estudos:carneiro-leao:carneiro-leao-obra
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| + | ====== obra ====== | ||
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| + | //Data: 2025-03-18 05:51// | ||
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| + | //Excertos do livro " | ||
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| + | Das vias de interrogação que esse Pensamento Existencial abriu no campo da Literatura, a presente palestra se propõe colocar a interrogação referente à Crítica Literária. Abrir dimensões interrogativas na Literatura é **obra ** da reflexão sobre os fundamentos da existência literária. Trata-se de um movimento que, dobrando-se para dentro da Literatura, busca os vestígios de sua proveniência e origem na existencialidade. Por isso se refere e concentra sobretudo na Crítica Literária. Aprendendo a pensar I: Existencialismo e Literatura | ||
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| + | Nesse sentido também se originou o uso da palavra na Estética da segunda metade do século XVIII. Nas discussões sobre a arte, a **obra ** de arte e a atitude frente a elas, a Crítica estabelecia o decisivo, o constitutivo e definitivo do fenômeno estético em oposição aos demais fenômenos. Kant enriqueceu e aprofundou este uso com a trilogia: Crítica da Razão Pura, Crítica da Razão Prática e Crítica da Faculdade de Julgar. Aprendendo a pensar I: Existencialismo e Literatura | ||
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| + | A Crítica é literária, sendo Literatura, isto é, sendo arte. Para ser literária, tem necessidade de assumir o modo da arte. Ora, a arte chega a seu modo de ser na **obra **. A **obra ** de arte é passagem obrigatória de todos os caminhos para a arte. Por isso o caminho que nos levará à arte da Crítica será também aqui a **obra ** literária: uma poesia! Por exemplo, a poesia de Mörike, intitulada: Auf eine Lampe! "Para um candelabro" | ||
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| + | O modo de ser do instrumento manifesta uma dupla referência: | ||
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| + | Os três penúltimos reúnem os anteriores, isto é, o candelabro, na unidade de sua presença de sedução e gravidade, de alegria e seriedade. Ambas impregnam toda a forma. Forma aqui não se opõe nem exclui mas se compõe e inclui o conteúdo. A forma é o vigor da unidade do candelabro articulada nos primeiros versos. Neste vigor a poesia faz brilhar a beleza do candelabro. Embora não acenda o candelabro, ela permite que apareça a luz de sua beleza. E a beleza aparece numa oposição e diferença, que os versos 7-9 procuram evidenciar. O nono resume toda a poesia até agora, ao dizer que se trata de uma **obra ** de arte verdadeira. Resumir o candelabro é tomá-lo no vigor de sua unidade. É tomá-lo em sua beleza de **obra ** de arte que sempre se opera numa distinção. Por isso Mörike, resumindo o candelabro, refere-se à falta de olhos para a beleza: quem ainda tem olhos para ver? É uma pergunta retórica. O que o poeta pretende é afirmar que já ninguém ou somente poucos os possuem. A pergunta é uma afirmação de pesar. Com o pesar, a pergunta afirma não só que a **obra ** de arte escapa em seu modo de ser à consideração do homem mas também que ela pertence ao homem. Por isso há poesia e o poeta suporta o pesar. O último Verso nos diz desse modo antitético de a arte — o que é belo — morar no país dos homens. Todavia o que é belo apresenta em si mesmo um brilho feliz. O modo de ser da arte é fazer brilhar em si mesmo o mundo dos homens. Na poesia de Mörike isso ocorreu na iluminação do mundo por um instrumento, | ||
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| + | Essa análise nos sugere à reflexão toda uma série de questões. O que a poesia faz aparecer são as mesmas referências e as mesmas revelações do mundo que constituem o modo de ser do candelabro, como meio de iluminação. Para que, então, necessitamos da poesia? Por que essa verdade do candelabro não se manifesta plenamente em seu emprego? Por que é preciso para isso de uma **obra ** literária que ninguém pode usar para acender um quarto? E por que essa relação toda é privilégio de uma **obra ** de arte enquanto a presença objetiva de um candelabro não no-la pode transmitir? Aprendendo a pensar I: Existencialismo e Literatura | ||
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| + | O simples uso do candelabro não nos transmite as manifestações do mundo que seu ser instaura. É que seu emprego reside justamente em servir-se de suas relações efetivas, em usar seus serviços sem procurar realçar o sistema de referências que os possibilita. Usar um instrumento é obrigá-lo a desaparecer no uso que dele se faz. O bom candelabro é aquele de que não se sente a presença. Usar um instrumento é não se deter em seu modo de ser e sim passar através de sua utilidade à obtenção de sua finalidade. Para que o instrumento nos manifeste seu modo de ser, é necessário mudar de comportamento. É o que acontece na arte. A **obra ** de arte nos abre e mostra o ser do candelabro como instrumento de iluminação. O modo de ser da arte é manifestar o mundo de tudo aquilo que é. É verdade que essa manifestação do ser se opera em toda atividade e em todo comportamento humano. Todavia, nem sempre é desenvolvida explicitamente. A ciência, por exemplo, é implicitamente uma manifestação do mundo, não obstante ela não se preocupa nem se atém à revelação do ser das coisas. Atenta ao que no real é determinação objetiva, universalizável e pragmática, | ||
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| + | Essas reflexões nos dizem que o processo de instauração do mundo comporta sempre a edificação de uma **obra **, uma operação. Assim como a arte, a ação criadora do político, que funda um novo sistema de convivência, | ||
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