| Romancista por excelência da consciência, Henry James deveria, para as gerações seguintes, aparecer a muitos, não sem que isso suscitasse em alguns sentimentos mistos, como a própria consciência do romance moderno. Ele é o único dos grandes romancistas do século XIX e do nascente século XX a ter deixado uma obra crítica tão abundante e variada: o conjunto de seus ensaios nessa área soma mais de 2.700 páginas densas. Encontram-se ali estudos ou resenhas não apenas sobre romancistas, pequenos ou grandes, de língua inglesa, mas também sobre Balzac, Flaubert, Maupassant, Zola, assim como sobre seu amigo Turgueniev, de quem traça um admirável retrato. Se Charles Dickens fez, em seu país como nos Estados Unidos, o que não é exagero chamar de turnês, onde lia, ou mesmo representava, em público trechos de seus romances, a viagem de retorno de Henry James a seu país natal, em 1904 e 1905, foi em parte financiada, não obstante a relutância do mestre em se apresentar em público, relutância que só podia ser agravada por um embaraço na fala que ele conseguiu superar, por meio de conferências sobre "A lição de Balzac", escolha carregada de um sentido que certamente não é prejudicado por qualquer consideração "comercial". O ápice dessa reflexividade é notoriamente alcançado nos prefácios que escreveu para a edição de Nova York de suas obras escolhidas, reunidas posteriormente em volume separado. Sua característica, além de um olhar retrospectivo muitas vezes bastante livre, onde se manifesta que a severidade de James não se exercia apenas em relação aos outros, é reconstituir a gênese interior de suas obras. Trata-se, de fato, de sua "arte poética". | Romancista por excelência da consciência, Henry James deveria, para as gerações seguintes, aparecer a muitos, não sem que isso suscitasse em alguns sentimentos mistos, como a própria consciência do romance moderno. Ele é o único dos grandes romancistas do século XIX e do nascente século XX a ter deixado uma obra crítica tão abundante e variada: o conjunto de seus ensaios nessa área soma mais de 2.700 páginas densas. Encontram-se ali estudos ou resenhas não apenas sobre romancistas, pequenos ou grandes, de língua inglesa, mas também sobre Balzac, Flaubert, Maupassant, Zola, assim como sobre seu amigo Turgueniev, de quem traça um admirável retrato. Se Charles Dickens fez, em seu país como nos Estados Unidos, o que não é exagero chamar de turnês, onde lia, ou mesmo representava, em público trechos de seus romances, a viagem de retorno de Henry James a seu país natal, em 1904 e 1905, foi em parte financiada, não obstante a relutância do mestre em se apresentar em público, relutância que só podia ser agravada por um embaraço na fala que ele conseguiu superar, por meio de conferências sobre "A lição de Balzac", escolha carregada de um sentido que certamente não é prejudicado por qualquer consideração "comercial". O ápice dessa reflexividade é notoriamente alcançado nos prefácios que escreveu para a edição de Nova York de suas obras escolhidas, reunidas posteriormente em volume separado. Sua característica, além de um olhar retrospectivo muitas vezes bastante livre, onde se manifesta que a severidade de James não se exercia apenas em relação aos outros, é reconstituir a gênese interior de suas obras. Trata-se, de fato, de sua "arte poética". |