estudos:eric-nelson:tao:inutilidade
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| + | ====== Inutilidade ====== | ||
| + | //NELSON, Eric S. Heidegger and Dao: things, nothingness, | ||
| + | **II. Vazio, inutilidade e espera** | ||
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| + | **4. Deixar e curar nas Conversas do Caminho de Campo** | ||
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| + | 1. Há três diálogos em Conversas do Caminho de Campo: uma Conversa a Três num Caminho de Campo entre um Cientista, um Erudito e um Guia (Weisen), delineada no capítulo anterior; O Professor Encontra o Guarda da Torre à Porta da Escadaria da Torre; e Conversa Noturna: Num Campo de Prisioneiros de Guerra na Rússia, entre um Homem Mais Jovem e um Mais Velho. | ||
| + | * Enquanto o primeiro diálogo levanta questões e temas análogos a "A Singularidade do Poeta" (1943) e "A Coisa" (1950), a " | ||
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| + | 2. É já atípica ao girar em torno do [[spc> | ||
| + | * É geopolítica por ser datada de 7 de maio de 1945, data da capitulação incondicional da Alemanha nazista, engajando-se em reflexão dialógica sobre o " | ||
| + | * Mesmo relacionando a calamidade nazista que se abateu sobre o povo alemão a perda fundamental do próprio ser. | ||
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| + | 3. A conversa começa com o soldado mais jovem encontrando "o que cura" (das Heilsame), que Heidegger elucida na "Carta sobre o Humanismo" | ||
| + | * Que envolve a insalubridade do campo permanecendo, | ||
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| + | 4. Ocorre por ser " | ||
| + | * Possivelmente evocando sintonia responsiva daoista antiga e nutrir coisas em situação de devastação na qual nada é permitido crescer, ser nutrido e curado, concernindo a cura ao outro-poder, | ||
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| + | 5. Questiona-se então como ocorre o mistério desse deixar em Heidegger, e como tal deixar pode ser pensado, dadas as realidades de ferimento e dano, sendo a conversa assombrada pelo espectro do insalubre como aquilo que não pode curar (das Unheilsame). | ||
| + | * Questão retomada no diagnóstico de 1948 das patologias da modernidade na "Carta sobre o Humanismo", | ||
| + | * Cita-se: "e o que não está tudo ferido e despedaçado em nós? — nós, para quem um cegado desencaminhar de nosso próprio povo é demasiado deplorável para permitir desperdiçar uma queixa, a despeito da devastação que cobre nosso solo natal e seus humanos desesperadamente perplexos [ratlose]." | ||
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| + | 6. Essa situação de encobrimento e perplexidade conduzindo à devastação é retratada pelo homem mais velho em referência ao fenômeno do mal, sendo o mal interpretado em referência a fúria e malícia: "a devastação da terra e a aniquilação da essência humana que a acompanha são de algum modo mal [das [[lx> | ||
| + | * Continuando a conversa a posicionar a desolação e desertificação do Nacional-Socialismo e da Segunda Guerra Mundial em relação a devastação mais originária da terra e da humanidade, afirmando o homem mais velho: " | ||
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| + | 7. Essa desolação é "da terra e da existência humana", | ||
| + | * Retratando Heidegger, à medida que o Zhuangzi critica o nutrir calculativo e propositado da vida em favor do livre autonutrir-se da vida, a condição moderna como uma em que a "vida crescente" | ||
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| + | 8. O texto do Zhuangzi e Heidegger revelam facetas-chave da problemática de nutrir a vida frente a regimes propositados de utilidade instrumental, | ||
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| + | 9. Questiona-se então quanto às circunstâncias políticas dessa conversa sobre devastação e cura, não confrontando Heidegger diretamente a banalidade do mal sistematizado nem sua própria cumplicidade durante os anos 1930. | ||
| + | * Não obstante, pode Heidegger ser entendido como " | ||
| + | * Explicando-o como parte de processo maior que controversamente percebe expresso no americanismo, | ||
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| + | 10. Quanto aos próprios Cadernos Negros, majoritariamente filosóficos em vez de diretamente políticos, documentam as transformações de seu pensamento, desde a ascendência da autoafirmação nacional através da consequente devastação até recusa tanto do nacional quanto da afirmação em prol da reticência e do desprendimento. | ||
| + | * Aparecendo essa transformação através da devastação no diálogo dos dois interlocutores, | ||
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| + | 11. Em conversa extensa preocupada com a espera, que ecoa o coração-mente esvaziado que espera as coisas no Zhuangzi, os conversantes diferenciam esperar por " | ||
| + | * Na qual se espera pelo nada (das [[lx> | ||
| + | * Não havendo, no capítulo 20, começo ou fim, apenas espera. | ||
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| + | 12. O texto recebido do Zhuangzi refere-se à espera numerosas vezes, não havendo razão para esperar e depender das opiniões alheias ou do que ocorrerá ou será correto no futuro, havendo espera pelas revoluções dos céus e estações. | ||
| + | * Havendo espera pela pessoa verdadeira ou genuína (zhenren) e pelo conhecer genuíno (zhenzhi 真知) na primeira seção do Capítulo 6, sendo, em passagem crucial do Zhuangzi, a energia vital retratada (na tradução de Ziporyn de 2009) como "um vazio, uma espera pela presença dos entes." | ||
| + | * Cita-se: "só o caminho é o que se reúne nesse vazio. E é esse vazio que é o jejum da mente", | ||
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| + | 13. As filosofias chinesas antigas enfatizavam variedades de ação interveniente forçosa (wei 為), a minimização da ação coercitiva (wuwei), ou sua alternância dependendo das circunstâncias no Livro das Mutações, preocupando-se Döblin e Brecht, em seus encontros com o pensamento chinês, com questões de como intervir transformativamente. | ||
| + | * E navegar dialeticamente a transição fluente dos entes, questionando Buber e Heidegger, informados pelo [[spc> | ||
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| + | 14. Foi essa a transformação do agir em esperar, em contraste com o agir em intervir e sua maximização ou minimização, | ||
| + | * Sendo a espera descrita por Heidegger nessa conversa de 1945 como " | ||
| + | * Sendo antes, como o coração-mente autoesvaziante de Zhuangzi, espera que esvazia a mente de toda expectativa do que está por vir, sendo, sem expectativa e proteções, | ||
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| + | 15. O vazio que reúne é, nessa medida, o oposto da aniquilação niilista que destrói coisas e obscurece o mundo com tecnologias devastadoras de guerra e o paradigma da utilidade pragmática onipenetrante, | ||
| + | * Que serão selados pela citação direta na conclusão, aparecendo a encenação do deixar que Heidegger tem em mente na forma do inútil e desnecessário, | ||
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| + | 16. Há aqui reversão interpretativa contra o paradigma instrumentalista que pressupõe e invoca a tradução de Wilhelm do Zhuangzi: "só aquele que aprendeu a conhecer a necessidade do desnecessário..." | ||
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| + | **5. A dependência heideggeriana do Zhuangzi de Richard Wilhelm** | ||
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| + | 17. A negação do impacto do Zhuangzi no pensamento de Heidegger seria mais fácil de fazer se a linguagem de Heidegger não dependesse de idiossincrasias nas traduções de Wilhelm, sendo Wilhelm tradutor prolífico, tendo suas edições dos clássicos chineses sido meio crucial para os leitores alemães da geração de Heidegger acessarem textos chineses. | ||
| + | * Incluindo fontes daoistas clássicas e religiosas, tendo Wilhelm traduzido para o alemão, além de suas traduções do Livro das Mutações e vários clássicos confucianos, | ||
| + | * Que contém introdução escrita por seu amigo Carl G. Jung. | ||
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| + | 18. A despeito da quantidade prolífica de traduções de Wilhelm e sua especialidade e autoridade sinológicas, | ||
| + | * Verteu Wilhelm, por exemplo, o título de sua tradução de 1911 como O Livro do Velho Mestre sobre Sentido e Vida (Das Buch des alten Meisters vom Sinn und Leben), significando Daode 道德, para Wilhelm, o " | ||
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| + | 19. Heidegger não emprega as traduções filosófico-vitais de Wilhelm de dao como sentido ou significado ([[lx> | ||
| + | * Retrataria Wilhelm o Zhuangzi, particularmente o capítulo dois, como " | ||
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| + | 20. Isso é parcialmente apropriado na medida em que o texto do Zhuangzi deveria ser lido como ceticamente minando o ceticismo de Huizi, afim à crítica cética wittgensteiniana do ceticismo dogmático como pressupondo jogos-de-linguagem e formas e práticas de vida em Da Certeza. | ||
| + | * Não sendo, contudo, unidade transperspectival totalizante e sua visão de lugar nenhum nem o único nem o melhor modo de interpretar esse texto, sendo Zhuangzi retratado nele como participante deslocador livre co-transitando através de condições, | ||
| + | * Escapando aos confins do mundo ao encontrar imanente e livremente o mundo em suas variações e transformações, | ||
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| + | 21. Significa antes como a liberdade zhuangziana abraça anarquicamente cada coisa como singularmente si mesma, autoordenando-se a seu próprio modo, e seguindo sua própria geratividade (ziran), classificou Wilhelm, recorrendo ao sistema onipresente de classificação de formas de filosofia desse período. | ||
| + | * Entre naturalismo, | ||
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| + | 22. O idealismo objetivo do Zhuangzi oferece, consequentemente, | ||
| + | * Concentrada, | ||
| + | * Podendo Buber empregar termos daoistas de ressonância não indiferente e não apegada com as coisas a fim de descrever a relação Eu/tu com Deus, em sua obra de 1923 Eu e Tu (Ich und Du): a relação, escreve, tem " | ||
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| + | 23. " | ||
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| + | 24. Há numerosas diferenças entre Wilhelm e Heidegger, categorizando Wilhelm o daoismo de Zhuangzi como forma de misticismo imanente ativo que abraça e se une à vida e suas forças em vez de fugir delas, sendo panteísmo e misticismo categorias homogeneizantes ocidentais modernas. | ||
| + | * Rejeitando Heidegger consistentemente a adequação desses conceitos, mesmo sendo alguns elementos de seu pensamento, precisamente aqueles examinados quanto a Mestre Eckhart e ao daoismo, identificados com eles por vários intérpretes e críticos. | ||
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| + | 25. Heidegger expressou ceticismo quanto a tais categorizações e às filosofias de visão-de-mundo que as promoveram, especificando Wilhelm o pensamento fundamental do Zhuangzi como " | ||
| + | * Em oposição a suas formas passivas e do-outro-mundo, | ||
| + | * Como reivindicou Klages em sua resposta de 1929 à crítica nietzschiana da renúncia da vontade como necessariamente implicando negação ascética do mundo. | ||
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| + | 26. Há divergências significativas entre como Heidegger e Wilhelm interpretam palavras e conceitos daoistas básicos, não obstante as claras diferenças conceituais entre Wilhelm e Heidegger, estando suas interpretações entrelaçadas na dependência de Heidegger das traduções de Wilhelm. | ||
| + | * Valendo-se os modos semidaoistas de falar de Heidegger das expressões poéticas de Wilhelm (como ilustrado no Capítulo 3), sendo por isso válido traçar os usos de Wilhelm de inutilidade e " | ||
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| + | 27. Na " | ||
| + | * Não se referindo aqui Heidegger à seção concludente do capítulo um, que cita e discute longamente na palestra de Comburg de 1962 " | ||
| + | * Que obstrui os tipos de responsividade e dizer ilustrados nas imagens de pensamento do Zhuangzi. | ||
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| + | 28. A " | ||
| + | * Sendo a expressão de Wilhelm "a necessidade do desnecessário" | ||
| + | * Sendo esse diálogo, na versão de Wilhelm, citado na conclusão da " | ||
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| + | 29. Cita-se a tradução: "um disse: 'você está falando sobre o desnecessário.' | ||
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| + | 30. Argumentou-se ser infeliz a tradução de Wilhelm de yong como necessidade, | ||
| + | * E seus contextos que levaram Wilhelm a traduzir uma em termos de utilidade da inutilidade e outra em termos de necessidade do desnecessário, | ||
| + | * Sendo ambas as frases tipicamente interpretadas como a utilidade do inútil, enquanto Wilhelm e Heidegger marcam diferença e empregam tanto uso quanto necessidade, | ||
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| + | **6. Deixar, esperar e desprendimento** | ||
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| + | 31. O desnecessário é explicitamente justaposto ao caráter instrumental e técnico da razão como ratio e racionalidade moderna neste texto, bem como à essência ocidental do pensar que não se permite esperar e deixar, levantando Heidegger questão retomada na "Carta sobre o Humanismo" | ||
| + | * Ao refletir sobre " | ||
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| + | 32. Na paciência da espera, observou Heidegger, nós (devendo-se considerar quem é esse " | ||
| + | * Cita-se: "somos de tal modo como se fôssemos primeiro chegar a nós mesmos, ao deixar entrar [einlassend] o vindouro, como aqueles que só são si mesmos abandonando-se a si mesmos — isso, contudo, por meio de esperar-rumo-a [entgegenwarten] o vindouro." | ||
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| + | 33. Jogando com a palavra alemã para o momento presente, [[lx> | ||
| + | * Que pode significar "na direção de" ou " | ||
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| + | 34. Questiona-se o que significa a espera paciente nesse cenário, se é o coração-mente esvaziado que espera as coisas no vazio do Zhuangzi, sendo a espera delineada alhures em Heidegger como essencialmente um deixar, não sendo produto de querer e agir. | ||
| + | * Sendo o vazio silencioso no qual o eco pode ser ouvido, na terceira das Conversas do Caminho de Campo, deixamo-nos, | ||
| + | |||
| + | 35. Esse deixar as coisas serem si mesmas em seu desprendimento ocorre através do vazio e significa liberdade anárquica: "a liberdade repousa em poder deixar [[[lx> | ||
| + | * Sendo descartar modos restritivos de controlar e ordenar as coisas e permitir-lhes perseguir seu próprio curso ponto fundamentalmente zhuangziano que outros leitores contemporâneos interpretaram em linhas anarquistas e libertárias. | ||
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| + | 36. Essas adaptações modernas são possíveis porque a liberdade daoista não pertence ao si monádico, nem é o comando e a vontade do sujeito, que melhor definem poder, surgindo a liberdade genuína em relações mundanas com outros e coisas nas quais têm espaço para sua própria liberdade. | ||
| + | * Adotando Heidegger a liberdade daoista até certo ponto em sua própria concepção de liberdade como retorno ao próprio autoessenciar: | ||
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| + | 37. Argumentou-se que o senso heideggeriano de deixar aqui poderia ter fontes inspiradoras em Mestre Eckhart, Böhme e Schelling, sem necessidade alguma de mencionar Laozi ou Zhuangzi, podendo-se, contudo, lembrar a interpretação de Wilhelm do Zhuangzi como ensinando liberdade soberana e Gelassenheit em meio à vida. | ||
| + | * Além disso, é Heidegger quem evoca e emprega imagens de pensamento daoistas ao longo desse texto, suscitando suas referências diretas e circunlocuções a questão de até que ponto se apropriou de gama de conceitos daoistas das edições de Buber e Wilhelm. | ||
| + | |||
| + | 38. Incluem estes o wuwei (ligado a deixar e esperar em fontes chinesas e alemãs), o ziran (como naturalidade não instrumentalizada acontecendo em e para si mesma), e a liberdade vagante e o desprendimento das coisas, questionando-se se isso justifica falar de " | ||
| + | * Ou, mais modestamente, | ||
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| + | 39. A linguagem de esperar, deixar e Gelassenheit mal aparece no texto anterior, enredado em questões geopolíticas de vontade, poder e conflito, desempenhando papel cada vez mais notável no posterior, à medida que a vontade se torna a contraimagem, | ||
| + | * Indicando isso ajuste em seu pensamento que se correlaciona com sua atenção intensificada a Laozi e Zhuangzi. | ||
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| + | **7. O desnecessário, | ||
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| + | 40. É notável que Heidegger tenha seus dois interlocutores intrigantemente rejeitando a noção de nações e nacionalismos na " | ||
| + | * Como o povo alemão, povo " | ||
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| + | 41. O deixar humano só é possível por causa do deixar-ser-das-coisas do ser: "só aprendemos a deixar ir no deixar-ser do ser", sendo, no contexto daoista, ziran a condição do wuwei, reverberando o emprego heideggeriano de Gelassenheit com a herança linguística da palavra desde Eckhart através de Schelling. | ||
| + | |||
| + | 42. Ainda assim, Heidegger afirma que seu pensamento do desprendimento não é afim ao afastamento de Eckhart da vontade terrena pecaminosa rumo à vontade divina, não concernindo seu desprendimento, | ||
| + | * Que suspende a pecaminosa mesmidade ([[lx> | ||
| + | * Nem condenação das criaturas como pecaminosas e más. | ||
| + | |||
| + | 43. A coisa depende de seus próprios modos autogenerativos co-criativos de ser, em vez de criação divina ou projeção idealista, podendo o si desprendido transitar através de perspectivas unidimensionais restritivas e deslocar-se com as miríades de coisas seguindo sua própria autonaturação. | ||
| + | |||
| + | 44. O deixar-desprender de Heidegger ocorre muito mais nas linhas da recepção alemã do Zhuangzi e seu senso de libertação como precisamente estar em e com o mundo, e nutrir, salvaguardar e curar a vida das coisas, sendo, nesse sentido, ethos em vez de estado místico. | ||
| + | * Podendo o " | ||
| + | |||
| + | 45. O deixar libera tanto coisas quanto humanos naquilo que cura (das Heilsame), sendo, nessa passagem, a cura clamada em resposta a aflição: é modo para povo que fora desencaminhado por " | ||
| + | |||
| + | 46. Heidegger tem, consequentemente, | ||
| + | * Segundo, as expressões das [[lx> | ||
| + | |||
| + | 47. O necessário, | ||
| + | * Cita-se: " | ||
| + | * Parecendo, ainda assim, que sua tradução também pressupõe campo mais amplo de significados para " | ||
| + | |||
| + | 48. A " | ||
| + | * Sendo evidente nessa conversa que Heidegger não se apropriou do daoismo para legitimar ou desculpar o Nacional-Socialismo, | ||
| + | |||
| + | 49. Os confrontos historicamente delimitados de Heidegger com a destrutividade do Nacional-Socialismo, | ||
| + | * Referindo-se essas críticas à história do ser e à modernidade tecnológica, | ||
| + | * Sem perceber suas propensões autorganizadoras formalmente indicativas. | ||
| + | |||
| + | 50. Há múltiplos problemas com democracias existentes disfuncionais e sistematicamente distorcidas, | ||
| + | * Pontos incisivamente articulados por Arendt, sem dúvida com seu antigo professor em mente, exprimindo as reflexões políticas tardias de Heidegger oportunidades perdidas para confronto mais genuíno com seu próprio passado e questões de liberdade e autoridade. | ||
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| + | 51. Não se referem à espontaneidade anárquica e às tendências autorganizadoras dos discursos políticos daoistas que fascinaram Buber em suas palestras de Ascona de 1924 sobre o Daodejing, nem ponderam as poderosas análises de Arendt de esfera pública irredutivelmente plural e irrestrita. | ||
| + | * Sociedade civil e participação democrática com direitos garantidos salvaguardando vida individual, interpessoal e intercorpórea, | ||
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