estudos:caron:ipseidade-mesmidade
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| + | ====== Da Selbstheit (Ipseidade) à Selbigkeit (Mesmidade): | ||
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| + | * O pensamento, como evento do ser voltado para o ser, como resposta inscrita na necessidade mesma da Palavra, constitui a estrutura fundamental da ipseidade | ||
| + | * O si está inscrito na unidade do //lógos// e do //noeîn//, na unidade da Palavra que o desdobra como a resposta permanente e individual ao apelo silencioso que ressoa a partir do fundo-sem-fundo | ||
| + | * O si é esta brecha permanente depositária da diferença ontológica, | ||
| + | * É precipício interno, proximidade à Palavra desmesurada do espaço puro | ||
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| + | * Da proximidade à abertura nasce no homem o poder de falar | ||
| + | * Como recorda Hölderlin na elegia //Brot und Wein//: "Desde que sofreu, ele sabe exprimir seu pensamento mais caro, e as palavras, para dizê-lo, se desabrocham como flores" | ||
| + | * O si é o lugar de dilaceração onde o ser aparece em sua reserva | ||
| + | * É este entre-dois aberto, domínio de desclosão do ser como retraimento | ||
| + | * É esta intensa fratura interna contudo viável, pois no homem ela é | ||
| + | * O homem é lugar-tenente da essência do homem | ||
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| + | * Esta abertura que o atravessa, a ipseidade ela mesma, provém de um movimento que habita o ser ele mesmo | ||
| + | * Está-se em um plano onde há principalmente o ser, como diz a //Carta sobre o Humanismo// | ||
| + | * O si ele mesmo é portanto retomado no movimento de doação do ser | ||
| + | * A brecha é assim levada a quebrar-se ela mesma sobre o ser em seu doar | ||
| + | * O si é retomado em um movimento de doação que o ultrapassa, o estrutura, e sua própria dilaceração é integrada a um desdobramento fundamental no seio do qual esta dilaceração é incorporada, | ||
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| + | * Uma certa processualidade da doação deve manifestar a retomada da ipseidade no fluxo desdobrante de uma única Mesmidade | ||
| + | * "O //Da-sein// do homem historial, é: estar exposto sendo a brecha na qual a prepotência do ser irrompe aparecendo, a fim de que esta brecha se quebre sobre o ser" | ||
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| + | === A Retomada do Si pelo Ser === | ||
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| + | * O si ele mesmo, que mostra para o ser (e é nisso que consiste sua essência), deve ser retomado por aquilo de que reconhece a prepotência | ||
| + | * É uma consequência que aparece necessária a todo pensamento rigoroso ou que quer sê-lo | ||
| + | * Somos retomados por aquilo a que nos abrimos | ||
| + | * Designa-se o ser para afirmar sua predominância, | ||
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| + | * Se o si tem por ser mostrar para o que o ultrapassa, ele deve reconhecer que o que o ultrapassa deve efetivamente retomar, em um movimento do qual se trata de pensar então toda a teor, sua própria ipseidade | ||
| + | * É esta realidade da retomada do si em uma dinâmica de abismo que o ultrapassa e o acorda a si mesmo, que um Cioran pôde pressentir ao afirmar: "Não penso na morte, é ela que pensa em mim" | ||
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| + | * O si é uma realidade relacional, uma pura abertura que prolonga e perfaz a abertura do ser | ||
| + | * Uma abertura que é o correlato da Palavra enquanto tal, que é portanto tomada no seio de uma Mesmidade lhe acordando desde sempre seu ser | ||
| + | * "É o ser ele mesmo que lança o homem sobre a via de um arrastamento que, forçando o homem a pôr-se em marcha para além de si mesmo, o liga ao ser para pôr este em obra, e por aí manter aberto o ente em totalidade" | ||
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| + | * O si é requerido para a plena aparição de um mundo e, correlativamente e superlativamente, | ||
| + | * Ele é o //Selbst//, palavra que deve ser compreendida segundo sua estrutura gramatical, ou seja, como a menção superlativa (o que indica a desinência " | ||
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| + | === A Originariedade da Mesmidade === | ||
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| + | * Inferir a originariedade de uma Mesmidade é aquilo ao que conduz naturalmente a manifestação do ser como Palavra e, mais precisamente, | ||
| + | * O si está ele mesmo integrado à Palavra que é o ser, ele se desdobra neste ser no seio do qual só pode manter-se um si porque o ser é em si mesmo //Sage//, Dita, por conseguinte simplicidade de um mesmo envio cuja riqueza multiforme, atestada pelo fervilhar do ente, deve ser tomada em guarda pelo pensamento | ||
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| + | * O si pertence a um Mesmo; ele é tomado na estrutura da Palavra | ||
| + | * Esta Palavra dá sempre lugar em si mesma a seu respondente, | ||
| + | * O puro desdobramento que é o ser tem por verdade dirigir-se (a um si) e voltar-se (para um si) | ||
| + | * A essência do ser é desdobrar-se para com um si, estabelecer com ele um vínculo de endereço, ser Palavra | ||
| + | * A essência da Palavra é dizer ao si que há o mistério de um desdobramento primordial dobrado do mistério de que este desdobramento se dirige precisamente ao si | ||
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| + | * Assim Heidegger pode considerar a essência-desdobrante do ser (//Wesen des Seyns//) associando a ipseidade, segundo este quiasma que diz a articulação de uma Mesmidade de endereço | ||
| + | * "//Das Wesen der Sprache: Die Sprache des Wesens//, A essência da Palavra, a palavra do desdobramento" | ||
| + | * Esta formulação diz o ser como endereço de seu mistério de desdobramento (e mais geralmente como transmissão de seu enigma) | ||
| + | * Mas ela diz igualmente a inscrição da estrutura do ato de palavra no coração da antecedente reação de um ato mais geral de desdobramento que é preciso aprender a considerar | ||
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| + | * "A palavra do desdobramento [//Die Sprache des Wesens//] significa por conseguinte: | ||
| + | * O cumprimento do pensamento do ser em escuta da Palavra do ser faz aparecer a necessidade do desdobramento de um si como respondente da Palavra, ou como respondente de uma co-respondência ontológica originária apropriando reciprocamente o ser e o si no coração do mesmo elemento | ||
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| + | * Originariamente, | ||
| + | * "O Mesmo se desdobra como pensamento e como ser, //tò gàr autò noeîn estín te kaì eînai//" | ||
| + | * Doravante, "a palavra-enigma //tò autò//, o mesmo, pela qual começa a frase, não é mais o predicado posto em cabeça, mas sim o ator ou o sujeito gramatical" | ||
| + | * O Mesmo é um desdobramento inicial no qual o si se mantém e possui seu lugar | ||
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| + | === A Necessidade do Termo Ereignis === | ||
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| + | * Ao pensar a Palavra, é impossível não pensar o respondente que lhe é inerente; mas a palavra mesma de Palavra não diz explicitamente esta co-pertença | ||
| + | * É por isso que é preciso tentar pensar em uma só palavra, que resumiria a riqueza do desdobrar da Mesmidade, esta verdade do ser que se acorda a si mesma um si | ||
| + | * Este termo fundamental deve exprimir a Mesmidade e inscrever em si o fundamento do que a faz pro-duzir uma ipseidade e da necessidade do respondente | ||
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| + | * A palavra // | ||
| + | * A // | ||
| + | * A // | ||
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| + | * O si deve ser retomado no desdobramento da doação originária, | ||
| + | * Há entre o si e o ser um endereço recíproco no coração de uma mesma // | ||
| + | * A // | ||
| + | |||
| + | === O Ereignis como Último Nome do Ser === | ||
| + | |||
| + | * O ato único no qual ser e si se entre-pertencem enquanto se voltam um para o outro, este ato que dá toda a teor de reciprocidade inerente à doação do Simples, é isso que Heidegger nomeia // | ||
| + | * O // | ||
| + | * O // | ||
| + | |||
| + | * "// | ||
| + | * O // | ||
| + | * Ele "é a nominação pensante do ser" | ||
| + | * Este conceito essencial do pensamento heideggeriano, | ||
| + | |||
| + | * O // | ||
| + | * Ele é a verdade do ser que permite a possibilidade do surgimento da pessoa em sua complexidade estrutural, a possibilidade da emergência do //ipse// | ||
| + | * Ou seja, o // | ||
| + | |||
| + | === O Ereignis como Ser Relacional === | ||
| + | |||
| + | * O // | ||
| + | * Habitar (// | ||
| + | * No ser mesmo, há um " | ||
| + | |||
| + | * O // | ||
| + | * A fim de fazer chegar este pensamento ao pensamento do ser como aquele que precisamente requer um si para se manifestar, deixa ver o favor de seu retraimento e quer ser pensado como generosidade da Palavra, como // | ||
| + | * O // | ||
| + | |||
| + | * Como // | ||
| + | * A estrutura do ser, como Palavra e portanto // | ||
| + | * A fonte da Palavra que é o ser é o //Eignen// | ||
| + | |||
| + | * "O próximo desconhecido que motiliza o mostrar da //Sage// em sua motilização é, para toda vinda em presença e toda saída fora da presença, a instância mais matinal [...] só podemos nomeá-lo, pois ele não sofre nenhuma disposição, | ||
| + | * "Nós o nomeamos [...] dizendo: o que acorda fonte, no mostrar da //Sage//, é o ato de propriar [//Das Regende im Zeigen der Sage ist das Eignen// | ||
| + | * É porque a //Sage//, a Palavra do ser, como co-respondência interna, é ela mesma audível, que é preciso buscar sua origem em uma apropriação fundamental de sua estrutura com o pensamento que o si pode tomar dela | ||
| + | * Esta apropriação fundamental atravessa a estrutura mesma da //Sage// e dá a teor da vida essencial que atravessa sua guisa de // | ||
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| + | === Questões sobre a Mesmidade e o Eignung === | ||
| + | |||
| + | * Mas como o ser pode ser ao mesmo tempo a fonte e um dos membros da relação? | ||
| + | * Como se pode neste contexto pensar sua Mesmidade, e como pensar este ato de //eignen//? | ||
| + | * Este ato é a obra de um sujeito? Não, certamente, toda noção de subjecti(vi)dade estando ultrapassada desde muito tempo pela colocação em luz da motilidade da ipseidade e da do desdobramento ontológico que é sua fonte | ||
| + | |||
| + | * Mas então, o que representa este ato de // | ||
| + | * Constata-se a necessidade de pensar a teor desta // | ||
| + | * Como pensar a // | ||
| + | * Em que o // | ||
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| + | === Etapas da Análise === | ||
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| + | * Para responder a estas questões, é preciso franquear várias etapas | ||
| + | * Primeiramente, | ||
| + | * Compreender-se-á assim que a diferença ontológica, | ||
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| + | * Pela Dobra, o ser se desvincula do ente introduzindo no ente este desvincular ele mesmo | ||
| + | * O que dá ao ente o espaço para suas manifestações múltiplas e seus diferentes teores de sentido | ||
| + | * Assim, a multiplicidade dos sentidos do ente, o fato de que "o ser é o que há de mais espalhado sendo ao mesmo tempo a unicidade", | ||
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| + | * Esta intuição fundamental está já presente em 1922, onde Heidegger, jogando sobre a palavra "// | ||
| + | * É pelo espaço de desdobramento que o ser acorda dando seu retraimento no coração mesmo do ente, é por esta margem de vazio que é o ato de uma mesma // | ||
| + | * Esta intuição fundamental que percorre o conjunto da obra heideggeriana está igualmente presente no curso sobre o // | ||
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| + | * Uma vez estabelecida a dobra da Mesmidade, será em seguida possível pensar, no seio desta mesma Dobra, a necessidade do si em seu isolamento e desvincar a significação ontológica deste isolamento | ||
| + | * O que permitirá enfim pensar o si como o mortal no que Heidegger chama o Quadripartido (// | ||
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| + | * O si permanece uma realidade noturna porque se mantém originariamente no seio do esplendor de uma doação reservada | ||
| + | * Mas esta obscuridade conatural permanece ela mesma obscura em sua significação apenas enquanto o si não é reconduzido à fonte que o dá, isto é, a este esplendor originário, | ||
| + | * A habitação na Mesmidade noturna desvela que esta Mesmidade não trabalha para nada mais do que para nos pro-ferir | ||
| + | * O si se mantém no esplendor velado do abismo; e estas Instâncias da noite — noite que é "carga para além de todo sentido" | ||
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| + | * Ao entrar no pensamento da Mesmidade que o porta, o si aprofunda assim o estatuto de seu próprio mistério ou o de sua habitação no esplendor da reserva do ser, e pode pronunciar: " | ||
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