarro na expansividade que se vale do nutridor céu e terra, exemplares primários de nutrir a vida no Daodejing: são longos em duração por viverem para as miríades de coisas em vez de para si mesmos. | ||
| + | * Paralelamente ao dao do Daodejing, a expansão de Heidegger é ilimitada e sem fronteiras, permanecendo também no jarro à medida que se move e retorna a si mesma, evocando o modo de mover-se do dao. | ||
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| + | 22. Consequentemente, | ||
| + | * Afirmando que o jarro vazio permanece em si mesmo e retorna a si mesmo no momento do por-um-tempo em que se demora através da expansividade, | ||
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| + | 23. Outra palavra tem papel interessante na recepção em língua alemã do Daodejing e do Zhuangzi: o verbo verweilen significa permanência, | ||
| + | * Primeiro, intima a vida geracional da coisa e a arte de livremente permanecer, habitar, sojornar e vaguear em meio ao mundo, empregando de fato várias obras essa expressão ao desdobrar o caminho como demorar-se livre e aptamente num lugar e momento. | ||
| + | * Explicando Strauss, em seus comentários, | ||
| + | * Em contraste com a pressa e apressamento ([[lx> | ||
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| + | 24. Segundo, o verbo significa aquilo a ser evitado em algumas interpretações, | ||
| + | * Não permanecendo ou se demorando ([[lx> | ||
| + | * Utilizando este verweilen no sentido do momento apropriado em sua tradução do Daodejing de 1911 e no sentido de demora-se inapropriada além do devido em seu livro sobre Laozi de 1925. | ||
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| + | 25. Questiona-se então qual é o momento e localidade apropriados do jarro de vinho, afirmando Heidegger ser beber em celebração, | ||
| + | * Sendo essa ampla expansividade onde as relações entre coisa e contraparte, | ||
| + | * Sendo o simples enigma misterioso ("das Rätselhafte des Einfachen" | ||
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| + | 26. Questiona-se como se deve interpretar a " | ||
| + | * Nem de coisas como objetos para nós (como no instrumentalismo), | ||
| + | * Concernindo esse evento a rememoração e salvaguarda das coisas e seu sentido. | ||
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| + | 27. A priorização heideggeriana da coisa, que seu contemporâneo Adorno ecoou na liberdade rumo ao e primazia do objeto, é reversão da instrumentalidade pragmática, | ||
| + | * Explicando melhor as fontes daoistas, pré-socráticas antigas e poéticas alemãs de Heidegger essa reversão, dado o idealismo direto e indireto de sua formação e meio filosóficos, | ||
| + | * O enigmático segredo misterioso vislumbrado na simplicidade das coisas, e nosso desprendimento através do autodesprendimento das coisas em seu próprio modo de ser si mesmas, que evocam e oferecem reimaginação poético-filosófica do caminho (dao), movimento (fan), mistério (xuan) e ser-de-si (ziran). | ||
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| + | 28. Essa configuração de palavras e seus usos é mais que coincidência dado o engajamento focado de Heidegger com o Daodejing e o Zhuangzi nos anos finais da Segunda Guerra Mundial e nos anos iniciais de seu rescaldo, fazendo sentido dado seu engajamento de longo prazo em ler várias traduções desses textos. | ||
| + | * E discuti-los com interlocutores chineses e japoneses de 1919 até a conclusão de sua vida, a despeito de sua exclusão da filosofia acadêmica, sua própria definição de filosofia como principalmente greco-alemã, | ||
| + | * Sendo essa constelação interpretativa ziranista semidaoista repensada e redescrita subsequentemente nas Palestras de Bremen e "A Coisa" como o coisar da coisa, que é também o mundanizar do mundo no qual os mortais apropriada ou inapropriadamente permanecem e estagiam em seu construir, habitar e dizer. | ||
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| + | **12. A prioridade da coisa (1949–1950)** | ||
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| + | 29. As quatro Palestras de Bremen de 1949, intituladas " | ||
| + | * Evocando possivelmente a crítica nietzschiana de uma consciência histórica tudo-vidente e tudo-consumidora na qual nada pode ser alheio, na segunda Consideração Intempestiva, | ||
| + | * Não sendo isso apenas questão de consciência, | ||
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| + | 30. Lugares e coisas podem ser interpretados como continuum relacional de singulares no qual cada evento — em seu próprio hiato — reúne e desvela mundo, perdendo seu espaçamento intervalar à medida que proximidade e distância se perdem na presença fixa limitante. | ||
| + | * Tornando-se tudo disponível, | ||
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| + | 31. Lugares e coisas sem intervalo e espaçamento parecem trazer disponibilidade universal, característica da à-mão-idade pragmática em Ser e Tempo, não podendo, contudo, presença pura, indiferenciada e não espaçada trazer proximidade genuína a lugar ou coisa específicos. | ||
| + | * Que, quando liberados da mera dação e positividade (positivismo que caracteriza a tradição metafísica e onto-teológica) para sua própria abertura, clamam por sua atenção responsiva. | ||
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| + | 32. A coisa parece adjacente e à-mão em ser usada e gasta, mas falha em aparecer como coisa em tal nexo referencial instrumental, | ||
| + | * Não consistindo sua coisidade em seu uso instrumental e representação objetificada como objeto, na qual é obscurecida e esquecida, nem podendo ser definida em termos da objetidade, do estar-em-face, | ||
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| + | 33. A coisa demanda ser pensada em e a partir de seu próprio sentido, seu próprio assim-de-si coisal independente, | ||
| + | * Pois reconhece a formação, mediação e relacionalidade da coisa como elementais a seu próprio evento e modo de ser, não sendo o idealismo superado, nota Heidegger, por mero realismo, mas ao sair dos confins dessa oposição metafísica e seus pressupostos. | ||
| + | * Estando o idealismo enredado no sujeito constitutivo, | ||
| + | * Mas com a coisa no evento de seu próprio ser e em seu nexo interentre-coisas. | ||
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| + | 34. As reflexões heideggerianas sobre a coisa como autoerguida em seu vazio, inutilidade e consequente disponibilidade e usabilidade são informadas por capítulo crucial do Daodejing, sendo, no capítulo 11, a coisa exemplar o vaso vazio. | ||
| + | * Sendo assim seu ziran o de coisa produzida, e não naturalmente ocorrente, desfazendo a distinção entre o natural e o artificial que alguns relatos atribuem ao daoismo inicial, descrevendo Heidegger como Platão e, consequentemente, | ||
| + | * Medindo então a coisa segundo o modelo de criação, produção e ideia, seguindo Heidegger aqui trilha diferente, sugestiva de fonte daoista antiga distintiva, mostrando o interlocutor implícito provável dessa reflexão que a autonaturação da coisa enquanto coisa é primária, e não sua formação natural ou produção humana. | ||
| + | * Concernindo mesmo a coisa produzida primeira e principalmente à coisa e sua verdade. | ||
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| + | 35. O jarro é vaso que contém formado através do trabalho do artesão com a terra, não sendo, contudo, apenas os elementos materiais terrenos e a subjetividade e obra do artesão que formam o jarro, sendo o jarro um vazio que contém, e seu ser enquanto vazio-que-contém o que o traz ao ser por meio de terra e artista. | ||
| + | * Lançando o paradigma da produção e utilidade instrumental sua rede sobre as coisas, obscurecendo assim a coisa, cujo autoerguer-se suscita desejo, esforço e consumo humanos, sendo o ziran daoista da coisa, o autoerguer-se da coisa em Heidegger, indicativo de ethos, poética e modelo crítico de habitação alternativos na aflição e necessidade da situação presente. | ||
| + | * Situação em que humanos, coisas, vínculos interentre-coisas, | ||
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