estudos:buzzi:buzzi-ef-conhece-te-a-ti-mesmo
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| + | ====== conhece-te a ti mesmo (EF) ====== | ||
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| + | No frontispício do templo de Apolo, que engenhosas mãos, no sabor da vida quotidiana pré-científica, | ||
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| + | Essa recomendação — gnooti s’autón — hoje traduzida em todas as línguas e levada pelos mídia aos quatro cantos da terra, se acha facilmente ao alcance de toda humanidade, embora nem sempre no sabor de seu saber. | ||
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| + | Para significar visivelmente a compreensão sapiencial do Conhece-te a ti mesmo, os antigos gregos a cinzelaram no frontal do templo de Delfos, dedicado a Apolo. Na arquitetônica do templo — nessa magnífica representação visual, erguida no altiplano das montanhas de Delfos expressaram não só o conhecimento em que compreendiam a relação essencial entre o universo sem fim e o Divino Infinito, mas também e sobretudo o conhecimento que tinham de si próprios como eixo de conjunção entre o Divino Infinito e os existentes finitos. Por se reconhecerem nessa conjunção mediadora, nesse intermédio, | ||
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| + | > "O homem não é microcosmos no sentido de miniatura do mundo. O homem é microcosmos no sentido de con-juntura da identidade, isto é, de con-juntura em que se juntam as diferenças no ser de tudo que é" (E.C. Leão, Aprendendo a pensar, I, p. 84). | ||
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| + | Conforme a imagem do templo, cada existente finito do universo, na secreta trama de seu originar-se e na visível figuração de seu constituir-se, | ||
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| + | > "O Infinito (ápeiron) engloba e governa tudo" (Anaximandro). | ||
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| + | > "Como a terra, o sol e a lua, também o éter de tudo, a celeste via-láctea, | ||
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| + | > "E o vigor do homem, poderás compreendê-lo condignamente sem o vigor do todo?" (Platão, Fedro, 270c). | ||
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| + | No ímpeto de se tornarem, cada qual consoante seu vigor, os existentes finitos comparecem em cena dando a impressão de serem comandantes de sua história, porque o vigor do Infinito neles se retrai. A experiência do retraimento do Infinito, do vigor do todo, porém, é o caminho e jamais outro que pode outorgar ao pensamento a sabedoria de si no questionamento dos existentes finitos. | ||
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| + | > "Pois retrair-se não é um nada puramente negativo. Retraimento pertence à dinâmica do próprio pensamento. O que se retrai até nos afeta e nos reivindica com mais vigor do que qualquer objeto. Um objeto apenas nos toca e atinge a pele, embora tocados pelo objeto quase sempre nos insensibilizemos para o que nos afeta. E nos afeta de um modo tão estranho que, ao tocar-nos como objeto, se retrai como mistério. O que assim se retrai é o que nos arrasta. No arrastão do retraimento estamos na tração do que, retraindo-se, | ||
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| + | Segundo a sabedoria dos antigos, a relação proporcional mais íntima e bem ajustada entre o Infinito e o existente finito, entre o vigor do todo e o existente singular, não se realizaria no macrocosmos e sim no microcosmos, | ||
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| + | > "Com o Logos (o vigor do todo), porém, que é sempre, os homens se comportam como quem não compreende tanto antes como depois de já ter ouvido. Com efeito, tudo vem a ser conforme e de acordo com este Logos e, não obstante, eles parecem sem experiência nas experiências com palavras e obras, iguais às que levo a cabo, discernindo e dilucidando, | ||
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| + | O vigor do Infinito que engloba e governa tudo, o Logos que sempre é, se expande e se recolhe nos entes finitos. Parece evidente que aqui, nessa expansão difusa e contração recolhida, podemos vê-lo na magnificência de seu ser e ouvi-lo na sabedoria de sua palavra. Bastaria, por assim dizer, uma olhadela para dentro de nós mesmos e uma atenta escuta de sua voz para reconhecê-lo e assim ingressarmos na morada de sua luz. Heráclito, porém, nos adverte que não é tão fácil vê-lo e ouvi-lo no aconchego confortável de nossas lareiras e nem sequer percebê-lo na fúria de nossos desejos, porque não nos damos ao trabalho de tudo discernir e dilucidar segundo o seu vigor. E ainda quando nos damos a esse trabalho, a sabedoria do Logos mais parece que se retrai e, consequentemente, | ||
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| + | O discernimento dos existentes finitos e mormente a dilucidação do homem, esse existente privilegiado, | ||
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| + | > "O desafio do Pensamento é a identidade. O difícil não é pensar muitos pensamentos. O difícil é pensar sempre a identidade do Pensamento em tudo que se pensa. A profundidade e dinâmica desta identidade é o vigor de um pensamento. O nível de um pensador não se avalia pela extensão de seus temas. A originalidade de um pensamento não é a novidade. (...) como o Autor do oráculo de Delfos, não nega nem afirma coisa alguma, assinala apenas o retraimento do mistério em tudo que nega e afirma. Apresentando a riqueza da identidade, deixa aparecer os limites de todo conhecimento e de toda reflexão. (...)’ A identidade não tira. A identidade dá. Dá a riqueza do crescimento, | ||
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| + | E a presença essencial do Logos Infinito, essa inesgotável identidade, que torna cada existente finito extremamente difícil de ser conhecido em sua diferença. Isso porque o Infinito não se dá por partes nem se dá parcimoniosamente nos existentes finitos. Ele se dá por inteiro no máximo de sua identidade. Consequentemente, | ||
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