estudos:blattner:sz:temporal
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| + | ====== Temporal ====== | ||
| + | //BLATTNER, William D. Heidegger’s “Being and Time”: A Reader’s Guide. 2nd ed ed. London: Bloomsbury Academic, 2023.// | ||
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| + | **A Ideia da Ontologia e o Tempo como Horizonte do Ser** | ||
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| + | * A pretensão fundamental de //Ser e Tempo// reside em demonstrar que o tempo constitui o horizonte transcendental para qualquer compreensão e interpretação do ser em geral. | ||
| + | * No parágrafo [[obra: | ||
| + | * Embora a terceira seção não tenha sido escrita, a estrutura da segunda parte permite reconstruir a articulação interna de dois argumentos principais sobre a fundamentação temporal das modalidades de ser. | ||
| + | * O primeiro argumento sustenta que os principais modos de ser investigados na obra — a existência, | ||
| + | * O segundo argumento demonstra que o tempo do mundo ([[lx> | ||
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| + | **A Fundamentação Temporal da Manualidade e da Simples Presença** | ||
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| + | * O modo de ser dos utensílios ou entes à mão — a manualidade (Zuhandenheit) — exibe uma estrutura intrinsecamente temporal regulada pelo horizonte do tempo do mundo (Weltzeit). | ||
| + | * A utilização prática de um utensílio exige a retenção ([[lx> | ||
| + | * A orientação teleológica de alcançar um objetivo por meio do instrumento aponta para um horizonte futuro que é essencialmente datável e dotado de significatividade, | ||
| + | * O conceito de simples presença (Vorhandenheit), | ||
| + | * Ao isolar um ente de suas conexões utilitárias e de seu contexto no mundo, despoja-se sua temporalidade das determinações de databilidade e significatividade características do tempo do mundo (Weltzeit). | ||
| + | * Sob essa operação de neutralização, | ||
| + | * A primazia conceitual da manualidade sobre a simples presença sustenta-se na própria derivação do tempo vulgar a partir do tempo do mundo: dado que (a) a manualidade vincula-se ao tempo do mundo e a simples presença ao tempo vulgar, e (b) o tempo vulgar deriva do tempo do mundo, segue-se que (c) a simples presença é conceitualmente derivada da manualidade. | ||
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| + | **Idealismo Ontológico e a Independência dos Entes Naturais** | ||
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| + | * A dependência das modalidades de ser em relação à compreensão do ser-aí (Dasein) caracteriza o idealismo ontológico heideggeriano, | ||
| + | * No nível conceitual, a estrutura de inteligibilidade da simples presença (Vorhandenheit) deriva da manualidade (Zuhandenheit), | ||
| + | * No nível factual, a existência física dos entes naturais independe dos projetos humanos, da utilidade prática e da própria existência do ser-aí (Dasein). | ||
| + | * Exceções raras a essa independência factual ocorrem em produtos da intervenção tecnológica direta, como os elementos químicos sintéticos produzidos artificialmente em aceleradores de partículas, | ||
| + | * Em termos gerais, a natureza e as coisas físicas circundantes continuam a existir de forma autônoma, ainda que seu estatuto ontológico como " | ||
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| + | **A Gênese Conceitual do Tempo do Mundo** | ||
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| + | * O tempo do mundo (Weltzeit) extrai sua inteligibilidade das estruturas da temporalidade da ocupação circunspecta (Zeitlichkeit deves besorgenden Umsehens). | ||
| + | * A temporalidade do manuseio organiza-se no ato de presentificar que retém e espera (gewärtigend-behaltendes Gegenwärtigen), | ||
| + | * Os aspectos télico e perfeito geram-se a partir da aplicação do presentificar à finalidade (futuro) e à já-prioridade (passado) que constituem a temporalidade existencial. | ||
| + | * A temporalidade (Zeitlichkeit) representa o conjunto de capacidades ontológicas que viabilizam a apreensão dessas dimensões temporais e do tempo do mundo (Weltzeit), evidenciando que a inteligibilidade das coisas à mão e presentes depende constitutivamente do ser do ser-aí (Dasein). | ||
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| + | **O Diálogo com Kant e os Limites do Projeto de Ser e Tempo** | ||
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| + | * O projeto mais ambicioso de Heidegger visava estender a tese da temporalidade a todas as modalidades de ser, buscando inspiração direta no capítulo sobre o esquematismo da Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant. | ||
| + | * Na leitura heideggeriana de Kant, a rejeição da noção metafísica de "coisa em si" esvazia a contraposição clássica entre o em-si e o fenômeno ou aparência. | ||
| + | * No esquematismo kantiano, os conceitos puros da razão necessitam ser interpretados em termos temporais (esquematizados) para adquirir validade objetiva e aplicar-se aos objetos da experiência fática. | ||
| + | * Sem a distinção entre coisas em si e aparências, | ||
| + | * Kant sustentava a autonomia das faculdades conceituais por julgar possível formular pensamentos abstratos independentes da experiência sensível e do tempo, mesmo sem a garantia de que tais conceitos possuíssem correspondência com entes reais. | ||
| + | * Para consumar a demonstração de que o ser só pode ser entendido a partir do tempo, Heidegger necessitava refutar a tese kantiana da autonomia dos conceitos puros, tarefa que ele tentou extrair de sua interpretação de Kant, mas que não desenvolveu de forma autônoma. | ||
| + | * O abandono da redação de //Ser e Tempo// coincide historicamente com o período em que Heidegger aprofundou sua leitura crítica da filosofia kantiana, sugerindo que ele tenha deparado com a impossibilidade de desvincular seu argumento ontológico central do arcabouço teórico da Crítica da Razão Pura. | ||
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