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| + | ====== Os Pré-socráticos e as Tragédias (2010: | ||
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| + | ==== Filosofia Grega I ==== | ||
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| + | === II - O PENSAMENTO ORIGINÁRIO === | ||
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| + | //[CARNEIRO LEÃO, Emmanuel. Filosofia Grega I. Teresópolis: | ||
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| + | Não apenas os beócios é que não pensam. Os próprios atenienses renunciaram ao pensamento quando em Sócrates, Platão e Aristóteles a filosofia inaugurou sua avalanche histórica. Para Hegel, a filosofia é uma época concentrada em pensamentos. Para os primeiros pensadores, pensar é acordar o não pensado, acionar a inércia de pensamento de uma tradição histórica. E o que fizeram recuperando a tragédia da poesia e mitologia vigente na consciência de sua época, da religião, da política, da educação. Na crítica aos poetas, aos mitos e cultos buscavam desinstalar a consciência de uma luz sem sombras, de uma verdade sem mistério, de um dia sem noite, de uma vida sem morte. O pensamento surgiu, quando o trágico obscureceu a claridade do racional e irracional, do físico e do político, do mito e do culto, do desespero e da salvação. [111] | ||
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| + | Só não devemos entender o trágico no sentido filosófico da tradição. Neste sentido, tragédia é desgraça, a queda das alturas, a transformação súbita ou paulatina da glória em sofrimento. Trágico é o abandono desesperado do homem às forças da natureza, à vontade dos deuses, à fatalidade do destino. Onde impera a desolação, | ||
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| + | A consciência da poesia, de mito, de política, de educação e culto que reinava no século VI A.C., prende-se a este sentido humano da tragédia. O pensamento dos primeiros pensadores gregos questiona-lhe o humanismo, buscando restituir o mistério da tragédia originária. Trágico é o jogo de Dioniso na identidade universal das diferenças. A tragédia não é uma condição simplesmente humana. É o ser da própria realidade. A totalidade do real, o espaço-tempo de todas as coisas, não é apenas o reino aberto das diferenças, | ||
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| + | Para os primeiros pensadores este para-digma é ainda humanista. Não atinge a tragédia originária. Trata-se de um apo-digma. Reflete no país dos homens o embate misterioso entre os poderes da φύσις mas sem poder pensá-la como φύσις — aqui. Aquém dá configuração de determinados deuses, mais originários do que os próprios deuses, é o combate da identidade nas diferenças de dia e noite, de vida e morte, de χάος [chaos] e ερως [eros], levado para a linguagem em palavras como χρεών [chreon], μοίρα [moira], ανάγκη [ananke], λήθη [lethe], de um lado, e Ζευς [Zeus], Ήλιος [Helios], Λόγος [Logos], Νοῦς [Noûs" | ||
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| + | E não obstante, a pretensão de uma vitória definitiva do princípio racional da luz, de um império eterno do Olimpo de Zeus, que alimenta a religião e a mitologia dos primeiros tempos, vai servir de base para a fundação da filosofia de Sócrates, Platão e Aristóteles, | ||
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