estudos:carman:carman-2003121-123-o-que-e-um-mundo
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| + | ===== O QUE É UM MUNDO? (2003: | ||
| + | A interpretação de Heidegger do ser humano como ser-no-mundo faz parte de um esforço para resistir à tentação de interpretar os fenômenos intencionais mundanos em termos exclusivamente subjetivos ou exclusivamente objetivos. Heidegger não quer negar que as mentes e os objetos façam parte de nossa compreensão de nós mesmos e do mundo, mas insiste que os entendemos apenas com referência ao meio ou situação de fundo em que eles aparecem para nós. As mentes, por exemplo, são inteligíveis para nós acima de tudo como as mentes dos seres humanos, e entendemos os seres humanos como agentes situados que habitam mundos praticamente estruturados. Da mesma forma, meros objetos são coisas abstraídas de contextos pragmáticos, | ||
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| + | O que é um mundo? Na linguagem de Heidegger, em que consiste a “mundanidade” (Weltlichkeit) do mundo? E o que significa para nós estar em um mundo? Que noção de “ser-em” (In-sein) descreve nossa relação com o mundo? Essas são as perguntas em torno das quais Heidegger estrutura a análise do Dasein. O que é crucial observar neste ponto, no entanto, é que perdemos de vista os fenômenos do ser-em e da mundanidade se tentarmos assimilá-los ao subjetivo e ao objetivo, ou ao interno e ao externo, como faz Nagel. O que encontramos antes de abstrairmos para o “sujeito sem mundo” (SZ 211), indiscutivelmente pressuposto por Descartes, Husserl e Searle, e para “o mundo objetivo, materialista e de terceira pessoa das ciências físicas”, | ||
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| + | A análise existencial do Dasein de Heidegger equivale, portanto, a uma forma de externalismo não-redutivo. Ela é externalista ao insistir que nossas relações intencionais com o mundo são constituídas por nossa orientação no domínio público, não por nossa posse privada de estados mentais internos. E é não redutor ao aceitar a estrutura normativa como um aspecto ontologicamente primitivo dos mundos, nem analisável em termos de fatos naturais brutos nem interpretado como meras funções de atitudes subjetivas explícitas, | ||
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| + | (CARMAN, Taylor. Heidegger’s Analytic: Interpretation, | ||
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