estudos:claudio-oliveira:tudo-todo-intro
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| + | ===== DO TUDO E DO TODO ===== | ||
| + | //OLIVEIRA, Cláudio. Do Tudo e do Todo. Rio de Janeiro: Circuito, 2015 (p. 86-88)// | ||
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| + | **Introdução** | ||
| + | - A nota de rodapé do parágrafo 48 de Ser e Tempo intrigou o autor por muito tempo, a ponto de toda a trajetória do livro poder ser entendida como uma tentativa de compreender seu sentido, o que não significa, contudo, elevar ao conceito a sistemática da variação categorial encerrada na distinção mencionada, mas sim reconhecê-la e observar o que surge desse reconhecimento. | ||
| + | - A tradução heideggeriana do par grego hólon-pân por Ganze-Summe e sua correspondência com o latino totum-compositum surpreende, pois o correspondente latino esperado seria totum-omne e o alemão Ganze-All, revelando uma confusão presente já na própria língua grega em torno dos termos hólon e pân. | ||
| + | - O campo semântico de hólos e pâs confunde-se desde cedo, como indica Chantraïne, | ||
| + | - Em Ser e Tempo, emprega-se sempre Ganze ao se falar da totalidade do Dasein, mas não é incomum encontrar All em formulações como “die Ontologie des Alls des Seienden im Ganzen”, o que cria problemas de tradução, pois ambos os termos aparecem simultaneamente. | ||
| + | - Em O que é Metafísica?, | ||
| + | - Em Da Essência do Fundamento, “mundo” é o título para “tudo o que é, a omnitude como a unidade que determina o ‘tudo’ como não mais que um tomar-em-conjunto”, | ||
| + | - Todas essas formulações mostram que All nunca é claramente distinto de Ganze, pois Heidegger vê em ambos os termos uma mesma ambiguidade fundamental, | ||
| + | - No mesmo seminário, Heidegger mostra-se ainda mais cauteloso quanto a Ganze, chegando a afirmar que, em relação a tà pánta, dever-se-ia falar de Gesamtheit e não de Ganzheit, e isso primeiramente para não correr o perigo de que, com das Ganze, seja dada a última palavra, pois tà pánta não pode ser compreendido como um todo simplesmente dado nem como um todo aditivo constituído de partes. | ||
| + | - No que diz respeito tanto a Ganze quanto a All, o importante primeiro, para Heidegger, parece ser distinguir ambos de Summe, mas eles mesmos permanecem, entre si, indistintos, | ||
| + | - No parágrafo 48, a ideia de “soma” é apenas a primeira considerada como ontologicamente inadequada à totalidade do Dasein, pois esta também não se deixa definir pelas ideias de completude, acabamento ou perfeição, | ||
| + | - Pode-se afirmar, então, não só que a oposição fundamental entre hólon e pân não é aquela entre “todo” e “soma”, mas também que, entre hólon e pân, é sobretudo a partir de pân que se pode constituir uma ideia de totalidade ontologicamente adequada ao Dasein, ideia que não corresponde nem à soma, nem ao todo constituído de partes, nem à completude, acabamento ou perfeição, | ||
| + | - Ao traduzir pân por Summe, Heidegger refere-se a Platão e Aristóteles de maneira geral, sem remeter a nenhum texto específico, | ||
| + | - Na passagem final do Teeteto, a discussão consiste precisamente em decidir se o “composto” deve ser entendido como um “todo” ou como uma “soma”, sendo os termos usados por Sócrates para marcar essa diferença, respectivamente, | ||
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