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| + | ====== O pensamento originário ====== | ||
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| + | //Data: 2025-03-18 05:54// | ||
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| + | //Excertos do ensaio "O pensamento originário", | ||
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| + | PENSAMENTO ORIGINÁRIO é o título de um questionamento que procura pensar o pensamento dos primeiros pensadores gregos. TALES, ANAXIMANDRO e ANAXíMENES, | ||
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| + | 1. Já foram intitulados de Pré-aristotélicos, | ||
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| + | Trata-se de uma decisão que vive da perplexidade em pensar a identidade como identidade e não como igualdade, isto é, que vive da dificuldade de se encontrar com a identidade no próprio seio das diferenças. Esta decisão, ao instituir as dicotomias de um comparativo ontológico, | ||
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| + | Esta decisão metafísica não é um presente para sempre passado nem se reduz a simples fato de um passado encoberto pela poeira de dois mil e quatrocentos anos. É mais do que objeto de curiosidade historiográfica. Mais do que uma relíquia no museu do Ocidente. É um passado tão vigente que constitui a fonte donde vivemos hoje, a tradição, que nos sustenta. Seu vigor Histórico promoveu as transformações, | ||
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| + | É esta mesma decisão que estabelece até hoje a filosofia de Sócrates, Platão e Aristóteles como critério na escolha, interpretação e avaliação dos primeiros pensadores gregos. Os problemas, as concepções e os conceitos de Sócrates, Platão e Aristóteles, | ||
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| + | 2. Não é possível pensar o pensamento dos primeiros pensadores gregos só com os recursos da ciência e da filosofia. Toda historiografia já é sempre uma filosofia da história, quer o saiba ou não. Uma investigação de pensamento, que não pretender negar-se a si mesma como pensamento, tem necessariamente de ser uma restauração da mesma empresa. “Mesma”, | ||
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| + | Neste sentido a presente investigação não quer ser uma obra de historiografia filosófica. Pretende levar a sério que os primeiros pensadores gregos são pensadores e não filósofos. O destino Histórico de seu pensamento não provém da objetividade dos conhecimentos mas do vigor do pensamento. Por isso o caminho a seguir é o caminho de um diálogo a partir da própria coisa do pensamento. Procurar-se-á atingir o centro do diálogo para da perspectiva central entender e interpretar os fragmentos. Pois, de que outra maneira poder-se-ia apreender-lhes o pensamento senão pensando? | ||
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| + | No horizonte deste questionamento o pensamento dos primeiros pensadores gregos revela uma profundidade atual em que as questões arroladas e as preocupações moventes acenam para o mistério vigente de sua verdade, de outro modo imperceptível. Em consequência, | ||
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| + | 3. No século VI a religião, a política, a educação gregas exercem determinada consciência da poesia e mitologia. Όμηρος την Ήλλάδα πεπαίδευκε [Houmeros ten Hellada pepaideuke]. Prisma e espelho, nesta consciência se refletem e analisam as peripécias de verdade e não verdade da existência grega. Denunciando a miopia da consciência vigente, os primeiros pensadores se lançam a pensar reciprocamente as diferenças de religião e política, de educação e habilidade, de poesia e mito pela identidade do pensamento, pensando a compertinência de ser e pensar. Para nós, filhos do petróleo e da técnica, tardos em pensar, se tomou ainda mais difícil este mistério da identidade numa época de poluição e consumo. E por quê? — Porque temos os ouvidos tão poluídos de ciência e filosofia, temos os olhos tão consumidos pelas utilidades que já não podemos ver o mistério da pobreza nem ouvir a voz do silêncio no alarido do desenvolvimento. Desconhecemos o [110] paradoxo da revolução do pensamento. Já quase não temos sensibilidade para as vibrações de nosso destino. E isso, não tanto porque, absorvidos pelas solicitações do consumo, quase não pensamos, mas sobretudo porque, quando pensamos, quase inevitavelmente o fazemos nos moldes da filosofia e da ciência. | ||
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